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21 CIA PM IND – Ex-Pracinha combatente na 2ª Guerra Mundial é recebe homenagem da PM no “Dia da Vitória”

Na  manhã, 08 de Maio, O Comandante da 21 Cia PM Ind, Major Luiz Faustino Marinho Júnior prestou homenagem aos Ex-Pracinha, combatente na 2ª Guerra Mundial contra o totalitarismo e pela liberdade dos povos.

Esta data é comemorada por nós, brasileiros, o dia da vitória. Serve para não esquecermos que um dia cerca de 25.000 jovens deixaram nossa seus lares, dentre eles, vários pontenovenses, para enfrentar em solo italiano, toda sorte de dificuldades, como o adestramento diminuto, armamentos precários, a falta de experiência em oposição a um inimigo calejado de batalhas, um terreno adverso e severas condições climáticas.

Esses homens lutaram contra a intolerância, contra a opressão, contra o totalitarismo escravista e a discriminação racial.

Devemos a esses homens, a vitória da liberdade, da democracia e da paz, conquistada e embebida em sangue de bravos brasileiros, que defenderam nossa honra e soberania com sua coragem, seus valores e seu patriotismo.

O Ex-Pracinha, Sargento Joaquim Saraiva da Silva, recebeu das mãos do Major Luiz Marinho uma placa em aço escovado, eternizando a lembrança do  “Dia da Vitória”. Amigos e familiares do Ex-Pracinha prestigiaram a solenidade emocionados.  

O Sargento Joaquim Saraiva da Silva, após sessenta e nove anos que marcaram o fim da 2ª Guerra Mundial, relembrou os momentos de tensão vividos naquela época com depoimento emocionante.

Presente também ao evento,o cidadão João Gomes, sobrinho do Geraldo Elias, herói pontenovense morto em combate no ano de 1944.

Foto: João Gomes, Comandante PM MJ Major Luiz Faustino Marinho Júnior e o Ex-Combatente Sargento Joaquim Saraiva

 

 

Abaixo, íntegra do discurso proferido pelo Acadêmico da Alepon- Academia de Letras, Ciência e Artes de Ponte Nova, José Camilo Filho.

Em 1918 cessaram os combates da 1ª Grande Guerra e a Alemanha tombava vencida. Julgava-se ser, aquela guerra, a última da história da civilização, em virtude das lições dali extraídas pela humanidade. Contudo, o Tratado de Versalhes, em 1919, impusera àquele país todas as responsabilidades do pavoroso conflito que durara 4 longos anos e, como a principal dessas responsabilidades, a Alemanha deveria reparar em dinheiro os danos causados a certos países da famosa Tríplice Etente. Durante toda a década 1920 o povo alemão protestara contra aquelas penalidades impostas pelo Tratado de Versalhes, protestos estes que foram se acirrando por todo aquele decênio.

Iniciando-se a década de 30 do Século XX, vários partidos políticos iam surgindo no país, todos eles no alvoroço causado pela crueldade do Tratado de Versalhes. Lentamente, despontava nas ruas a histeria e a exaltação nacionalista. Na liderança de um desses partidos, um jovem austríaco desempregado, um artista pintor sem expressão que vendia, de forma ambulante, aquarelas de sua autoria, ia ganhando fama crescente graças às suas habilidades de uma oratória com recursos cênicos capazes de levar multidões ao delírio. Seu nome: Adolf Hitler. De tal forma Hitler explorara as mágoas do povo alemão que, ainda em 1938, morto o presidente Hindemburg, ele já chegara ao posto de chanceler com poderes ilimitados; extinguira todos os outros partidos políticos; impusera violenta censura à imprensa; implantara no país uma perseguição sistemática aos seus adversários políticos, mormente aqueles de ascendência judaica, levando-os, em primeiras investidas, às deportações e posteriormente à morte em campos de concentração e extermínio. Hitler reaparelhara o exército germânico com armas potentes e modernas atuando eficazmente ao lado da Luftwaff, sua nova e devastadora força aérea;  criara um terrível e eficiente serviço de inteligência – a Gestapo – e uma temível tropa de elite: a sanguinária SS. E naquele período da história em que o mundo clamava por governos fortes, Hitler teve seus seguidores externos tais como Benito Mussolini, o líder do fascismo, na Itália; Franco, na Espanha e Salazar em Portugal. O totalitarismo alemão já chegava à América do Sul com Peron na Argentina. E no Brasil, o Estado Novo de Getúlio Vargas, implantado a 10 de novembro de 1937 por um golpe de Estado, também fazia parte dos governos de ideologia nazi-fascista.

