LUDOVINA PIRES

Ludovina Conceição Aparecida Rodrigues Pires ocupa a cadeira número 14, seção de Crônica e Jornalismo, na Academia de Letras de Ponte Nova . Formada em Letras (Ponte Nova) e Pedagogia ( São João Del Rei), fez pós – graduação em Educação na Puc –MG . Leciona Literatura e Estudo de Textos, na Faculdade de Ciências Humanas. Tem cargo efetivo na 33 SER e aposentou –se como diretora da EE Dr. José Mariano. Casada com Antônio "Jared" Paulo Pires, tem o casal sete filhos. Suas primeiras incursões na Literatura, no tempo de início do Magistério, perderam-se quase todas- com o vento da vida: peças teatrais, discursos, jograis, adptações, composições em prosas e em versos . Em jornais da cidade, publicou uma série de crônicas sobre os "Tipos de Ponte Nova". Na Alepon , Ludovina escolheu Cecília Meireles como patrona.

 
Cecília Meireles

Cecília Meireles nasceu em 1901;

"Eu canto porque meu canto existe

E a minha vida está completa

Não sou alegre nem triste

Sou poeta ".

Aos 3 anos perde os pais e é criada pela avó, dona Jacinta, e pela babá Pedrina.

A primeira contava-lhe fatos e lendas de seus antepassados açorianos, enquanto a outra representava, cantava e dançava para a menina lendas do saci-pererê, da mula-sem-cabeça e outras. De sua infância a autora disse o seguinte: "Quando eu ainda não sabia ler, brincava com livros e imaginava-os cheios de vozes, contando o mundo"

Cecília Meireles, escreveu seus primeiros poemas "Espectros" sob o signo do parnasianismo -1919- que estava longe de dar idéia da importância de sua obra e que seriam banidos posteriormente da obra da autora. Publica em 1923 "Nunca Mais" e "Poema dos Poemas", influenciada pelo orientalismo hindu de Rabindranath Tagore - o motivo do amor transcendental se eleva como espiral de súplica e oferenda. Mais tarde, em 1925, escreve "Baladas de El Rei".

A obra ceciliana traça um caminho ascendente com uma decantação, constante de temas e recursos técnicos e estilísticos. Em 1938, recebe prêmio da ABL, pelo seu livro "Viagem", o primeiro grande momento de sua produção poética. Nessa obra a autora cria a modalidade especial de "canção", peça que cultivará por toda a vida.

Sua poesia é canção e seu verso é canto. Há, a meu ver, um retorno às cantigas de tradição ibérica que eram compostas para serem cantadas ao som de instrumentos musicais.

Apesar de pertencer ao grupo neo-simbolista da revista "Festa" e aceitar alguns ensinamentos do Modernismo, Cecília Meireles não ficou presa a normas, credos e postulados da época. Criou com equilíbrio e prudência uma poesia de estilo marcadamente pessoal, acima de qualquer rótulo da época. Sua obra tem raízes no simbolismo, sem deixar de ser moderna. Emprega técnicas herdadas do classicismo, gongorismo, romantismo, parnasianismo e surrealismo.

A atitude crítica da autora forma um conjunto harmônico. A palavra deve estar a serviço do poema, não o poema a serviço da palavra. Em "Modinha", fala das palavras antigas que ficaram junto com suas cantigas desenhadas na areia.

- A vida é efêmera, mas transfigurada pela poesia, vale a pena: "A vida só é possível reinventada". Em "Canção Excêntrica", a autora sente-se angustiada procurando o espaço para o desenho da vida.

Há também o momento "Pausa" em "Viagem".

"Agora é como depois de um enterro.

Deixa-me neste leito, do tamanho do meu corpo,

Junto à parede lisa, onde brota um sono vazio".

Em "Retrato", a poeta reconhece a transformação da aparência, buscando a verdade, a essência no espelho: "Em que espelho ficou perdida a minha face?"

A obra ceciliana é, ao mesmo tempo, universal e atemporal, porque pertence ao seleto grupo de autores que se sobrepõem ao seu tempo e a todos os tempos, e sua obra se eterniza. Emprega o português clássico e usa com o mesmo desembaraço metros e rimas variados.

