A forte repressão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à venda de remédio sem receita nas farmácias levou o brasileiro, com seu jeitinho conhecido, a se aproveitar da internet para criar um mercado paralelo de medicamentos controlados negociados sem prescrição médica. É possível comprar com facilidade até mesmo produtos que nem podem ser vendidos no Brasil, como a melatonina, o hormônio do sono que está virando febre no país. Também os emagrecedores femproporex, anfepramona e o mazindol, assim como a sibutramina, podem ser adquiridos sem dificuldades em uma grande quantidade de sites.
Esses inibidores de apetite (femproporex, anfepramona e o mazindol) ainda estão proibidos no país, apesar de o Senado ter aprovado na semana passada projeto de decreto legislativo autorizando sua volta ao mercado. O projeto só deve ser promulgado após as eleições.
A reportagem entrou em contato com vários desses sites simulando interesse nos medicamentos de venda proibida ou controlada.
Em um deles (www.americavitaminas.com), oficialmente destinado a clientes de suplementos alimentares, a reportagem adquiriu uma caixa de melatonina, usada para induzir o sono. Por R$ 49 mais R$ 16 do Sedex, o pote com cem comprimidos chegou em dois úteis a Belo Horizonte. Na finalização do processo, o cliente é direcionado para o site Paco Esportes, uma empresa virtual de venda de produtos esportivos. O TEMPO entrou em contato por meio dos sites pedindo esclarecimentos sobre a venda ilegal, pois eles não têm endereço fixo, e por telefone, mas não obteve retorno. A Anvisa informou que, por não ser registrada no Brasil, a melatonina não pode ser comercializada no país – embora o consumo não seja proibido se a pessoa comprou fora do Brasil.
Em outro site (www.comprarsibutraminasemreceita.com), estão disponíveis, além do emagrecedor, outros remédios controlados como os tarja preta Rivotril, Rophynol, Ritalina e alguns antidepressivos. A reportagem negociou a compra de sibutramina pelo site até receber, por e-mail, instruções para o pagamento de R$ 170 a caixa – no mercado legal o preço é R$ 70.
No e-mail, é informada uma conta do Banco do Brasil para o depósito, sem nome, e com a seguinte recomendação: “No caso de transferência, favor NÃO identificar como medicamento sibu, sib, rita ou algo do gênero”, orienta o vendedor anônimo.
Farra dos remédios
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