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Ativista de oposição diz que foi torturado e ‘crucificado’ na Ucrânia

Um dos ativistas líderes da oposição popular na Ucrânia – e que ficou desaparecido durante oito dias – alega ter sido sequestrado, torturado, “crucificado” e abandonado à própria sorte no frio do inverno.

Dmytro Bulatov, que organizou protestos de rua na capital, Kiev, está hospitalizado após ter sido encontrado nos arredores da capital ucraniana.
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Ele diz ter sido repetidamente espancado e pendurado pelos pulsos por aqueles que o capturaram.

“Eles me crucificaram, tenho buracos nas minhas mãos”, afirmou o ativista. “Também cortaram minha orelha, fizeram cortes no meu rosto. Meu corpo está destroçado. (Mas) estou vivo. Graças a Deus.”
Anistia

As alegações de Bulatov foram feitas no momento em que o país enfrenta há semanas uma onda de protestos de oposicionistas, contrários à decisão do governo de não seguir um caminho que levaria a uma maior integração com a União Europeia (UE).

As manifestações começaram em novembro, quando o presidente, Viktor Yanukovich, decidiu não assinar um acordo de cooperação com a UE, em favor de uma aproximação econômica com a Rússia.

Os protestos se tornaram violentos neste mês na capital, quando o governo adotou novas leis com o objetivo de frear as manifestações. Desde então, três manifestantes e três policiais foram mortos, e centenas de pessoas ficaram feridas dos dois lados do conflito.

A intensidade das manifestações reflete características próprias da Ucrânia, onde boa parte do território ao leste é habitado por pessoas que falam russo e têm forte ligação com a Rússia, enquanto que no oeste predominam pessoas que falam ucraniano e teriam maior simpatia pela integração com o bloco europeu.

Yanukovych assinou uma lei de anistia a manifestantes detidos – vista como uma concessão à oposição – sob a condição de que os manifestantes abandonem edifícios ocupados durante os protestos.

Por sua vez, o exército instou o presidente a tomar “medidas urgentes” para aliviar a crise.
Ferimentos
Mão de Dmytro Bulatov (Foto: BBC)

Bulatov alega ter sido pendurado pelos pulsos e ‘crucificado’

Bulatov afirmou que não sabe quem são seus captores – apenas que eles falavam com sotaque russo.

Segundo o site noticioso ucraniano Gazeta.ua, exames médicos não identificaram danos aos órgãos internos de Bulatov.

A polícia de Kiev confirma que ele foi ferido e teve um corte em uma das orelhas, diz o jornal local Ukrainskaya Pravda.

Uma investigação foi aberta, e guardas protegem a entrada do hospital onde ele é tratado.

Bulatov é um proeminente ativista antigoverno e um dos líderes do movimento AutoMaidan, que tem patrulhado as ruas ao redor da Praça da Independência, em Kiev.

A ONG Anistia Internacional descreveu o caso de Bulatov como “um ato bárbaro que deve ser investigado imediatamente”.

O caso tem causado forte repercussão na Ucrânia. Um jornalista local, Vitaly Portnikov, chegou a sugerir que “esquadrões da morte” estão agindo no país.
Crise política

O governo acusou a oposição de tentar “inflamar” a situação, por ter mantido os protestos na última quinta-feira apesar da assinatura da anistia e da oferta de cargos governamentais a membros da oposição.

Esta acusa as forças de segurança de estar por trás de sequestros e de repressão violenta aos protestos.

A Praça da Independência permanece ocupada por manifestantes antigoverno, e não há sinais de que a crise política esteja perto do fim.

No momento, o presidente Yanukovych, está em licença médica. Segundo sua equipe, ele sofre de febre alta e males respiratórios.

Ao mesmo tempo, um comunicado do Ministério da Defesa afirmou que “a intensificação dos conflitos ameaça a integridade territorial do Estado”.

“Os militares e as forças armadas da Ucrânia consideram inaceitável a violenta tomada de instituições estatais”, diz o texto.

Até o momento, os militares não foram empregados na contenção dos protestos em Kiev, onde edifícios públicos foram tomados por manifestantes.

Em resposta ao comunicado da Defesa, o secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Anders Fogh Rasmussen, disse pelo Twitter que “o Exército ucraniano e altamente respeitável e deve permanecer neutro”.

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