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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: FALÁCIA AMBIENTAL

                                                                                                                      (*) Ricardo Motta

               Em abril de 2007 entrei para o governo municipal, convidado por Dr. Taquinho Linhares. Seria seu Chefe de Divulgação, popularmente conhecido por Assessor de Imprensa. Na terceira semana de trabalho, cumpriria minha primeira etapa externa com o Prefeito Municipal. Em direção ao Brito, mais precisamente um pouco acima na localidade rural de Três Tiros. Seria inaugurada a nova balsa para atravessar o rio Piranga, da margem direita (Ponte Nova) para a margem esquerda (Guaraciaba), comunidades rurais de Carioca e Casa Nova.

               Na volta, já à noitinha, sentimos um desconfortável mau-cheiro de suinocultura sem equipamentos adequados. Bom lembrar: a comitiva de Ponte Nova era composta por Dr. Taquinho Linhares, Fernando Andrade e a primeira-dama Selma Linhares. O dano era terrível do ponto de vista das narinas, que se irritavam, a ponto de ameaçar uma coriza. Aí coloquei meu ponto de vista: “é isto que chamam de desenvolvimento sustentável? Esta sustentabilidade só serve para sustentar o bolso dos poderosos e matar a natureza. Claro que hoje a coisa mudou na suinocultura, principalmente com a criação da Assuvap e Coosuiponte.

             Desenvolvimento sustentável é uma falácia ambiental criada nos anos 80 para enganar a sociedade de consumo. Os poderosos, ricos e, principalmente os gananciosos, em nome do progresso, destroem a natureza. Na invencionice da geração de empregos, eles desmatam, poluem córregos, barram rios e invadem nosso ar com a acidez da fumaça gerada nas fornalhas alimentadas por carvão de eucalipto, espécie arbórea que detona nascentes, seca brejos e provoca a (**) alelopatia.

            Frei Leonardo Boff, perseguido pela Igreja Católica, da Opus Dei, de Alexandre de (i) Moraes, disse que “desenvolvimento sustentável está relacionado ao crescimento INSUSTENTÁVEL”. Para mim, o desenvolvimento tem que ser social, o que já exigido pelos fundos de investimento. Uma empresa que só pensa em lucro é muito perigosa.

Paul de Backer, um visionário francês e grande estudioso da área de gestão ambiental, afirmou em 2002, no Rio de Janeiro, quando veio ao Brasil para participar do Seminário Ambiental Sustentável promovido pela Petrobras: “Para ganhar dinheiro, não é preciso abrir uma empresa. O tráfico de drogas e a prostituição são bons investimentos”.

Desenvolvimento sustentável é responsabilidade social. Somos todos responsáveis pelo ambiente em que vivemos. Não se deve esperar somente dos dirigentes públicos o poder de determinar o que tem que ser feito para melhorar a relação do homem com a natureza. As empresas têm papel importante nessa cadeia. Quantas empresas em Ponte Nova praticam coleta seletiva? Quantas destinam adequadamente o lixo produzido? As empresas que enxergam isso têm mais chances de sobreviver.

LIXO É RIQUEZA. LIXO É POP. LIXO É TOP DE LINHA!

(**) As plantas produzem e estocam grande número de produtos do metabolismo secundário, os quais são posteriormente liberados para o ambiente. Tais compostos poderão afetar o crescimento, prejudicar o desenvolvimento normal e até mesmo inibir a germinação de outras espécies.

                                               (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 1977.

           

 

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