Qualquer leigo sabe que a decisão de Trump de impor tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos é inédita e extravagante. O ineditismo estilhaça relações comerciais amistosas que os dois países mantinham há 200 anos. O pano de fundo é o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma coisa é estabelecer uma negociação comercial com os Estados Unidos, como vinham fazendo o Itamaraty e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Coisa bem diferente é levar ao balcão a soberania nacional e a própria democracia brasileira. São valores inegociáveis!
Cronistas isentos como Leonardo Sakamoto e Josias de Souza, do Canal UOL, comentaram durante a semana que “se, por um lado, Donald Trump deu uma dor de cabeça a Lula com sua declaração de apoio a Jair Bolsonaro, por outra, também enviou um presente. O petista pode, agora, bater bumbo de que os gringos, indevidamente, metem uma mão peluda na cumbuca da nossa democracia ao interferir em assuntos domésticos brasileiros e atacar nossas instituições”.
Uma ação do presidente, da outra maior democracia do mundo, os Estados Unidos da América, Donald Trump em favor de Bolsonaro, réu por tentar um golpe de Estado, pode provocar o efeito oposto ao desejado. Ou seja, gerar uma identidade reativa e criar um caldo de insatisfação junto aos patriotas de verdade, que não gostam de outro país dizendo o que o Brasil deve ou não deve fazer.
Exemplos aconteceram recentemente: no Canadá, quando Trump começou a defender que ele se tornasse o 51º estado norte-americano. Os conservadores, que estavam liderando as pesquisas desabaram e o povo manteve os liberais no poder.
Na América Latina, Donaldo Trump conseguiu melhorar a popularidade da presidente Claudia Sheinbaum ao criticar o México. “Sim, ele está se consolidando como cabo eleitoral das democracias”, comenta Leonardo Sakamoto.


