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Aspectos emocionais de cada trimestre da gestação

O momento da gravidez é reconhecido como um período de transição da vida da mulher. É quando surge a necessidade de reestruturação e reajustamento em vários aspectos, a mulher passa a se olhar e a ser olhada de uma maneira diferente. No caso da primeira gravidez, a gravida além de filha e mulher, irá assumir o papel de mãe. Mesmo no caso de ter gerado outros filhos as mudanças acontecem, pois, ser mãe de um filho é diferente de ser mãe de dois e assim por diante.

Separar os aspectos psicológicos da gravidez da gravidez em trimestres não quer dizer que eles só acontecem desta maneira, mas é uma forma mais simples de representa-los. Nem todas essas transformações psicológicas são apresentadas por todas as mulheres ou casais, e a intensidade em que são vividos também é diferente, cada reação é muito pessoal.

O primeiro trimestre é o momento da maior variação de sentimentos com relação à gravidez, é a “balança do querer e do não querer”, a mulher quer e não quer, gosta e não gosta. Questiona a todo instante sobre as mudanças que a gravidez e o filho podem provocar em sua vida.

O feto ainda não é sentido nesse período e por esse motivo existem dúvidas sobre estar realmente grávida, mesmo após o exame ser positivo. O mal-estar e os vômitos são comuns nessa época, mas são percebidos pela gestante como o lado difícil da gestação, impedindo que o prazer desse momento seja vivido pela mãe. A partir da soma dessas sensações, pode ocasionar fantasias de perda do bebê e um medo de que a gestação não se concretize.

O segundo trimestre é considerado o mais estável do ponto de vista emocional, pois, existe a percepção dos movimentos do feto e o ventre está crescendo sem que ela se sinta incomodada. É o momento de curtir a gravidez.

As alterações quanto ao desejo e desempenho sexual também tendem a surgir com maior intensidade neste momento. Os companheiros são mais exigidos, para suprir o desejo da gestante em receber atenção e elogios ao corpo grávido, pois pode ocorrer o medo de não voltar à forma física anterior e não ser mais desejada pelo companheiro.

No terceiro trimestre, o nível de ansiedade aumenta com a proximidade do parto e da mudança de rotina após a chegada do bebê. As sensações são diversas, como a vontade de ver o filho e terminar a gravidez, de conferir se realmente está tudo bem com o bebê, “se ele é perfeito”, um inevitável medo da morte durante o parto, e ao mesmo tempo a vontade de prolongar a gravidez e adiar as mudanças. É comum o temor de não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa, ou não suportar as dores, por esse motivo, trabalhar a autoconfiança diminui a ansiedade do nascimento do bebê e dá à mulher o controle da nova situação.

O pós-parto é considerado o quarto trimestre da gestação. É, também, um momento de muitas mudanças, em que a mãe e bebê estão se conhecendo. É o período no qual a mulher pode se sentir insegura, com medo de cuidar do bebê, com dúvidas quanto a sua atuação como mãe.

Esses sentimentos, somados aos problemas anteriores não resolvidos, podem contribuir para o aparecimento da depressão pós-parto. Os principais sinais desse distúrbio, são: a perda ou aumento do sono e do apetite, choro excessivo, insegurança em cuidar do bebê. Caso a mulher e/ou seus familiares percebam estes sinais é necessário buscar ajuda de profissionais para auxiliar na passagem desse período, através do acompanhamento do obstetra, do psiquiatra. Ter tido depressão pós-parto uma vez não significa que a mulher terá em toda gravidez, ou não ter tido em outra gravidez, não significa que não terá na atual. Cada gestação é única e possui características diferenciadas. “Embora seja em uma mesma mulher, o momento de vida que as gestações ocorrem são diferentes e esse fator muda todos os aspectos”. É importante se conhecer e não ter medo de buscar ajuda. Falar sobre o problema, assumir os cuidados com o bebê, mesmo com a ajuda de outras pessoas, e amamentar seu filho, poderão contribuir para evitar ou auxiliar no tratamento da depressão pós-parto.

 

Shênia Chaves.

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