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Por que os massacres nos EUA estão cada vez mais mortíferos?

Por que os massacres nos EUA estão cada vez mais mortíferos?

Pesquisadores também analisaram as leis. Uma proibição à venda de armas de rifles semiautomáticos e cartuchos de alta capacidade foi instaurada em 1994 e derrubada em 2004. Especialistas dizem que, com o fim desse veto, foi dado início a uma nova era de massacres.

Com essas armas, os atiradores puderam disparar mais rapidamente e por mais tempo, matando mais pessoas nos atentados.

Os Estados americanos têm leis próprias. Depois do ataque à Sandy Hook, Connecticut aprovou uma lei que baniu os fuzis semiautomáticos. Outros afrouxaram suas legislações, no entanto. Na Georgia, por exemplo, foi aprovada uma lei que permite às pessoas portar armas em salas de aulas, boates e outros locais.

Especialistas do Centro Legal Giffords de Prevenção de Violência com Arma publicaram que Estados com controles mais rígidos nessa área tendem a ter menos violência armada.

Atiradores escolhem seus alvos com mais cuidado

Os atentados são realizados atualmente em locais onde há um grande número de pessoas, como o festival de música em Las Vegas, que tinha um público de 22 mil pessoas. "Com essa multidão, o atirador não precisa nem mirar", diz Jay Corzine, da Universidade da Flórida Central.

A maioria dos autores de ataques a tiros os planeja com muito cuidado, segundo o Homicide Studies, periódico científico dedicado a estudos sobre homicídios. "Eles estão fazendo o dever de casa", explica Corzine. Essa preparação, afirma o especialista, significa que os atiradores conseguem fazer mais vítimas.

O autor do ataque em um cinema de Aurora, no Colorado, em 2012, havia imaginado, por exemplo, que aquele local "permitiria um maior número de mortos", diz Adam Lankford, da Universidade do Alabama.

Os atiradores se inspiram na mídia

A cobertura de massacres, assim como os próprios ataques, se intensificou nos últimos anos. Atiradores publicam em redes sociais antes de agir e, às vezes, enquanto estão agindo.

Organizações de mídia criam páginas com atualizações em tempo real. Além disso, os jornalistas concentram seus esforços em dizer quem eram os atiradores, o que contribuiria para glorificar esses indivíduos.

Homenagem às vítimas de ataque á escola Sandy HookDireito de imagemGETTYImage captionEm 2012, 27 poessoas morreram no massacre da escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut

Ainda assim, dizem especialistas, as reportagens não levaram a um aumento no número de mortos em ataques. "Acompanho há 25 anos os relatos da mídia sobre ataques a tiros, e o aumento do número de vítimas é bem recente", afirma Corzine.

Mas a cobertura da imprensa pode servir de inspiração para novos atentados. "Massacres são contagiosos", diz Gary Slutkin, fundador da ONG Cure Violence, que se dedica a combater a violência. "As pessoas veem o que os outros fazem e imitam."

Os atiradores competem entre si

Dylan Klebold, um dos atiradores do ataque à escola Columbine, em Littleton, no Colorado, em 1999, descreveu seu objetivo: "O maior número de mortes da história dos Estados Unidos".

"É uma disputa por notoriedade", explica Lankford. "Por fazer mais e melhor do que os atiradores que vieram antes."

Ficar famoso desta forma pode parecer um jeito doentio de buscar a glória. Mas isso tem apelo para alguns. "Todos queremos ser conhecidos após morrermos", diz Slutkin ao descrever como os atiradores contemplam a fama sem refletir direito sobre seu próprio destino ao atingir esse objetivo.

"Eles não pensam em tudo direito. Isso mostra o quão poderoso esse desejo pode ser."

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