Cientistas confirmaram nesta quinta-feira que a sonda Philae se encontra “estável” na superfície do cometa em que pousou no dia anterior – apesar de momentos turbulentos durante o pouso do módulo que deixaram os cientistas apreensivos.
Há preocupações sobre a estabilidade do módulo a longo prazo, já que ele não está propriamente ancorado – os arpões que deveriam ter prendido o veículo na superfície não dispararam.
O coordenador do projeto, Stephan Ulamec, disse à BBC que a equipe está cautelosa em dispará-los agora, já que esta ação poderia fazer com que o Philae se descole do cometa novamente. “Ainda não estamos ancorados”, afirmou.
A telemetria indicou que o Philae – do tamanho de uma máquina de lavar roupa – se desprendeu, flutuou e retornou à superfície do cometa, a 500 milhões de quilômetros da Terra. O módulo teria dado um pulo de 1km antes de retornar à superfície do cometa, cerca de duas horas depois.
O robô repetiu esse movimento mas o salto teria sido menor e durado menos de dez minutos. O veículo, então, tocou um terceiro local, ainda desconhecido pelos cientistas.
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Segundo leituras iniciais, o módulo afundou cerca de 4cm na superfície do cometa no primeiro pouso, o que sugere uma camada exterior relativamente macia.
Há ainda preocupações sobre realizar perfurações no cometa, o que também poderia afetar a estabilidade da sonda. Além da falha dos arpões, o sistema de propulsão em direção à superfície do cometa também não funcionou corretamente.
Pesquisadores reestabeleceram contato por rádio com o módulo e estão recebendo imagens, que mostram uma superfície cinzenta e rochosa.
“Estamos ocupados analisando o que tudo isso significa e tentando descobrir onde o módulo está”, disse o cientista Matt Taylor, citado pela agência de notícias Press Association.
Apesar do sucesso, os cientistas estavam temerosos em relação à estabilidade do módulo – que foi confirmada por novos dados recebidos nesta quinta-feira.
‘Grande passo’
O robô Philae conseguiu aterrissar no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko às 14h05 (horário de Brasília) de quarta-feira após se desprender da sonda Rosetta, que agora voa ao redor do cometa a dezenas de quilômetros de distância.
Um dos temores iniciais dos cientistas era de que a parte externa do cometa fosse revestida por gelo, o que poderia fazer o robô quicar na superfície e se afastar da rocha em vez de aterrissar – já que há pouca gravidade no local. O temor não se concretizou.


O diretor-geral da Agência Espacial Europeia, Jean Jacques Dordain, disse que “este é um grande passo para a civilização”.
A missão
Módulo Philae
- Viajou 6,4 bilhões de quilômetros para chegar ao cometa
- Viagem demorou 10 anos
- Planejamento da viagem foi iniciado há 25 anos
Cometa 67P
- Mais de 4 bilhões de anos de idade
- Massa de 10 bilhões de toneladas
- Velocidade de 18km/s
- Formato de pato de borracha
“Sabíamos que este tipo de feito não iria cair do céu, só com trabalho duro e muito conhecimento.”
Agora, o módulo fará análises da composição da superfície do corpo celeste, o que pode oferecer novas pistas sobre a formação do Sistema Solar e da vida na Terra.
Os dados poderão ajudar a elucidar mistérios sobre cometas como esse – relíquias geladas dos tempos da formação do Sistema Solar.
US$ 1 bilhão
Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada “sopa orgânica” vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.
A missão Rosetta, batizada em homenagem à pedra que possibilitou a tradução dos hieróglifos egípcios, foi planejada na década de 80 e custou ao menos US$ 1 bilhão.
A sonda foi lançada em março de 2004 e, desde então, já orbitou o sol cinco vezes, ganhando velocidade “surfando” a gravidade da Terra e de Marte.
Para atravessar a parte mais gelada de sua rota, a sonda foi desligada em 2012 e somente reativada em 1º de janeiro deste ano.
Por enquanto, ainda não há informações sobre a natureza dos materiais encontrados na superfície do cometa.
Se tudo correr conforme o planejado, novas fotos devem ser enviadas em breve. O robô também começará sua análise da composição química do corpo celeste.
BBC


