O presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu remover Cuba da lista de “países patrocinadores do terrorismo”, informou a Casa Branca nesta terça-feira.
A iniciativa faz parte dos esforços em reatar os laços diplomáticos bilaterais, danificados há mais de meio século, e se segue ao encontro histórico entre os presidentes Obama e Raúl Castro durante a Cúpula das Américas, no último final de semana.
Na ocasião, Obama declarou que “Cuba não é uma ameaça aos EUA”.
Segundo o perfil da Casa Branca no Twitter, o governo submeteu ao Congresso os relatórios e certificações exigidos, indicando sua intenção de tirar Cuba da lista.
Agora, o Congresso americano tem 45 dias para avaliar a iniciativa. No entanto, caso a retirada seja bloqueada pelos legisladores, Obama poderia vetar a decisão do Congresso. Segundo o jornal Washington Post, para ter a palavra final no assunto, o Legislativo teria que aprovar uma lei específica, o que é considerado improvável.
Na prática, essa remoção abre caminho para que os EUA reabram sua embaixada em Havana e Cuba reabra sua embaixada em Washington – um grande passo na normalização das relações.
É, também, uma medida que carrega forte simbolismo, por mudar oficialmente a forma como o governo americano enxerga o cubano.
Leia mais: Em reunião histórica, Obama e Raúl Castro trocam afagos
A lista de “patrocinadores do terrorismo”, à qual Cuba foi inserida em 1982, inclui também Irã, Síria e Sudão, acusados pelos EUA de “repetidamente prover apoio a atos de terrorismo internacional”.
Suspeitas
Cuba, especificamente, era acusada de “promover revoluções armadas por organizações que usam o terrorismo”, e relatório de 2013 cita suspeitas de que o país caribenho teria dado abrigo a membros do grupo separatista basco ETA e guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Mas Cuba diversas vezes rejeitou sua presença na lista, descrevendo-a como infundada.
Leia mais: O que Che Guevara diria sobre a reaproximação EUA-Cuba
E há muito tempo os EUA não levantavam esse tipo de acusação contra a ilha.
O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse que os dois países ainda têm divergências, mas “nossas preocupações quanto a políticas e ações de Cuba não se incluem nos critérios relevantes à questão de designar o país como patrocinador do terrorismo”.
Em carta ao Congresso, Obama diz que “o governo de Cuba não ofereceu nenhum apoio ao terrorismo internacional durante o período prévio de seis meses” e que “o governo cubano deu garantias de que não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro”.
Os esforços de reaproximação EUA-Cuba foram anunciados em dezembro, mas o embargo americano sobre a ilha se mantém em vigor, já que depende de decisão do Congresso – onde Obama enfrenta uma dura oposição republicana.


