JOSÉ CAMILO

Nascido na vizinha cidade de Urucânia, José Camilo concluiu a 8 série no colégio Dom Helvécio, na década do sessenta, época em que, sob a orientação do Padre Schimitt, sentiu o despertar do gosto pelas letras, no Grêmio Literário, Artístico e Desportivo, fundado pelo saudoso educador em 1965.

José Camilo Filho fez Técnico em Contabilidade no Colégio Pontenovense e curso superior na Faculdade de Ciências Contábeis (FACCO),de Ponte Nova.

Escrevendo com arte e correção de linguagem, suas crônicas ganharam as páginas dos jornais da região como a "Folha de Viçosa", "O Município", "Folha de Ponte Nova", "O Jornal Integração" e outros.

Casado com Maria Cleuza Pelinsari Camilo, funcionária pública estadual, o casal tem três filhos adolescentes. Bancário do Bemge, o acadêmico José Camilo Filho tem como patrono na Academia de Letras de Ponte Nova o padre Heriberto José Schimit, cadeira número 9, seção 3- Crônica e Jornalismo.

PADRE HERIBERTO SCHIMITT

Em janeiro de 1953, chegava a Ponte Nova, para trabalhar no Colégio catarinense (barriga verde, como ele mesmo se autodenominava), carregado no sotaque sulino de uma vivacidade ímpar, desportista fanático e gozador nato. Entretanto, foi na cátedra que todos melhor o conheceram e admiravam. Seu nome: Heriberto José Schimitt .

Sobre ele escreveu o padre Licério:

"Padre Heriberto nasceu em Luiz Alves (SC), a 10 de maio de1916. Filho de Baltazar Ferdinando Schimitt e Ottilia Schimitt, tendo dois Irmãos e seis irmãs. Entrou no Colégio São Paulo de Ascurra (SC) no dia 16 de fevereiro de 1927. Dois anos depois estava em Lavrinhas(SP), onde cursou o ginásio e o científico. De 27 de janeiro de 1933 a 27 de janeiro 1934, fez o noviciado em Campinas (SP), findo o qual ingressou na Congregação Salesiana de Dom Bosco, professando os primeiros votos trienais. Cursou a Faculdade de Filosofia em Lavrinhas em 1934 e 1935. Fez o tirocínio, prática da vida salesiana, de1936 a 1938 em Campinas. De 1939 a 1942 cursou Teologia no Instituto Teológico Salesiano Pio XI, na Lapa (SP), findo o qual recebeu a ordenação sarcedotal pelas mãos de Dom José Gaspar, em São Paulo, a 8 dezembro de 1942".

De 1953 a 1967, nosso patrono trabalha em Ponte Nova, no Colégio Dom Helvécio, cidade esta da qual recebeu o título de cidadão honorário, bem como de Raul Soares e São Pedro dos Ferros. Cultor de educação religiosa e da Língua Portuguesa, fino latinista, padre Schimitt era também um inspirado dramaturgo. Para conseguir melhor aproveitamento de seus alunos em todas as atividades intelectuais , durante os 14 anos em que viveu em Ponte Nova escreveu belas peças teatrais que tinham como atores o próprio corpo discente do colégio. Vale aqui ressaltar que foi durante a apresentação dessas peças que o aluno, encarregado de fazer o fundo musical, chamou a atenção do padre Schimitt pela desenvoltura e habilidade com que dedilhava o violão. Nascia ali, sob as bênçãos do acurado ouvido e gosto musical do sacerdote, a primeira centelha luminosa do que viria a ser hoje um dos maiores astros da música popular brasileira: O consagrado cantor e compositor João Bosco.

Padre Schimitt não se limitou em Ponte Nova ás atividades literárias. Foi um dos criadores da UMES(União Municipal dos Estudantes Secundários), com o intuito de politizar os adolescentes e jovens para a verdadeira cidadania. No colégio Dom Helvécio fundou GLAD (Grêmio Literário Artístico e Desportivo), onde promovia concursos esportivos e teatro, grêmio este A que tivemos a honra de pertencer nos idos de 1964 a1967.

