No dia 19 de novembro, a Câmara Municipal de Ponte Nova sediou audiência pública sobre o avanço do consumo de crack na região e as ações do poder público e da iniciativa privada para seu enfrentamento. A realização foi da Comissão de Prevenção e Combate ao uso de Crack e outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A iniciativa do deputado Paulo Lamac (PT) foi em atendimento à solicitação da vereadora Patrícia Castanheira (PTB) que, no início de 2013, formalizou pedido de realização do evento em Ponte Nova com o objetivo de discutir políticas públicas de enfrentamento ao crack e outras drogas. Patrícia solicitou às autoridades presentes, apoio para que seja criada uma rede de atenção, que envolva saúde, assistência social, educação, segurança e Poder Judiciário no combate ao avanço das drogas na região. A vereadora defendeu que “é preciso união de forças entre poder público e população e lamentou que o silêncio de muitos anos é o motivo da epidemia do crack na região”.
O delegado regional de Polícia Civil de Ponte Nova, João Otacílio da Silva Neto, destacou que “o crescimento do consumo da droga é evidente e que há necessidade de aumento da repressão aos traficantes na região”.
Para o prefeito de Ponte Nova, Guto Malta (PT), o crack deve ser tratado como questão de saúde pública. Ele anunciou que a prefeitura vai criar um conselho de defesa social, que pretende dialogar com as instituições para combater o avanço das drogas, em parceria com as escolas públicas.
O subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides, entende que faltam investimentos em um sistema de inteligência policial para combater a criminalidade como um todo. O comandante da 21ª Cia. Independente da Polícia Militar, capitão Luiz Faustino Marinho, citou o caso a política de “tolerância zero”, adotada em Nova York, que ficou mundialmente conhecida pelo seu bom resultado. Na oportunidade, de acordo com ele, foi feita uma intervenção nacional, que culminou em mudanças na legislação, investimentos em sistemas de inteligência e repressão policial nas fronteiras. Assim, o comandante sugeriu à comissão que haja empenho na sensibilização do Governo Federal.
Em resposta ao representante da PM, o deputado Paulo Lamac fez um histórico do trabalho da comissão e destacou que, após um diagnóstico feito em todo o Estado, os parlamentares têm procurado sinalizar aos governos estadual e federal os caminhos para o enfrentamento das drogas.
O promotor Sérgio de Castro Santos alertou que a assistência e a sensibilização da família são fundamentais para que se reduza o número de usuários. Para ele, tudo o que o Estado faz hoje é pouco, tendo em vista que durante um longo tempo a sociedade se omitiu e fechou os olhos para o problema.
A defensora pública Fernanda de Souza Saraiva Possato lamentou o aumento da quantidade de usuários nos últimos anos. Segundo ela, desde 2012, apenas em Ponte Nova, foram feitas 50 internações compulsórias. E o presidente da Confederação Nacional das Comunidades Terapêuticas, pastor Wellington Vieira, disse que os resultados apresentados pelo Estado ainda são tímidos, tendo em vista que oferece uma política de atenção às drogas fragmentada. Para ele, a sociedade precisa se organizar e parar de transferir as responsabilidades.
Os vereadores de Ponte Nova também apresentaram seus questionamentos à Mesa e, para a vereadora Patrícia Castanheira, que solicitou a audiência, o encontro atingiu o objetivo proposto com a presença de todos os setores convidados e que, a partir de agora, as ações deverão ser tomadas.