Naqueles anos, um único partido político dirigia a Alemanha, o partido NAZI, ou partido Nazista. Hitler, na liderança suprema desse partido, ia disseminando a ideia de que o pangermanismo necessitava um espaço físico a que ele próprio chamava Espaço Vital. Ainda naquele ano de 1938 iniciaram-se as invasões dos territórios de países vizinhos à Alemanha nazista; anexação da Áustria e Tchecoslováquia; em 1940 as invasões da Noruega, Dinamarca, Bélgica, Luxemburgo, Holanda e França; em 1941 a invasão da União Soviética. Nessas in-

cursões bélicas, a Alemanha nazista ganhara o respaldo e a adesão de mais dois países: Itália e Japão. Formara-se, então, o Eixo Roma-Berlim-Tóquio.

No afã de evitar um novo conflito mundial por conta das agressões nazistas que se avolumavam a cada dia, o então 1º ministro inglês Neville Chamberlain estabeleceu uma política de negociação com Hitler entre os anos de 1937 e 1940. Mas essas negociações só renderiam ao pobre Chamberlain um lugar de diplomata fraco e pusilânime na história da humanidade, pois ele nada mais foi que um fantoche nas mãos do líder nazista que jamais cumpriu sequer uma vírgula de seus acordos. Em 1940 Chamberlain deixava o seu posto e o almirante Sir Wiston Leonard Spencer Churchill era alçado ao cargo de 1º ministro da Grã-Bretanha. Como uma de suas primeiras providências tomadas, Churchill lançou uma manifesto a todos os outros países ainda livres do nazi-fascismo exortando-os a deter Hitler. Foram palavras perdidas na vastidão do ceticismo desses países. E no dia 7 de dezembro de 1941, o inexplicável ataque aéreo do japão à base naval norte-americana de Pearl Harbor, no oceano Pacífico, era o irreversível início da II Guerra Mundial.

No Brasil, o Estado Novo de Vargas, embora sendo um governo pró-nazista, declarou de imediato a nossa neutralidade no conflito. Mas, por volta do ano de 1941, a guerra gerada pela Alemanha nazista já se espalhara por todas as rotas. O mundo compreendeu que a paz entre os anos de 1918 e 1939 nunca passara de uma pequena trégua. 1939 era a guerra outra vez. O Brasil, este país continente com um rico território debruçado sobre a costa leste da América Meridional, dificilmente estaria a salvo dos avanços daquela guerra que já tinha proporções mundiais. Como primeira medida visando a proteção militar do território, no dia 20 de janeiro de 1941 Getúlio Vargas assinou decreto colocando a  aviação do exército e a aviação naval sob um único comando. Era a criação da FAB-Força Aérea Brasileira. Naquela oportunidade, a Alemanha Nazista e os Estados Unidos disputavam a hegemonia comercial com o Brasil, visando matérias primas indispensáveis ao esforço de guerra como borracha, cristal de quartzo, minério de ferro, areia monazítica e outros. Vargas explorava esta situação de neutralidade aparente sem pender para qualquer um dos lados. Mas, na famosa reunião dos chanceleres americanos realizada na cidade do Rio de Janeiro, em Janeiro de 1942, o governo brasileiro assinou sua adesão aos termos da Carta do Atlântico, movimento este que ficou conhecido como pan-americanismo e, segundo essa Carta, qualquer ataque a um país americano, seria considerado um ataque a todo o continente americano. A represália nazi-fascista não se fez esperar: durante todo o ano de 1942, 35 embarcações da nossa frota mercante foram covardemente torpedeados em nossas próprias águas territoriais por submarinos do Eixo,  sendo 33 postos a pique com o custo de 1000 vidas brasileiras.  