Conhecedor profundo de nosso idioma, tendo viajado nos livros sobre toda a sua espinha dorsal até seu nascedouro no império romano, nosso patrono gostava de brincar com a matreirice e as nuances da Flor do Lácio, colecionando anedotas e, com uma delas, caricaturas os cuidados inspirados a todos os seus cultores. Aqui a reproduzimos:

" Renomado catedrático e jornalista viajara para descanso ao pequeno arraial mineiro onde nascera. De manhã, saindo a passear pela única rua local, saudoso de sua meninice, foi observando as mesmas placas de outrora : "Cortume em lugar de Curtume", "Restorante em lugar de Restaurante", "Penção em lugar de Pensão", "Cêcos e Moiados", em lugar de Secos e Molhados. Andava o ilustre jornalista e sentia pena daquela pobre gente de sua terra natal que em nada evoluíra desde muitos anos. Repentinamente a placa de uma alfaiataria nova, que ele não conhecia chamou-lhe a atenção: "Alfaiataria Águia de Ouro". Entrou e deu os parabéns ao proprietário, dizendo-lhe estar feliz por ali ter-se estabelecido um profissional adiantado que escolhera um belo nome para o seu estabelecimento. "Alfaiataria Águia de Ouro!!!" Que nome bonito! Fora escolhido por um poeta sem dúvida! Pendente da placa, a figura de uma agulha e a linha. Seria o símbolo dos alfaiates? Certamente o alfaiate teria entregue o trabalho a grande heraldista. O proprietário heraldista. O proprietário, com a hospitalidade própria dos mineiros apontou-lhe a cadeira ao lado e explicou:

-Sô dotô !o sinhô veio lá da rua, estudô tantos anos, iscreve esse tren bunitu no jornali e não sabe lê a praca aí inrriba a sua cabeça? Qui é qui águia tem a vê cum rôpa, sô dotô? Eu tinha que pô aí é um tren de arfaiate. Isso aí num é águia de ouro num sinhô... é "Aguia de Ôro".

Este era o nosso patrono. Gostava de festa, de alegria de música e esporte. Padre Heriberto tinha veia de poeta. Em todas as festas, casamento, celebrações e retiros, sempre criava um clima de festa e otimismo com suas poesias Com esta característica, marcou o povo de Ponte Nova e de outras localidades onde viveu e trabalhou. Porém, jamais se preocupou, devido á sua simplicidade e desapego ás coisas terrenas, em promover o seu nome de grande poeta, escritor e dramaturgo que era, quer através de jornais, quer através de academias ou da política. Latinista inigualável, padre Heriberto José Schimitt granjeou o respeito de renomadas figuras do próprio Vaticano, uma vez que traduzia corretamente qualquer texto ou obra na língua de Virgílio.

Padre Schimitt exerceu o magistério por mais de cinquenta anos, 14 dos quais no colégio salesiano Dom Helvécio em Ponte Nova, onde lecionou Latim, Religião, principalmente Língua Portuguesa, sua especialidade. Seu nome não consta como autor de livro ou tratados, pois, embora os tivesses escritos ás pilhas , nunca incomodou as editoras. Aqui e acolá, conseguimos encontrar fragmentos de sua grande obra no papel. Sempre foi professor, e ensinar foi sua maior preocupação. Queria celebrar no dia 8 de dezembro de 1992 as suas bodas de ouro sarcedotais.

Desde dezembro de 1991, a cada dia 8 do mês, era questão de honra fazer a comemoração de ação de graças preparatória como dizia. Comemoração a vida. Ainda na manhã do dia 5 de maio de 1992 dia em que faleceu, andava pela cidade de Itajaí (SC), para onde fora transferido após deixar Ponte Nova em 1968, preparando a festa de seu aniversário, que seria no dia 10 daquele mês, um Domingo a realizar-se em Luiz Alves, capela Dom Bosco, por ele construída, perto da casa onde nasceu.

Encerrando o nosso modesto panegírico ao grande mestre padre Heriberto José Schimitt , aqui deixamos um pequeno trecho de um Hino a Ponte Nova, que ele amou, "terra de poetas", como ele próprio a chamava, por ocasião de seu centenário ocorrido em 1996 e que o adaptamos para a época atual. Muito a propósito, já que o nossos acadêmicos foram empossados no dia em que a cidade completava o seu 128 aniversário, padre Schimitt é lembrado pelo trecho deste hino de sua autoria e como patrono da cadeira número 9 da Alepon, que foi também um sonho seu:

 

"Ponte Nova dos 128 anos
Ponte Nova, parabéns!
Teus labores foram insanos
Mas um cetro hoje reténs
É o cetro de princesa
de princesa singular
És da mata esta princesa
No piranga a se espalhar"

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(Texto de José Camilo Filho)