Segundo o que diz vários dicionários, esta palavra sugere oposição, ação em sentido contrário. / Luta, incompatibilidade, competição: o antagonismo das ideologias. O Marquez de Maricá, teria dito: “A harmonia da sociedade, como da natureza, consiste e depende da variedade e antagonismo dos seus elementos e caracteres”.
Mas convém notar que, observando-se com mais atenção, de uns tempos pra cá a incompatibilidade tem sido estimulada, induzida ou até mesmo provocada para que se chegue ao objetivo final: Uma espécie de anarquismo é como se fosse uma expectativa inversa onde a luz no fim do túnel, se extinguirá. Se ela já se apagou, o tempo dirá, mesmo porque a humanidade (num sentido figurado) não tem tanta necessidade de ficar transitando em “túneis” e isso é coisa mais de fugitivos.
O Facebook, (a principal vitrine montada para esse embate) embora seja uma rede de comunicação fantástica inédita e nos colocando em comunicação quase que permanente com amigos, conhecidos, seguidores e até mesmo inimigos, exagera na invasão de privacidade permitida. Sabe-se lá, pra que servem tantas informações e comentários em sua grande maioria distorcendo a verdade e/ou demonstrando absoluta ignorância de uma grande parte das pessoas sobre quase tudo.
O politicamente correto reina não de forma polida e educada, mas rigorosamente dentro do campo das conveniências, o que transcende limites que algumas frases com essa característica impõe. Nem falo sob o ponto de vista legal, mas da universalidade que o bom senso sugere.
Temos amigos e seguidores (também no twitter) indignados com certos procedimentos na política e todos os protestos e falas convergem, mas é incrível a gente perceber como todos nós brigamos e discordamos e às vezes nos ofendemos, falando sobre o mesmo assunto e tratando dos mesmos absurdos na política que nos revolta. Compartilhar portanto, nem sempre significa dominar o assunto ali focado e o maior absurdo é o que se vê: Muita gente mistura alhos com bugalhos como se diz na gíria.
Atrevo-me a dizer que o antagonismo é a matéria prima intrínseca no ser humano, que move todas as paixões e nos impulsiona para o centro de todas as conquistas. O Antagonismo gera o campeão, o primeiro lugar, produz inveja, produz ressentimentos é finalmente o combustível que gera a flama que nos incendeia. Ele é a principal matéria prima daqueles que transformam a fé cega em certezas.
Ele pode ser individual, como um jogo de sinuca, um tabuleiro de xadrez, uma corrida de formula 1 que mesmo com vários participantes, sabe-se que desta disputa sairá apenas um vencedor. Em todos os setores existe o antagonismo que nos impulsiona ou em muitos casos nos prejudíca, como simular discussões espetaculares entre jovens e idosos, mulheres contra homens, negros contra brancos, evangélicos versos católicos, ou até mesmo religiosos em geral contra os ateus, onde preponderam as inutilidades. O estimulo covarde ou indução sugere que sempre deve existir um vencedor, um campeão, um primeiríssimo lugar. Convergências de idéias hoje no mundo moderno é quase um crime hediondo.
Temos exemplos de obras publicas de prefeituras que são paralisadas de forma criminosa e os caixas esvaziados porque o novo prefeito que tomará posse é do partido antagônico. De qualquer forma, no caso do esvaziamento do caixa fica caracterizado um roubo dissimulado de antagonismo. Não acredito pois que o Marquez de Maricá tenha acertado em suas conclusões sobre antagonismo.
Temos exemplos anacrônicos como querer estabelecer diferenças entre rezar e orar, quando se sabe que são palavras sinônimas. É exatamente aí nesse momento que a humanidade se declara tola, estúpida ao aceitar esse discurso de picaretas que se dizem representantes de um deus todo poderoso na face da terra.
O antagonismo é tão exacerbado que no desespero, em busca de uma aceitação descabida (no contexto) as pessoas com as quais você discorda, ficam irritadas e se esquecem que as redes de comunicação teoricamente existem para incentivar a liberdade de expressão. A humanidade sairá ou sairia ganhando, abraçando com simpatia as divergências, ao invés de confundir contundência com a pretensão de sermos donos da verdade.


