MARIA CATARINA DOS REIS FOIS
Maria do Carmo Reis Fois é sãogeraldense por adoção. Nascida e criada em casa de estação ferroviária, é filha do último agente-chefe a morar na casa onde hoje funciona o Centro Cultural e Museu Ferroviário de São Geraldo. Filha de Caetano Ferreira dos Reis e Maria de Freitas Reis, ela e seus sete irmãos viveram a ferrovia. Fez primeiros estudos em São Geraldo e em Visconde do Rio Branco, onde formou-se em magistério. Foi uma das professoras fundadoras da E. E. Prof. Ormindo de Souza Lima, lecionando também no Ginásio Santo Antônio. O esposo, Carlos Ferreira Fois, ferroviário, trouxe Catarina e a filha Carla Maria Reis (hoje estudante de Fisioterapia na UFJF), para Ponte Nova. Aposentou-se como funcionária da 33ª. Superintendência Regional de Ensino, dedicando-se ao artesanato, às artes plásticas e à sua veia poética. Seu poema " A Louca" venceu o 1º. "Poetizando a Vida"- concurso realizado pelo Centro Cultural São Geraldo e em maio/95, seu trabalho "De minha janela" obteve menção honrosa. Tem trabalhos publicados nos jornais 'Olho Nele" ( da SER/UBÁ)," Folha de Ponte Nova ", "Jornal do Aposentado"( da Associação dos Aposentados da RFFSA/RJ), e "A Imprensa" de Visconde do Rio Branco. Como artesã, expôs seus trabalhos de tricô entre 23/3 a 19/04/96, na "Vitrine Ouro" do Banco do Brasil/ Ponte Nova.
Abaixo, um condensado de seu elogio ao patrono da Academia de Letras de Ponte Nova, José de Alencar:
José de Alencar
"A arte é transfiguração da realidade, e da literatura, como uma das formas da arte, no dá a possibilidade de trabalhar com a magia das palavras. Os românticos do século XIX, trabalharam-na de forma liricamente idealizada como era conveniente ao estilo, como José de Alencar, o maior romancista dessa época.
Encantei-me nos meus 16,17 anos, estudava literatura no ginasial e magistério. A idade sonhadora fazia-me ver um José de Alencar deliciosamente romântico, quando descrevia o amor maravilhoso entre Cecília e Peri, no seu grande clássico "O Guarani".
Em Peri, o sentimento era um culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília, não para sentir prazer ou Ter qualquer satisfação, mas para dedicar-se inteiramente à ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade (O Guarani - cap. IX).
Que maravilha ! E eu, em devaneios, li outras obras e, num estudo mais profundo, passei a ver um novo José de Alencar, José Martiniano de Alencar, nascido em 01/05/1829, em Mecejana (CE), me passou idéias mais fortes e nacionalistas. Sua obra diversifica nos mostra as várias faces de seus romances, mas tendo como tema a sociedade carioca de sua época, as intrigas amorosas, a desigualdade econômica, sempre se fechando com um final feliz, como em "Cinco Minutos", "A Viuvinha", "Lucíoloa", "Diva", "Senhora"...
Contou fatos históricos como "As Minas de Prata", mostrou-nos o regionalismo em "O Sertanejo"e "O Gaúcho"; descreveu fazendas em "O Tronco do Ipê" e demonstrou-nos seu apreço pelo indígena em seus romances "Oguarani", "Iracema" e "Ubirajara".
Embora romancista, sua obra :"Iracema" é considerado uma prosa poética devido à beleza do texto em si, do seu lirismo forte que contava uma lenda do período de formação do estado do Ceará:
"Entre verdes mares bravios de minha terra natal,
Onde canta a jandaia nas fontes da carnaúba ! "
"Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda,
Aos raios do sol nascente,
Perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros"
"Serenai, verdes mares e alisai
docemente a vaga impetuosa,
para que o barco aventureiro,
manso resvale à flor das águas ! "
( Iracema, Cap. I )
Custa-me acreditar que José de Alencar fosse político conservador, grande proprietário rural, monarquista, nacionalista exagerado, escravocrata como sempre nos foi descrito. Em todos os seus romances, sempre exaltou o amor. Foi o primeiro romancista preocupado em buscar uma identidade para o Brasil, registrando costumes de ética e da moral, como em "Lucíola" e "Senhora". Talvez, por isso, vença as barreiras do tempo e chega até nossos dias, às portas do ano 2000, mais atual do que nunca.
Ainda buscamos a nossa identidade nacional e lutamos pela afirmação patriótica. O índio, tão exaltado na obra de Alencar, é hoje massacrado, marginalizado; as questões sociais se atropelam em nosso dia a dia.
Não teria ele querido nos mostrar um caminho para a integração indígena? Se tivéssemos lido sua obra com outros olhos, não teríamos nós, da minha geração e gerações anteriores, soluções mais práticas para esses problemas, e não apenas nos encantado com suas narrações? Sua obra continuará ainda por muito tempo, atual, atualíssima. Esquecidas em nossas estantes porque nossos jovens "não estão a fim" desse tipo de leitura, manuseado pelo saudosista, para reler a obra que preencheu a suas tardes de mocidade. Trazido às telas como na produção de Norma Benguel, talvez numa tentativa de resgatar novamente a profundidade e a beleza do amor, os impactos da aventura, o amargo de uma traição, a pujança da coragem, "O Guarani" reaparece e com ele o seu autor. A busca de uma identidade nacional verdadeira, do idealismo e do sonhar é tema sempre atual. Nunca passará.
Maria Catarina dos Reis Fois
Para saber mais sobre José de Alencar, dê um duplo "click" no endereço abaixo:
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