Como um “capo” (que em tradução livre é um ” membro nomeado ” de uma família criminosa italiana que lidera um regime ou “tripulação” de soldados e tem grande status e influência na organização), o senador da República (pasmem!) Flávio Bolsanaro concedeu uma entrevista publicada no domingo passado, 15 de junho, na Folha de S. Paulo. Sabe o que disse?
O membro 01 da Filhocracia disse que um candidato a presidente apoiado por Jair Bolsonaro deverá garantir a concessão de indulto ao ex-presidente, caso ele seja preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado. Mais que isso: caso eleito, o futuro presidente bolsonarista deverá garantir que o indulto seja cumprido, mesmo que o STF considere inconstitucional.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ameaçou, sem temor nem reservas, o país com um golpe de Estado caso um aliado de seu pai seja eleito, indulte os golpistas e o STF decida o óbvio: a medida é inconstitucional. Nesse caso, afirmou, a única saída é a força. Só há uma maneira de o Executivo forçar o Judiciário a fazer o que não quer. E qual foi a reação?
Analistas, ou destroços morais afins, fizeram um esforço para oferecer uma leitura benigna do que afirmou o político. Ele estaria, segundo um dos delírios, apenas admitindo as dificuldades de haver um indulto.
Segundo o colunista da Band, Reinaldo Azevedo, O Globo, “ao menos, fez um editorial. Todo cheio de cuidados, é fato, mas repudiou o despropósito”. Na verdade, ao ler o texto de O Globo eu percebi que ele não toca na palavra “golpe”, a não ser para se referir aos eventos de 2022. “E traz um trecho que tem lá a sua graça, certamente involuntária”, comentou Reinaldo Azevedo.
Na própria imprensa, ele (Flávio Bolsonaro) não é tratado como alguém que ameaça o país com um golpe. Seria só mais uma das vozes aceitáveis do “conservadorismo” à moda da casa. “De tal modo se alargou o conceito que um golpista é só parte do cardápio político que se oferece ao público”, ironizou Azevedo.


