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Serpentário de Intrigas

 

Viver demanda muita urticária e pouco siso. Requer extremos de agonia e muita baba cósmica para entender o serpentário de intrigas que nos rodeia. A cada esquina um bote sorrateiro de cobra cascavel. Estas até que são singelas amigas se puder compará-las com as cobras de duas patas que andam de tocaia, em cada rua ou em cada esquina. Se descuidar, o veneno entra pela sua jugular e causa morte instantânea.

 

“Navegar é preciso; viver não é preciso”, já dizia o poeta italiano Francesco Petrarcha. Esta frase pode ser o cerne do entendimento humano, adaptada por Fernando Pessoa, poeta lusitano, em determinado trecho: Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso.” / Quero para mim o espírito [d] esta frase, / transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. / Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. /Só quero torná-la grande, / ainda que para isso tenha de ser o meu corpo / e a (minha alma) a lenha desse fogo”.  

 

         O grande dilema humano está na decência de ser decente ou na penúria de ser um reles bastardo, sem escrúpulos. Se preciso for, é capaz de pisar na garganta do amigo para satisfazer seu ego pouco produtivo e se apequenar no puxa-saquismo para manter o status quo.

 

         A mim me parece que ser o serpentário de intrigas produz tantos ninhos de cobras que o Butantã ficaria feliz de tê-lo por perto. Entretanto, o veneno sem modificações mata. E assim, as víboras se disfarçam em companheiros para inocular o veneno. A alma decente, que nada teme e nem produz substâncias maléficas, tem sempre o antídoto de reserva.

 

         Não bastasse o maldito e eterno patrulhamento ideológico, vivemos debaixo de nefastas intenções, onde o vale-tudo é a porta de entrada para a satisfação do ego multifacetado de gente que se esconde até da própria sombra. Ou de gente tão narcisista, que, dependendo do dia, se se olhar no espelho, dá uma porrada para destruí-lo.

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