Técnica, raça, confiança, esperança, paciência e coração. Esses foram os ingredientes explorados pelo Cruzeiro, nesta quarta-feira, na vitória por 3 a 0 diante do Real Garcilaso-PER, no Mineirão. Na base da superação e com forte apoio de sua torcida, que acelerou os batimentos cardíacos durante 90 minutos, a Raposa, que chegou a figurar como equipe desacreditada pela má campanha inicial, deu a volta por cima e garantiu o direito de avançar às oitavas de final da Copa Libertadores. Ricardo Goulart, Bruno Rodrigo e Júlio Baptista construíram o placar.
Diante da forte mobilização e fé dos cruzeirenses nas arquibancadas do Gigante da Pampulha, o time estrelado correspondeu dentro de campo, fez prevalecer a força do seu grupo e mais, honrou o nome do volante Tinga, jogador que virou personagem principal da luta contra o preconceito racial na América do Sul em 2014.
A cada grito de gol dos cruzeirenses ecoava das arquibancadas um quase oníssono “Olê, Tinga, olê, Tinga”, em homenagem ao meio-campista. O jogador, que não esteve de corpo presente no gramado, pois não foi relacionado pelo técnico Marcelo Oliveira para o duelo com os peruanos, marcou presença de outra forma: em pensamento, dividindo pedaços de sua alma e essência com todos os presentes no estádio.
Dentro das quatro linhas, o que se viu foi um Cruzeiro aguerrido, vibrante, que se impôs diante de um fraco, medroso e completamente envolvido Real Garcilaso-PER. Enquanto o relógio oficial do confronto girava, o jogo acontecia praticamente em meio-campo, na zona defensiva dos peruanos. A Raposa se mantinha toda em sua ofensiva, inclusive com seus dois zagueiros, enquanto toda a equipe peruana, perdida, tentava, sem sucesso, segurar o time cinco estrelas.
E foi em uma das mais fortes armas do Cruzeiro que os celestes chegaram a seus gols. “Pela linha de fundo, uma jogada que o professor trabalha muito. Temos grandes cabeceadores e jogo se decide muito nesse quesito”, ressaltou Bruno Rodrigo, autor do segundo gol azul na noite.
Já o torcedor, enquanto assistia ao passeio estrelado, dizia ser inevitável não imaginar e fazer previsões sobre os possíveis adversários do Cruzeiro na próxima fase. “Preferiria enfrentar um time brasileiro para fugir, principalmente, da altitude. Mas, quem quer ser campeão precisa arrebentar qualquer time que aparecer pela frente”, comentava o feliz gerente de vendas Leonardo Sathler.
CRUZEIRO 3 X 0 REAL GARCILASO
Motivo: 6ª rodada do grupo 5 da 2ª fase da Copa Libertadores da América
Data: 09/04/2014 (quarta-feira)
Local: estádio Mineirão, em Belo Horizonte-MG
Árbitro: Adrian Velez (COL)
Público: 42.775 pagantes
Renda: R$ 1.706.160,00
Cartões Amarelos: Huerta, Jhoel Herrera, Santillán e Jojas (Real Garcilaso); Egídio (Cruzeiro)
Gols: Ricardo Goulart, aos 23 min., Bruno Rodrigo, aos 26 min., e Júlio Baptista, aos 41 min. do 1º tempo
Cruzeiro: Fábio; Mayke, Bruno Rodrigo, Dedé e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Everton Ribeiro (Alisson) e Ricardo Goulart (Elber); Dagoberto (Borges) e Júlio Baptista.
Técnico: Marcelo Oliveira
Real Garcilaso: Pretel; Jhoel Herrera, Maulella, Huerta (Lojas) e Cristian García (Carlos Flores); Britez, César Ortiz, Retamoso e Santillán; Ramúa (Digno González) e Juan Rodríguez
Técnico: Freddy García.
O Tempo


