É muito recente a divisão entre a medicina, a química, a filosofia e as outras áreas de estudos. Isto se for considerar o tempo da existência da humanidade. As outras ciências sempre existiram. Nas civilizações mais antigas, era comum que os pensadores se dedicassem a estudar todos esses fatores.
A observação da natureza e a busca pela cura eram questões bastante próximas. Nos diversos povos tradicionais como Incas, Astecas e Maias e outras culturas tradicionais, as plantas eram utilizadas como forma de tratar doenças e melhorar a qualidade de vida.
A indústria farmacêutica, uma verdadeira máfia, que domina a tecnologia inventou os remédios. A alopatia preponderou sobre a homeopatia. A tecnologia usa a essência de diversas plantas, extrai o princípio ativo e injeta química para produzir efeitos rápidos e duradouros, mas à custa de reações periféricas: os chamados efeitos colaterais. Toma-se diclofenaco e pela manhã usa-se o omeprazol, pois o rim fica bombardeado e o estômago dói.
Entretanto, ainda hoje, o antigo costume de buscar a cura pela natureza permanece vivo. Raízes, cascas, folhas, frutos e sementes fazem parte de um universo de cura. São os fitoterápicos, medicamentos obtidos a partir de ativos dos vegetais. A história das ervas medicinais começou nas tribos antigas. Eram as mulheres que extraíam os ativos para tratar as doenças. Mas as mulheres foram substituídas pelos curandeiros homens.
Os médicos preferem o uso dos remédios sintéticos, embora os estudos do francês Antoine Laurent de Lavoisier (fundador da Química Moderna) já tentassem e conseguissem isolar e determinar a estrutura de compostos ativos das plantas. Na Segunda Guerra Mundial o uso das ervas medicinais era aplicado em forma de unguentos e óleos para se conseguir a cicatrização de feridas dos militares combatentes.
Apesar da pressão da indústria farmacêutica, ainda hoje as ervas continuam a ser utilizadas na Cultura Popular. Segundo a Organização Mundial de Saúde-OMS mais de 80% das pessoas recorrem ao uso de plantas com ativos medicinais para tratar seus problemas sem todo o mundo.
Recentemente, a OMS conferiu à cannabis sativa, a maconha, o título de fitoterápico, o que já vinha sendo utilizados em diversas partes do mundo, principalmente em alguns estados americanos. Para cumprir a Convenção de Narcóticos da OMS, algumas espécies de cannabis foram criadas para produzir níveis mínimos de Tetrahydrocanabinol/THC, o principal constituinte psicoativo responsável pelo “barato” associado com a famosa maconha. Nasceram daí os canabinóides psicoativos.
Para começar nossas informações sobre as plantas com poderes medicais, curativos e estimulantes, vamos iniciar pelo açaí que está em alta e tem no Brasil o seu maior produtor e exportador. O açaizeiro tem como nome científico euterpe oleácea. É a preferida dos marombeiros: tem efeito antioxidante, energético e vasodilatador. O açaí é planta/fruto originária da Amazônia e seu consumo ajuda na prevenção de doenças cardíacas e derrame, além de fortalecer o sistema imunológico.
(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta e ambientalista desde 1977