Não obtendo da Alemanha e da Itália quaisquer respostas àquelas agressões, o povo brasileiro, indignado, foi para as ruas exigindo do governo o direito de ir à guerra. A situação não admitia contemporizações. Em 28 de janeiro de 1942 o Brasil rompe relações diplomáticas com o Eixo e no dia 22 de agosto de 1942 declara Guerra aos países nazi-fascistas. Em 1943 Getúlio avista-se  com o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt em uma conferência  na capital do Estado do Rio Grande do Norte, a famosa Conferência de Natal. Ali, acordam os dois chefes de estado que os Estados Unidos nos forneceriam toda a estrutura de criação de nossa siderurgia; em contrapartida, o Brasil iria repassar à potência do Norte as matérias primas para o esforço de guerra e autorizaria a instalação de uma base aeronaval norte-americana na capital Potiguar. Sendo, a cidade de Natal, o ponto do continente americano mais próximo da África, era de extrema importância estratégica para levar-se a guerra ao sul daquele continente e ali vencer as forças nazistas comandadas pelo general Erwin Rommel. Contudo, nas ruas o povo gritava por uma participação efetiva do Brasil na guerra. A 29 de janeiro de 1943 Vargas, ainda em Natal, efetivava com Roosevelt a participação do Brasil na guerra; em 15 de março de 1943 assinava ele um decreto criando uma força expedicionária dentro do exército brasileiro, destinada a combater no além-mar. O Brasil era, então, um país essencialmente agrícola e seu território uma gigantesca lavoura de café em decadência; nosso exército, uma força heterogênea de doutrina francesa desde 1918, quando aqui esteve a missão militar gaulesa instruindo as nossas fileiras e disparara seu último tiro, 75 anos antes, nos campos do Paraguai; nosso armamento, uma miscelânea germano-gálica anacrônica e oriunda do 1º conflito mundial; nossas polícias militares estaduais, como forças auxiliares do exército, eram destituídas da operacionalidade atual, com seus efetivos se deslocando a  pé por léguas e léguas nos longínquos destacamentos dos sertões bravios, e estariam longe de representar qualquer amparo à população, caso as areias das nossas praias viessem a ser pisadas pelo tacão da bota nazista. Este era o Brasil que em julho de 1944 foi à guerra contra o nazi-fascismo.  

A 6 de junho de 1944 uma contingente aeronaval composto por efetivos franceses, ingleses, canadenses e norte-americanos, irrompeu nas praias da Normadia, no noroeste da França, com o objetivo de iniciar a libertação da Europa do jugo nazi-fascista. Operação bélica inigualável até os dias atuais, pelo seu alto custo em vidas humanas, a invasão da Normandia, entretanto, marcou o início da vitória definitiva da facção aliada composta pelos Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra e França, na Segunda Guerra Mundial. Na Itália, o V e o VIII exércitos norte-americanos já haviam conseguido libertar o sul da península, mas urgia que fossem concentradas mais tropas no território francês, ainda violentamente ocupado pelas forças nazistas. Remanejado o VIII exército da Itália para a França, o comando aliado convocou forças de vários países ainda livres para subs-tituí-lo. Entre elas, a FEB (FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA). E, a partir do dia 02 de julho de 1944 até o mês de setembro daquele mesmo ano, os navios norte-americanos General Meigs e General Mann transportaram 25.334 homens, divididos em 5 escalões, do Rio de Janeiro ao porto de Nápoles, na Itália, sob o comando do general João Baptista Mascarenhas de Morais. Sob os ombros daquele brasileiro fardado o peso da grande responsabilidade: repetir os feitos de Caxias três quartos de século depois e voltar vencedor. O 1º regimento, do Rio de Janeiro, o 6º, dos paulistas de Caçapava e o 11º dos mineiros de São João Del Rei, compunham a nossa infantaria. Nesse mesmo período, 32 oficiais aviadores da então recém-criada FORÇA AÉREA BRASILEIRA seguiam para a base aérea de Aguadulce, no Panamá, a fim de receberem instruções de combate. Este grupo de caça da FAB não chegou a completar todas as instruções e exercícios por falta de prazo. O oficial da USAF (UNITED STATES AIR FORCE) escalado para o treinamento dos brasileiros teria dito, em tom jocoso, ao comandante do nosso grupo de caça, coronel Nero Moura: “que os senhores terminem o treinamento atacando o inimigo!”.

Quase todo o Brasil desconheceu há 7 décadas, e ainda hoje desconhece, a epopeia da FEB na Itália. Ao ser formada a FEB, ainda em 1943, a descrença do povo brasileiro em suas próprias potencialidades levou-o a um comentário nas ruas: “ Será mais fácil uma cobra fumar que o Brasil ir à guerra na Europa!”. O soldado brasileiro respondeu prontamente: “A  cobra vai fumar! Irei à Europa e lutarei pela honra da pátria ultrajada!”. Desde então, a estampa de uma cobra soltando baforadas em um cachimbo marcou o fardamento do nosso soldado também chamado carinhosamente de “pracinha”.