Sobre a obra reflete, em outros momentos, uma atmosfera de sonho, fantasia e padecimento ao mesmo tempo: "Mas creio que todos padecem, se são poetas; porque afinal se sente que o grito é o grito, e a poesia é o grito ( com toda a sua força), mas transfigurado" Em "Destino" ela fala de sua trajetória de "poeta" que usa a imaginação e é por esse ângulo que vê o mundo.

Cecília Meireles foi polígrafa. Deixou-nos também crônicas, teatro, obras didáticas, ficção e traduções do inglês e do espanhol. Sua poesia é um ato vital, a sua razão de ser, a sua religião. Em 1940, Cecília casa-se pela Segunda vez, com o professor Heitor Grijó. As viagens freqüentes por 12 países influenciam sua visão do mundo.

De 1939 a 1944 publica, além de "Viagem", "Vaga Música" ,"Mar Absoluto e Outros Poemas", e "Retrato Natural". Associa elementos pré-modernistas com manifestações neo-simbolistas. E na sua temática encontra em "Retrato Natural" sua feição definitiva: A observação do mundo, reflexão acerca da vida humana.

Em 1951, publica "Amor em Leonoreta", e em 1952, "Doze Noturnos da Holanda" e o "Aeronauto". Em "Doze Noturnos da Holanda", Cecília retorna o verso livre para expressar a densa atmosfera alucinatória, de arroubo, ímpeto que só se resolveria compensados os limites da tradição poética. Os poemas se chamam: "Um", "Dois", "Três",... "Onze", "Doze". Outro momento de rompimento com as regras da poesia tradicional foi com "Poemas Escritos na Índia".

Em 1953 publica "Romanceiro da Inconfidência", extenso cantar épico-lírico onde ela retorna uma forma poética de tradição ibérica denominada romance, uma composição de caráter popular escrita em redondilha maior (verso de 7 sílabas) e redondilha menor ( verso de 5 sílabas). Recria fatos, personagens, ambientação da Inconfidência Mineira.

Cecília explica: " O Romanceiro da Inconfidência foi compondo e não foi sendo composto. Um tema impõe sozinho seu ritmo, sua sonoridade, seu desenvolvimento, sua medida. Cada poema procurou a forma condizente com sua mensagem". A autora fala de vozes e fantasmas que quase a obrigaram a escrever a obra. E também diz que vigia a narrativa que parece se desenvolver independente. Ainda em 1953 Cecília recebeu o título de "Doutor Honoris Causa" pela Universidade de nova Delhi , na Índia.

Sua obra poética mostra uma alma feminina sensível com sua linguagem musical e colorida. De outra forma não poderia ser, pois freqüentou o Conservatório Nacional de Música. Cecília nos remete às canções que estão nas raízes da Língua Portuguesa, mas de forma moderna, atual. Escreveu também obras didáticas para a criança, como "Criança Meu Amor", que virou cartilha da época unindo pedagogia e criatividade - e organizou nossa primeira biblioteca infantil.

Foi professora primária e diretora de escola. Lecionou Literatura Luso-Brasileira e Crítica Literária no Rio de Janeiro e deu aulas de Cultura e Literatura Brasileira na Universidade do Texas ( EUA). Fez conferências, escreveu sobre educação em jornais. No gênero crônicas, posicionou-se com relevo e desenvoltura. Exalta o mundo pelo conto e o descreve pela narrativa com lirismo e ternura.

Cecília defendeu a influência da arte na educação, criticando a política do governo e ironizando a incapacidade de ministros relutantes. Sobre a obra didática "Problemas da Literatura Infantil" abrange três conferências proferidas em Belo Horizonte, em curso promovido pela Secretaria de Educação local.

Em 1964, no início da ditadura, Cecília publica "Ou Isto Ou Aquilo", coletânea de poemas onde as palavras da poeta parecem mágicas, cheias de músicas, com talento e sensibilidade. Cecília gostava também de criar poesias para crianças, que ressoam em nossa memória, ainda hoje, como melodia. Quem não se lembra da "Canção dos Tamanquinhos"?"

"Troc, troc, troc, troc ligeirinhos ligeirinhos.

Troc, troc, troc, troc vão cantando os tamanquinhos..."

 

Para saber mais sobre Cecília Meireles, dê um duplo "click" nos endereços abaixo:

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http://www.zeek.com.br/templates/url.cfm?url=www.geocities.com/Athens/Ithaca/7868/
http://www.geocities.com/Paris/Rue/1020/index.html

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