KLEBER ROCHA

Kleber Rocha é fluminense de Miracena e veio para Minas (Rio Pomba) no início da sua adolescência.

Licenciado em Letras, lecionou durante mais de três décadas.

Casado com Wanda Maria Barbosa Rocha, o casal teve quatro filhos, em Paraopeba (MG), e mudou-se para Ponte Nova em 1973. Em 1993 afastou-se das salas de aula para assumir a direção do Colégio Municipal de Ponte Nova, depois de receber várias homenagens pelos serviços prestados, dentre elas a "Medalha do Mérito Legislativo".

Cronista, Kleber Rocha sempre colaborou em diversos jornais de várias cidades mineiras, além de publicar trabalhos em antologias e revistas.

Tem três livros de crônicas publicados: "Só Deus Sabe"(1967),"Folhas ao Vento"(1972) e "Entre Ladeiras e Palmeiras" (1991). Este último presta homenagem a Ponte Nova e foi premiado pelo Clube de Literatura Brasileira, de Anápolis (GO).

O professor Kleber é membro efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, pertencente ainda á União Brasileira de Escritores (UBE-SP). Membro emérito da Academia de Ciências e Letras de Conselheiros Lafaiete, fundou em1994 a Academia de Letras de Ponte Nova (Alepon), tendo sido o seu primeiro presidente. Ocupa a cadeira número 01, de Crônica e Jornalismo, tendo Érico Veríssimo como seu patrono.

Kleber Rocha é verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e Gaiante de Souza, e membro nato da Academia Rio – Pombense de Ciências, Letras e Artes.

A seguir, um resumo do elogio de Kleber Rocha a Érico Veríssimo:

ÉRICO VERÍSSIMO

"Adolescente, eu andava sempre com um livro de Érico Veríssimo nas mãos. Percebi, anos depois, que já havia lido quase toda sua obra. Veríssimo era gaúcho de Cruz Alta, nascido em 17/12/1905. Se os avós paternos e maternos dispunham de recursos financeiros, os pais de Érico, Sebastião Veríssimo da Fonseca e Abegaí Lopes Veríssimo pertenciam á chamada classe média, piorando depois, com a separação do casal. O escritor conseguiu estudar três anos, num colégio interno de Porto Alegre, graças ao dinheiro que sua mãe ganhou em costura. Com a mãe, Érico e Ênio o único irmão, foram morar em casa do avô materno. Talvez por questão financeiras ou separação dos pais. Érico Veríssimo não concluiu o curso ginasial, passando a ser balconista em Cruz Alta. Depois, foi trabalhar num Banco, mas sua aversão aos números atrapalhou esta carreira. Entrou, então, no comércio farmacêutico, adquirindo a Farmácia Central. Em 1928, a Revista O Globo, de Porto Alegre, graças a Manoelito Ornellas, publicou "Ladrão de Gado", o primeiro conto de Érico Veríssimo, então com 23 anos. Ele só estreou em livro em 1932, com contos "Fantoches", já como secretário da revista, após a falência da sua farmácia. Aí Veríssimo já fazia tradução do francês e do inglês. Como Machado de Assis, Érico Veríssimo, não tão pobre, mas tão sem escola, não tão limitado ao Brasil, foi um autodidata, oferecendo-nos também uma rica obra literária. Percorreu o mundo, a convite de governos estrangeiros, tendo residido com a família em Washington, por algum tempo, na década de 50, exercendo o cargo de diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan –Americana (Organização dos Estados Americanos OEA). A partir de 1938, com o sucesso de vendas de "Olhai Os Lírios do Campo", Érico Veríssimo começou a viver do produto dos seus livros. A obra foi traduzida para o inglês e o espanhol. Em 1940 o romance "Saga" mostra o brasileiro Vasco Bruno narrando sua participação na Brigada Internacional, numa guerra de ficção e realidade. Eu, que nunca apreciei livros e filmes bélicos, li emocionado todas as páginas de "Saga".

Voltemos, porém, a 1931: Érico casa-se com Mafalda Halfen Volpe, moça que morava do outro lado da rua, em frente da sua farmácia. Tiveram dois filhos: Clarissa ( nome do seu segundo livro ) e Luís Fernando Veríssimo, hoje aplaudido escritor, com obras bem humoradas e populares cheias de observação críticas da vida.

