AMÉLIA PINTO COELHO GOMES
A pontenovense Amélia Pinto Coelho Gomes, conhecida por dona Morena, é viúva do engenheiro Nilon Gomes, e mãe do médico Mariano Gomes Neto. Normalista pela Escola Nossa Senhora Auxiliadora, fez vários cursos livres. É funcionária pública estadual aposentada. Foi catequista na Paróquia São Sebastião. Co-fundadora do Consórcio de Entidades de Assistência e Promoção Social-CEAPS, em 1973, proferiu palestras sobre "Serviço Social"
Sempre atuou nas festas do 13 de maio no Hospital de Nossa Senhora das Dores. Sócia fundadora do Clube Literário Brasília, é membro da Academia de Letras de Ponte Nova - Cadeira número 11 - seção 01 - Poemas.
Tem como patrono Antônio de Castro Alves.
Lançou seu 1º. Livro, "O Carro de Boi e Sua História", em Ibertioga-MG e em Ponte Nova, no segundo semestre de 1996. Com vários livros de poesia em preparo, tem publicações suas em jornais de Belo Horizonte e Ponte Nova. Participou de antologias, como: 1º. Livro de Poesia Sertaneja (Ed.Lumardelli/SC), Poetas Brasileiros de Hoje (Shogun Arte/RJ).Escritores Brasileiros (Crisalis Editora/RJ), Antologia Del'Sacchi (Vassouras/RJ), 1ª. Antologia Poética, Minas Editora (Araguari/MG), Amor em Prosa e Verso - Ed. Alba (Varginha/MG), e Anuário da Poesia Brasileira ( Jacarepaguá/RJ). Na Revista de Brasília (DF), participa, desde 1983, de Antologias, Enciclopédias e Valores Literários, recebendo diversas Medalhas e Láureas. Nesta página, ela resume o perfil de Castro Alves.

CASTRO ALVES
"Na minha infância, a poesia de Castro Alves já me conquistara. A fidelidade na descrição de 'A Queimada' me encantou e eu lia o penúltimo verso:
Como toda adolescente daquela época, tinha também o meu caderno de poesias,. Onde copiava, carinhosa, as minhas prediletas, do qual, é claro, constavam: 'O Navio Negreiro', 'O Livro e a América', 'Vozes d'África'; o grito angustiante ( 'Deus!, Ó Deus, onde estás que não me respondes !?), 'A Cruz da Estrada', 'A Capela de Almeida', além de outras.
Quem, com um pouco de gosto pela poesia e pela arte, não terá cantado, com o maior enlevo, 'O Gondoleiro do Amor' e 'Hebréia', que passaram por nossa mocidade, deixando saudades?
Quem não se enterneceu ao sentir, nos versos de 'Mocidade e Morte', a dor de um jovem, amando a vida e pressentindo o fim? Sempre me entusiasmei com os conhecimentos gerais, históricos e bíblicos, adquiridos pelo meu biografado. E pensar, então, que em apenas 24 anos muito sofreu, muito amou e deixou para a posteridade páginas de grandes lições cívicas, de entusiasmo e lirismo. Daí, a razão da escolha de Castro Alves para meu patrono.
Antônio Frederico de Castro Alves, brasileiro denominado "Poeta dos Escravos", nasceu a 14/3/1847, na Fazenda Cabeceiras, perto de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, na Bahia. Filho de médico, principiou os estudos no Ginásio Bahiano, onde se iniciou na leitura dos clássicos latinos e dos românticos franceses e brasileiros, escrevendo então seus primeiros versos. Aos 16 anos, em Recife, completava os estudos preparatórios, ambientando-se à vida acadêmica da cidade, participando de polêmicas literárias e políticas, publicando versos em jornais e freqüentando o Teatro Santa Isabel. Com a vida agitada, foi reprovado nos exames e só em 1864 matriculou-se no Curso Jurídico. Já eram notórios os seus dotes poéticos. Sem completar o curso em Recife, partiu, em 1867, para a Bahia, com a atriz portuguesa Eugênia Câmara, por quem era apaixonado.
Em 1868 resolveu continuar seus estudos em São Paulo, onde, em menos de um ano, feriu-se no calcanhar, durante uma caçada, sendo necessário amputar-lhe o pé, forçando-o a interromper os seus estudos. Logo estava tuberculoso, retornando para a Bahia a conselho médico. Os últimos anos de sua vida foram cheios de dor e sofrimento. Morreu a 6/7/1871, aos 24 anos, apenas 7 anos de trabalho poético, marcados por sofrimento físico e decepções na vida acadêmica. Mas produziu densa obra, que vem resistindo à ação do tempo.
Seu clima poético era o entusiasmo da mocidade apaixonada pelas grandes causas da liberdade e da justiça. A campanha contra a escravatura lhe inspirou 'Vozes d'África' e 'Navio Negreiro'. Revelou-nos seu talento do drama épico, granjeando-lhe a simpatia universal, e permanece até hoje a sua imagem viva e fulgurante. Os seus versos distinguem-se por uma eloquência exaltada e imaginosa. Às vezes, era de uma simplicidade rara, como nos poemas 'Adormecida' e 'Laço de Fita', outras vezes, descritivo, pinta com admirável exatidão e poesia a nossa paisagem como o 'Crepúsculo Sertanejo'. No poema 'Adormecida', destaca-se na última estrofe a delicadeza de seus sentimentos:
Em Castro Alves há de se admirar a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira. No dizer de Gilberto Amado, ele foi 'o mais belo instante do Brasil'. Pelo amor que o ligava à pátria, assemelha-se a Gonçalves Dias e a Casimiro de Abreu, além de formar, com Tobias Barreto, a parceria mais ilustre do condoneirismo no Brasil. Foi grande entusiasta do teatro, talvez pelas suas ligações com a atriz Eugênia Câmara...José de Alencar e Machado de Assis se impressionaram com o vigor de seu talento.
Suas obras são:
'ESPUMAS FLUTUANTES', do qual, além de outras, constam: 'O Livro e a América','Hebréia', 'O Laço de Fita', 'Mocidade e Morte', 'Ode ao Dois de Julho', 'O Gondoleiro do Amor', 'Adormecida', 'Jesuítas'.
De 'OS ESCRAVOS', constam: 'A Canção do Africano', 'A Cruz da Estrada', 'América', 'O Navio Negreiro', ' Vozes d'África' e outras. Da 'CACHOEIRA DE PAULO AFONSO':'A tarde', 'A Queimada', 'Crepúsculo Sertanejo', 'O São Francisco' e 'A Cachoeira'.
Mais ainda: 'POESIAS DIVERSAS': 'Destruição de Jerusalém', 'A Capela do Almeida', 'O Povo no Poder', 'Pesadelo de Humaitá', etc.
Fez também diversas traduções.
Na impossibilidade de transcrever, aqui, ao menos alguns de seus maravilhosos poemas, não se pode silenciar num trecho- a 6ª estrofe - de 'O Livro e a América':
Seu prólogo de 'Espumas Flutuantes', quando regressava de São Paulo à sua terra, 'só e triste, encostado à borda do navio' é o epílogo do meu elogio:
Amélia Pinto Coelho
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