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A convivência

Convivência

 

A convivência é hoje um dos problemas da sociedade que mexe com o que temos de mais intimo, nossos sentimentos que por sua vez resulta em nossas reações. A verdade é que tirando esse corpo material que Deus nos deu, sobra mesmo o que realmente somos e nem sempre temos material suficiente moralmente falando, para uma boa convivência.

Conviver bem requer certas virtudes que a maioria de nós conhecemos e por vezes conseguimos exercer,mas como ainda não a possuímos como parte do que somos,elas não são vista em todos os momentos e nos fazem muita falta em muitos deles que requeria por exemplo um pouco mais de paciência, de humildade ou de amor.

Jesus , o maior educador que passou sobre a terra e que a humanidade já conheceu, trazia consigo todas essas virtudes e certamente por isso conseguia ser perfeito a cada passo que dava em sua vida, a cada resposta, a cada gesto, a cada decisão.

Não sei às outras pessoas, mas para mim a convivência ainda é uma grande prova nessa existência, e talvez por isso Deus tenha guiado meus passos a morar em apartamento e trabalhar em atendimento ao cliente via telefone, o que hoje vejo com aprendizado, e até arriscaria dizer que de uns 5 amos pra cá tenho conseguido ser uma pessoa melhor. A cada resposta rude não dada, a cada silencio, a cada reflexão, vejo que é possível como disse Jesus, fazer ao outro aquilo que gostaria com vos fizesse.

Jesus nunca disse que seria fácil, e na verdade custei a compreender isso, mas asseverou que somente este seria o caminho para a felicidade que nós todos almejamos.

O que nos cabe é aproveitar as oportunidades de convivência para aprimorar o nosso amor ao próximo, não é fácil, falo por mim, não é nada fácil mas é o caminho.

Desejo a todos, força para seguir nas dificuldades,fé e razão para compreender o contexto presente da vida e acreditar que nenhum mau é eterno e dia de amanha será sempre melhor.

Deixo ao final, esta leitura muito bonita onde o próprio Mestre pode nos dizer o por que é tão difícil ainda a nossa convivência.

Explicações do Mestre

Em plena conversação edificante, Sara, a esposa de Benjamim, o criador de cabras, ouvindo comentários do Mestre, nos doces entendimentos do lar de Cafarnaum, perguntou, de olhos fascinados pelas revelações novas:

— A idéia do Reino de Deus, em nossas vidas, é realmente sublime,todavia, como iniciar-me nela? Temos ouvido as pregações à beira do lago e sabemos que a Boa Nova aconselha, acima de tudo, o amor e o perdão… Eu desejaria ser fiel a semelhantes princípios, mas

sinto-me presa a velhas normas. Não consigo desculpar os que me ofendem, não entendo uma vida em que troquemos nossas vantagens pelos interesses dos outros, sou apegada aos meus bens e ciumenta de tudo o que aceito como sendo propriedade minha.

A dama confessava-se com simplicidade, não obstante o sorriso desapontado de quem encontra obstáculos quase invencíveis.

— Para isso — comentou Pedro —, é indispensável a boa vontade.

— Com a fé em Nosso Pai Celestial — aventurou a esposa de Simão —,

atravessaremos os tropeços mais duros.

Em todos os presentes transparecia ansiosa expectativa quanto ao pronunciamento do Senhor, que falou, em seguida a longo silêncio:

— Sara, qual é o serviço fundamental de tua casa?

— É a criação de cabras — redarguiu a interpelada, curiosa.

— Como procedes para conservar o leite inalterado e puro no benefício doméstico?

— Senhor, antes de qualquer providência, é imprescindível lavar,cautelosamente, o vaso em que ele será depositado. Se qualquer detrito ficar na ânfora, em breve todo o leite se toca de franco azedume e já não servirá para os serviços mais delicados.

Jesus sorriu e explanou:

— Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, se confunde com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os Profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do Povo Escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do espírito para recebêlas. É por isto que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho

efetivo do Reino de Deus.

A pequena assembléia, na sala de Pedro, recebia a lição sublime e singela, comovidamente, sem qualquer interferência verbal.

O Mestre, porém, levantando-se com discrição e humildade, afagou os cabelos da senhora que o interpelara e concluiu, generoso:

— O orvalho num lírio alvo é diamante celeste, mas, na poeira da estrada, é

gota lamacenta. Não te esqueças desta verdade simples e clara da Natureza.

Neio Lucio – Livro “Jesus no Lar”- Psicografia de Chico Xavier

 

Diana Aguiar

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