Érico Veríssimo nos deixou vasta obra literária. Citamos, em ordem cronológica, as obras principais:

1932 –"Fantoches" (contos) 1933 - "Clarissa "(novela)
1935 - "Música ao Longe" (novela- Prêmio Machado de Assis)
1935- "Caminhos Cruzados"(romance- Prêmio da Fundação Graça Aranha) e "A Vida de Joana d'Are (biografia)
1936- "Um lugar ao Sol"
1937- "As Aventuras de Tibicuera" (infanto- juvenil)
1938- " Olhai os Lírios do Campo" (romance)
1940- "Saga" (romance)
1941- "Gato Preto em Campo de Neve"( impressões de viagem)
1944- "Brazilian Literature: Na Outline"( ensaio, escrito em inglês, valendo ao autor o título de doutor "honoriscausa" em Literatura, conferido pelo Mills College, da California .
1947 - Início de "O Tempo e o Vento"(saga do Rio Grande do Sul),de 1945, obra há muito sonhada, que termina em 1962. 1954 - "Noite" ( romance- novela, o livro que mais se aproximou da intimidade do autor).
1957 - "México" (impressões de viagem)
1959 - "O Ataque" (livro de contos, novelas e outros, inaugurando a coleção Catavento da Editora Globo.
1965- " O Senhor Embaixador" (romance)
1966-" O Escritor Diante do Espelho"
1971 –" Incidente em Antenas ''
1973- " Solo de Clarineta"(memórias).

Após 30 anos de carreira, Érico Veríssimo tornou-se o escritor mais lido em Angola e Moçambique. Desde "Caminhos Cruzados", ele revelou o seu talento para construir uma narrativa bem feita. Ficou conhecido na Europa, na África, em toda a América Latina e, principalmente nos países de língua inglesa. Sua obra mais popular "Olhai os Lírios do Campo"- foi transformada em filme na Argentina.

O Tempo e o Vento, obra- prima, permite- nos análise de problemas sociais, não apenas dos sulistas, mas dos brasileiros em geral. A obra é uma trilogia: "O Continente", "O Retrato" e "O Arquipélago". "Ana Terra", que integra "O Continente" é filme brasileiro de sucesso, assim como "Um Certo Capitão Rodrigo" virou seriado de TV , na Rede Globo.

Afrânio Coutinho, referindo-se a "O Tempo e o Vento", declara que foge " a obra ao tipo do romance puramente de reconstituição, histórica, para ser uma obra em que o material histórico constitui a matéria- prima, sobre a qual o artista exerce o seu trabalho de recriação imaginativa". E acrescenta " qualidade de sobriedade, de seguro artesanato, de singeleza de estilo, de universalidade e brasilidade ao mesmo tempo, universalidade brasileira universal".

"Incidente em Antares" foi publicado no auge da ditadura militar no Brasil. " Nunca tivemos um Érico Veríssimo assim político", declara Benjamim Abdala Júnior, em seu "Romance Social Brasileiro". Apesar da jovialidade do texto, da crítica política – social e do bom humor que o sutor impôs á narrativa, a obra, transformada em seriado da TV Globo, não fez sucesso. Gostei muito de " O Senhor Embaixador", para mim, é um dos melhores livros do autor, Imagens. Metáforas . Recursos capazes de atrair a atenção do leitor. O embaixador é amigo do ditador que governa a fictícia República das Caraíbas. Romântico e patético, o embaixador equilibra-se entre a sobriedade do seu cargo e a violência do seu passado e dos amores que o cercam, sexo, humorismo, caso e contra- casos acontecem nos meios burocrático- diplomáticos de Washington. Narrativa fluente, bem dosada, num plano internacional .

A obra de Érico Veríssimo conquistou também os meios universitários, repercutindo em outros países, sendo por isso mesmo numerosas as traduções para diversos idiomas. Comparando o romance modernista ao do século XIX, conclui-se que sua obra introduziu as mais avançadas técnicas da arte narrativa, revelando mesmo certa influência cinematográfica.

É Wilson Martins quem afirma que Érico Veríssimo foi "o romancista da cidade média e do homem médio do Brasil". Mas ainda vemos "O Escritor Diante do Espelho" perguntando á sua imagem:

- Afinal de contas , quem é você? Quem sou eu?
– Palavra de honra, não sei e acho que tenho medo de saber..."

 

Para saber mais sobre Érico Veríssio, dê um duplo Clik nos endereços abaixo:

http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/2776/erico.html
http://www.geocities.com/TheTropics/Resort/9852/index2.html#Érico

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