Chegando ao destino, a divisão brasileira estacionou na Quinta Real de San Rossore, na cidade de Livorno, ali recebendo seus últimos treinamentos para o início das operações, logo depois de incorporada ao IV corpo do V exército norte-americano; tem o seu precário fardamento trocado pelo uniforme norte-americano, mais apropriado ao combate em baixas temperaturas; abandona as antigas botinas e polainas “pé de poeira” e tem os pés mais bem protegidos pelos fortes “combatboots” ianques e recebe armamento adequado.  Em 15 de setembro de 1944 tem o seu batismo de fogo atacando as forças nazistas da cidade de Massarosa; dos dias 16 a 18/09/1944, a FEB ocupa simultaneamente as localidades de Monte Comunale, Monte Prano e Camaiore. Exatamente nestas primeiras operações, o soldado brasileiro começa a reverter as opiniões do incrédulo comando norte-americano. Sobre aquele caldeirão étnico que chegara à Itália poucos dias antes, diria mais tarde o General Mark Clark, comandante do V exército “aqueles mestiços sul-americanos causaram-nos uma grande surpresa: rápidos no aprendizado e ligeiros nas ações. Mas o que mais admirei nos brasileiros foi uma incrível e nunca vista capacidade de improvisação”. Era o famoso jeitinho brasileiro emprestando sua colaboração também na guerra.

Mas aquelas primeiras vitórias da FEB também foram um prenúncio das agruras no front que viriam logo depois. Esperava-nos um cinturão de fortalezas alemãs que se estendia por 280 km, tendo início na região costeira do Mar Tirreno, no oeste italiano, desde as regiões de Carrara e La Spezia, passando pelos Apeninos e terminando já no litoral do Mar Adriático. A esse cinturão de fortalezas deu-se o nome de Linha Gótica. Monte Castelo, um dos pontos mais bem defendidos da Linha Gótica, por sua localização estratégica, ficava a sudoeste de Bolonha, próximo a Abetáia e coube às tropas da FEB desalojar do alto da elevação a aguerrida 232ª divisão de infantaria nazista, detentora de grande poder de fogo, bem entrincheirada em suas casamatas e tendo, das alturas do monte, uma ampla visão do campo de ação brasileiro. As datas de 24/11/1944, 29/11/1944 e 12/12/1944 são dias que nenhum ex-combatente brasileiro jamais esqueceu. A 20 de novembro de 1944, em missão de patrulha de reconhecimento preparatória ao ataque do dia 24 posterior, morria em ação, na localidade de Gaggio Montano, um nome indelével da FEB: o tenente Amaro Feliscíssimo da Silveira integrante do esquadrão de reconhecimento mecanizado. Nessas três oportunidades, a FEB tentou dominar o sinistro Monte Castelo ao lado de forças norte-americanas. Em todos os três ataques, nossas tropas, embora quase chegassem à crista da elevação, tiveram de recuar arrastando-se na lama e no frio à custa de mais de duzentos mortos e mais de mil feridos. No ataque a Monte Castelo de 12/12/1944, Ponte Nova era enlutada pela morte de dois dos nossos conterrâneos: Geraldo Elias, pertencente ao 11º RI de São João Del Rei, ferido e evacuado para o hospital da FEB em Valdibura, faleceu três dias depois, em 15/12/1944; José de Andrade, pertencente ao 6º RI de Caçapava-SP, ferido no ataque de seu regimento à fortaleza de Torre di Neroni, faleceu no mesmo hospital em 16/12/1944.

