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Eu sou, mas quem não é?

 

 

 

Eu sou aquele ser de bem com a vida,

De satisfação garantida.

De ganância desmedida

Um homem com alegria de viver

Ou sem medo de morrer

 

Sou sinônimo de político

Que também tem horário na TV

 

Uso laranja

Que meu dinheiro não esbanja

Sou aquele que faz caridade

Nas periferias da cidade

Que compra amizade

 

Sou um burguês estilista

Um grande malabarista

Que não senta em “buteco”,

Não anda de treco

Que rema nas ondas bravas da vida

Como um surfista alquimista

Ou um falsário altruísta

 

 

Aquele que está sempre na lista,

Dos dez mais, não sei de que !

Sou aquele que sonha com o Guiness

Um grande artista e malabarista

Compro a capa de revista

Sou um maldito capitalista

Um porco chuvinista

 

 

Sou aquele ardente pastor

De almas perdidas, o redentor

De corpos sofridos, combalidos.

Uso o nome de um salvador

Para carregar multidões

Para mutirões de caridade,

Na minha cidade,

Prego a castidade,

 

Da obra divina, um executor

Do grande arquiteto. um procurador

No templo da esquina, prego paz e amor

Empunhando a bíblia, como a espada

De um guerreiro sarraceno

Reconhecidamente obsceno

Demagogicamente pacificador

Dos dízimos um coletor

 

Escroto, mercenário,

Atras do dinheiro do otário

Aleluia, aleluia, irmão

Do meu coração,

Salve o estelionatário

Com dízimos do calvário

Com o livro sagrado na mão

 

Do calvário da minha vida,

Da minha vida sofrida

Sou também aquela alma iludida

 

Uso o poder das palavras afiadas

Preparadas e ditas sagradas

 

Sei que todos estão ali,

Por necessidades materiais

Ou por crenças banais

Mas eu, todo poderoso,

Um mentiroso asqueroso

Com a habilidade de um gato felino

Aos deuses canto um hino

 

E realizo todos os seus desejos,

Não consigo explicar direito a quem salvar

E nem salvar do que.

Prego em um templo moderno

Todos os meus seguranças com terno

Ou faço um trabalho no terreiro

Para o freguês em desespero

Tudo, tudo, por causa do maldito dinheiro

E não sou chamado de muambeiro

E detesto macumbeiro

Não orou, é baderneiro

 

Uso o poder da censura

Invocando a lisura

Sou amante da linha dura

 

Uso o terror das expressões

Complicadas, sofisticadas,

Que vem do além

Ou de Jerusalém, ou de Belém

Que constam na bíblia sagrada,

Repetitivas, coercitivas.

Imperativas, nocivas

Sutilmente restritivas

Convenientemente punitivas

 

Falo de exorcismo

Com o maior cinismo

 

Falo de Barrabás

E não dou trégua aos orixás

 

Não julgo para não ser julgado e

Defendo o livre arbítrio

Porque assim, todos se regozijarão.

Injustos, não serão chamados jamais

E livres todos ficarão.

 

Sou Amigo do Vento,

Que corre contra o tempo

Vilão, sanguinolento

E vou reescrever com sangue

O terceiro testamento

 

Faço a guerra em nome da paz

Sou o Imperador Nero de Roma

Sou Hitler, Sou um pouco Mussolini

Sou o imbatível George Bush

Rei da nova ordem ocidental

O embaixador moderno do Mal

Falso amigo do Berimbau

Que mata como um “sacana”

Esmaga, humilha e acha bacana

E agora me chamo Obama

 

Sou cordeiro na pele de Satanás

E no espelho que se desfaz

Sou o Paulo Clone da paz

Sou aquele que vê na sua testa

O CRcifrão que faz a minha festa

 

Sou aquele comerciante

Que um dia foi ambulante

Sob um maldito sol escaldante,

Mesmo não tendo sido estudante,

Sequer sei o que é um manifestante

De saldo bancário abundante

Vida social estafante

 

Empreendedor e sonegador

Corrupto e corruptor

Sou também chamado de patrocinador

E se houver um complicador

Dou o tombo no fornecedor

Com cheque voador

Visado por um gerente safado

Que trabalha num Banco respeitado

Que o transforma em cheque sustado

Sem ocorrência que justifique

Aquele maldito trambique.

 

E sempre volto à ativa

Comprando certidão negativa

 

Uso mão de obra de terceiro

E o chamo de parceiro

E o deixo morrer no passivo

De um plano de contas nocivo

 

Sou um maldito capitalista

Um ser humano egoísta

E agora figuro em uma lista

Que pra me ver só com “revista”

 

Sou Amigo do Vento,

Que corre contra o tempo

E ao mesmo tempo

Bandido como passatempo

Vítima da sociedade

Da crueldade da humanidade

Sou a favor da liberdade

Para matar, sacanear, estuprar

Esquartejar, torturar

E não tem quem me faça parar

 

Ninguém vai me punir pelo avião que usei

Pelo imposto que soneguei

Pelo erário que desviei

Pelo bebê que seqüestrei,

Pelo velhinho que assaltei

Pelo fornecedor que não paguei,

Pela criança que atropelei

Quando drogado eu fiquei

Pela ex-namorada que matei

Pela mulher amada que esquartejei

Ou pelos inocentes que assassinei

E por tudo mais de ruim que tentei

 

E no meu carro bonito

Eu escrevo: Jesus vai voltar

Jesus é o meu verdadeiro Rei

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