SALVADOR FERRARI

O acadêmico Salvador Geraldo Ferrari ocupa a cadeira número 2 –seção III- crônica e jornalismo –da Academia de Letras de Ponte Nova, sendo seu atual presidente. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina (RJ) em 1935, obteve menção honrosa em pediatria e é especialidade em ginecologia e obstetricia, colecionando 28 certificados e diplomas do setor, com estudos nos Estados Unidos, Espanha, Inglaterra França, e Israel.

Ex- professor da Escola Nossa Senhora Auxiliadora e da Faculdade de Ciências Humanas local, possui certificado de estudioso e pesquisador de História Antiga e Literatura Geral.Em 1980 recebeu a Medalha Carlos Chagas, conferida pelo Governo de Minas. Em 1984 foi diplomado como acadêmico –correspondente da Academia Mineira de Medicina (BH).

Ex- prefeito de Mariana, Ferrari recebeu em 1982 Diploma e Medalha do Estado de Minas, comemorativos ao dia daquela cidade. Em 1990 recebeu Medalha Ordem do Mérito Legislativo do Estado. Ex- vice-presidente da Associação Médica de Minas , é atual provedor do Hospital de Nossa Senhora das Dores(PN).

Viúvo de Francisca Motta Ferrari, a saudosa Chiquita, tem um único filho – o também médico Antônio Eugênio – e três netos. Dentre e outras obras, publicou os livros " Belibá " (crônica) e "Undivago" (poemas), e lança, a curto prazo. " O Interior de Um Médico" (crônica autobiográfica).

A seguir, resumimos seu elogio a Jarbas Sertório de Carvalho, seu patrono na Alepon.

JARBAS SERTÓRIO

Jarbas Sertório de Carvalho nasceu no Arraial dos Bicudos (hoje Rio Casca), em 14/4/1885, e faleceu em 1/2/1965, em Ponte Nova, com 78 anos de idade. Filho dos agricultores Francisco Vieira de Carvalho e Souza e Laura Vieira de Carvalho, começou a estudar em Santa Margarida, Abre Campo e Rio Casca. Quando cursava o secundário no Colégio do Caraça, contraiu a doença beribéri, sendo transferido para o Instituto de Humanidade de São João Del Rei, só retornando ao Caraça no 6º. ano ginasial.

Diplomou-se em 1912, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo como tese de doutorado o estudo "As Hemorróidas e Seu Tratamento Cirúrgico".

Este são alguns de seus 15 títulos: Membro da Academia Nacional de Medicina, do Instituto Genealógico Brasileiro e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Trabalhou nos seguintes hospitais: Central da Marinha, na Ilha das Cobras; Beneficência Portuguesa (RJ); Nossa Senhora Das Dores(Ponte Nova). Pesquisador incansável, batalhador em prol do bem-estar da Coletividade, recebeu várias medalhas: Rui Barbosa, Marechal Hermes Dona Leopoldina, General Francisco Higino Craveiro Lopes, além da Comenda de Hipócrates e o título de Pontenovense Emérito.

Seus 35 trabalhos científicos e históricos tiveram notável importância. Ele escreveu sobre as origens do município, saneamento e esgotos da cidade de Ponte Nova, além do cemitério de índios no Pau d'Alho. Fundou e manteve o curso gratuito de História de Ponte Nova. Pesquisou a febre tifóide, profilaxia de tuberculose e sanatórios, além de escorpionídeos na Zona da Mata Mineira e acidentes mortais pela picada de escorpião.

Em 1954 fez conferência no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, provando o homicídio- contestando a versão oficial de suicídio – do inconfidente Cláudio Manoel da Costa. Em 1955 proferiu palestra no Rotary Club de Petrópolis (RJ) sobre a visita do Imperador Dom Pedro II a Ponte Nova , ocorrida em 30/6/1886, inclusive com ida à estação de trem de Piranga ( hoje Chopotó).

Estudou e descreveu macho e fêmea do pássaro Guarapiranga, que migrou para outras paragens e extinguiu-se em nossa região. Estudou o Brasão e Armas de Ponte Nova –desenhado pelo professor Alberto Lima –de acordo com as regras da Ciências Heráldica.O trabalho foi oficializado em 15/9/1960 por ato do prefeito Raimundo Belico Sobrinho.

É Jarbas Sertório de Carvalho projeto da bandeira de nossa cidade. Ele definiu as cores em faixas verticais: o vermelho traduz a palavra Guarapiranga em tupi- guarani ; o verde simboliza a esperança ; o branco é a paz desejada por todos ; o amarelo – cana homenageia a economia açucareira. E há, ainda, seu exaustivo trabalho sobre a história da indústria açucareira, destacando os irmãos médicos Francisco e José Vieira Martins, este último seu sogro.

Ao tomar posse na Academia Nacional de Medicina, recebeu elogios pelo seu trabalho " A Cura pelo Sol e Seu Alcance Médico – Social".

E a Academia premiou seu ensaio sobre geografia médica no distrito de Araponga, local que indicava como apropriado para a construção de sanatórios.

Jarbas Sertório de Carvalho viajou pelo Brasil e pela Europa. Na Itália, foi recebido pelo Papa Bento XV em 27/10/1921. Na Suiça, entre 1911 e 1912, estudou tuberculose e outras patologias. Casado com dona Pevila Vieira Martins, a dona Lota, deixou-nos os filhos José Aloísio Vieira Martins (já falecido), Luci e Miriam.