Após esses ataques frustrados ao Monte Castelo, o comandante Mascarenhas de Morais determinou um recesso de suas tropas enquanto aguardavam-se melhoras nas condições climáticas. Com a chegada da primavera, em fevereiro de 1945, a FEB voltou ao ataque a Monte Castelo, porém, já agora com o apoio da FAB. Uma esquadrilha de caças comandada pelo capitão aviador Newton Lagares sobrevoou o monte e com munição incendiária e pontaria certeira, conseguiu fazer com que os alemães fugissem de suas trincheiras para não morrerem carbonizados. Era a tarde do dia 21 de fevereiro de 1945. A Bandeira Brasileira tremulava içada a um mastro no alto do Monte Castelo. Entre os dias 14 e 17 de abril seguintes, outra odisseia ainda mais terrível marcaria a atuação da FEB na Itália: Montese. Este era o último bastião nazista na Itália e defendido a qualquer custo pelos alemães, uma vez que do outro lado da montanha era a planície do Vale do Rio Pó, o que, pela ausência da posição elevada, significava para os alemães igualdade de condições nos combates. Montese foi o embate mais sangrento dos nossos pracinhas na II Guerra Mundial e, ali, Ponte Nova também pagou seu preço em sangue: morreu em combate o nosso conterrâneo Valdemar Rodrigues. Ainda em Montese tombaram heróis que deixaram seus nomes como um marco inesquecível na história militar brasileira, quais sejam, o aspirante Francisco Mega e o bravo sargento Max Wolff Filho. No dia 17 de abril de 1945, ainda sob intenso fogo alemão, o bravo tenente Yporan Nunes de Oliveira entrava com seu pelotão em Montese, para ocupar a cidade. Enternecidos, os pracinhas brasileiros foram encontrar entre os escombros da cidade castigada pelas artilharias, os corpos de mais de 200 civis, entre homens, mulheres e crianças, mortos entre os dois fogos e sem encontrar abrigo. Conquistada Montese, a FEB marchou a cavaleiro da planície do Rio Pó em plena perseguição ao inimigo.

No dia 28 de abril de 1945, a FEB foi encontrar o inimigo  em Collecchio, a oeste da cidade de Turim, fugindo em direção ao norte. Era a temida 148ª DI nazista, comandada pelo general Otto Fretter-Pico. O comandante do 6º RI, Gal.Olímpio Falconiere da Cunha, enviou, através de mediadores, um ultimatum ao general Fretter-Pico, exigindo a rendição incondicional das forças alemãs sob o seu comando; informando que as tropas brasileiras estavam prontas para atacar, porém, desejavam o fim de sacrifícios inúteis, que eles estavam cercados e a retirada para o norte seria impossível. E na madrugada do dia 29 de abril de 1945 a FEB fazia 15.000 prisioneiros inimigos afora grande quantidade de materiais e armas. No dia 30 de abril de 1945 o líder nazista Adolf Hitler suicidava-se nos subterrâneos de Berlim.  A 2 de maio de 1945, cessavam na Europa os combates da mais terrível e sangrenta guerra da história da humanidade. No dia 8 de maio de 1945 era assinada na Europa a rendição das forças do eixo.A FEB ainda permaneceu na Itália até julho de 1945 como força aliada de ocupação, quando recebeu ordens para retornar ao Brasil. O primeiro escalão de retorno partiu de Nápoles a 02/07/1945 com destino ao Rio de Janeiro. Na Europa ficava um nazi-fascismo vencido, um dever cumprido, mas em um cemitério militar na cidade toscana de Pistóia ficavam as sepulturas de 354 companheiros mortos em combate, sendo 9 oficiais aviadores da FAB. Nossos mortos voltariam 15 anos após o fim da    guerra quando, em 1960, seus despojos foram repatriados pelos colegas ex-combatentes e depositados na cripta do monumento aos mortos da II Guerra Mundial construída no Aterro do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro. Descansam hoje naquele altar da pátria e o silêncio de suas memórias dizem ao mundo: “A cobra estará sempre fumando para os inimigos da humanidade”.

Montese, na Itália, tem a sua Praça Brasile e em todo o trajeto da FEB obeliscos e monumentos lembram os “libertatori Brasiliani”. Nas cidades italianas libertadas pela FEB, todos os pequenos escolares hoje entoam a Canção do Expedicionário em Português, a cada 8 de maio, o dia da vitória.

Mas no Brasil atual, os pracinhas, nossos jovens combatentes de 1944 e 1945, hoje nonagenários, quase sempre passam despercebidos ainda que ostentem nas ruas as suas boinas características e, muitos, ainda revelem, no andar coxeado, as feridas de combate. Em suas memórias os horrores da guerra permanecem vivos, choram os companheiros mortos e os combates ainda são temas de seus pesadelos. Nossos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial têm de ser conhecidos pela juventude hodierna, têm de ser lembrados e homenageados. Se ignorados ou esquecidos, um dia não mais existirão e a verdadeira história, que só eles podem contar, estará perdida para sempre.

 

JOSÉ CAMILO FILHO – Da Academia de Letras,Ciências e artes de Ponte Nova-ALEPON

camilo19@oi.com.br

 

Colaboraram:

João Mattos

 

Roseli Coelho: Sargento PM

rcalves29@yahoo.com.br

 

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