HILKA PIRES BARCELOS
Artista da palavra, seja numa cátedra de Língua Portuguesa, seja nos versos de um poema, seja na tribuna da Academia de Letras de Ponte Nova, Mestra Hilka. Dona Hilka, Hilka Pires Barcelos, a poetisa, a cronista, a lucutora de rádio, a mesma Hilka simpática, discreta, culta e amiga. Competente no que faz.
Atualmnte, a acadêmica Hilka Pires Barcellos, ocupante da cadeira número 6 seção 3 - Crônica e Jornalismo, da Alepon, ocupa o cargo de oradora oficial desta agremiação literária pontenovense.
A professora Hilka Pires Barcellos, com cursos de atualização em Administração Escolar, leciona em escolas de 2º e 3º graus, locais. Foi locutora e programadora da Rádio Sociedade Ponte Nova e, em 1978 a 1984, dirigiu o Colégio Pontenovense. É autora de sambas-enredo e trovas, premiados em diversos concursos. O seu livro de poemas "Cantos e Recantos" está pronto para ser editado, aguardando apoio de patrocinadores à Alepon, entidade que popugna constantemente pelo desenvolvimento cultural da região, esperando, assim, editar novas obras de seus acadêmicos.
O escritor paulistano Mário de Andrade é o patrono de Hilka Pires Barcellos na Academia de Letras de Ponte Nova - Alepon.
Mário de Andrade segundo a acadêmica Hilka

Mário de Andrade por Segall
Condensamos, a seguir, o pronuncioamento de Hilka Pires Barcellos, ao fazer o elogio de seu patrono na Alepon:
"Meu patrono foi um homem polêmico, destemido, inovador. Mário Raul de Morais Andrade sobresaiu-se como autêntico baluarte da cultura e, em especial da arte brasileira. Nasceu em São Paulo, em 9./10/1893, filho do médico dr. Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luisa de Morais Andrade.Seu avô materno, dr. Leite de Morais foi professor da Faculdade de Direito, escritor, deputado e governador da província de Goiás.
Mário de Andrade não foi um estudade modelo, tinha um temperamento irriquieto e dispersivo, mas dominava muito bem a língua portuguesa. Todos os elogios eram para seus irmãos, Carlos, o mais velho, e Renato, excelente pianista que morreu na adolescência. Com a morte do irmão, Mário aprimorou o desenvolvimenteo intelectual e estudou música até 9 horas por dia.Chegou a catedrático de História da Música em São Paulo, também exerceu a cátedra de Filosofia e História da Arte no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, onde foi diretor.
Sua obra é vasta e de grande importância, sendo traduzida em vários países. Foi professor de música, escreveu poesias, contos, crônicas, romances, ensaios, críticas, cartas, modinhas. Foi um dos maiores estudiosos do folclore brasileiro e diretor do Departamento de Cultura do Esado de São Paulo. Em conferência realizada em Belo Horizonte, afirmou que se dispôs a fechar o próprio corpo para se aprofundar nos segredos dessa manifestação folclórica.
Para a cátedra de língua portuguesa, Ângela Vaz Leão, Mário de Andrade foi um severo crítico de si mesmo em estilo. Acertou mais do que errou, se for julgado segundo sua capacidade criadora e o arrojo de suas atitudes em determinados momentos históricos. Como José de Alencar, lutou contra o que chamou de "preciosismo da língua" e por uma independência literária. Falou em escrever uma "Gramatiquinha da Fala Brasileira". Mas não hesitava em corrigir os "excessos de brasileirismo". Mais tarde afirmaria que "suas impaciências de moço o levaram até a falar em língua nacional"
Em Carta, Mário de Andrade faz duas interessantes revelações a Manuel Bandeira: "... tenho um desejinho secreto de falar bem o português e escrevê-lo sem erro.E ainda: "Macunaíma não sabe bem a língua, por isso diz 'testículos da Bíblia', em lugar de versículos." Sobre o Modernismo, criticou a consciência com que muitos visaram dirigir o movimento para cetos objetivos específicos(?). Uma de suas melhores críticas é sobre "A Astrela Sobe "de Marques Rabelo.
Compara as duas principais influências no Barroco de Ouro Preto: a do engenheiro reinol Pedro Gomes Chaves, Igreja N.S. do Pilar, e do Aleijadinho, fachada da São Francisco de Assis, ganhando esta em graça e estilo mais equilibrado; diz ainda que a Igreja de N.S. do Rosário, também de Ouro Preto, parece fundir as influências de Chaves e Aleijadinho, mostranto a evolução da arquitetura barroca do século XVIII. Mário foi um dos maiores impulsionadores da crítica documental. A respeito de sua obra poética, diz Henrique Lisboa: "É talvez a mais densa, mais complexa e mais estranha, por isso menos focalizada e compreendida. " Na fase nacionalista, suas poesias revelam uma cultua popular rica e diversificada, cheia de imagens, sons e cores sugestivas. Seu primeiro livro, publicacdo em 1917, na primeira guerra mundial, é intitulado: "Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema". Palavras do autor: "Não canto o perigo, nem a guerra, nem o heroísmo. Eu sinto é que o gênero de sofrimento novo a que o exatismo nos conduzeiu, há uma subst6ancia de poesia". Nota-se, na sua obra, a luta contra as convenções literárias. Sacrificou tudo por uma poesia libre de preconceitos estéticos, autônoma e autêntica.
Sua melhor criação poética, segundo vários críticos literários, é "Meditação Sobre o Tietê", longo poema escrito em 1945, talvez o último, já que veio a falecer no mesmo ano. Ele diz sobre o poema:"...é o reconhecimento doloroso de minha incapacidde pra me ultrapassar e fazar alguma coisa de proveitoso à humanidade." O polêmico livro "Paulicéia Desvairada", de 1922, foi sua primeira obra modernista. Naquele ano participou ativamente da "Semana da Arte Moderna", que teve influência decisiva na renovação da literatura e das artes no Brasil. E tornou-se a mais importante figura do Movimento Modernista.
Sua principal obra ficcionista é "Macunaíma - o herói sem nenhum caráter", de 1928. O próprio autor achou difícil classificá-lo quanto ao gênero. História, romance, livro (simplesmente), e finalmente rapsódia, como hoje é conhecido, uma narrativa de porsa poética estruturada com bse na narração do cantar popular.É uma captação da fala brasileira, ligada aos processos de compor e narrar o nosso povo. É tecida de lendas, tadições e costumes primitivos. A fala principal e repetida pelo herói Macunaíma é: "Ah, que preguiça! ".
Sobre ele diz o narrador:"Quando era para dormir, trepava no mucuru pequenininho, sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por baixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então, adormecida, sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar."
No cinema, Grande Otelo representou muito bem nosso herói sem nenhum caráter. A obra também foi levada para o teatro, e o libro mereceu tradução em vários idiomas. A vigésima edição esgotou-se em 1978.
Mário de Andrade recebeu homenagem de várias Escolas de Samba. Em 1974 houve o grande desfile da Portela, com "Macunaíma", samba-enredo de David Corrêa e Norival Reis, que tinha como refrão" Vou-me emboa, vou-me embora/eu aqui volto mais não,/ Vou morar no infinito/ e virar constelação." Mário faleceu em 25/02/1945, aos 52 anos, vítima de ataque cardíaco. É o autor que ficou, embora disesse que não se importava com a posteridade."
Hilka Pires Barcellos
Para saber mais sobre Mário de Andrade, dê dois "clicks" nos endereços abaixo: