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Jesus Expulsa os Vendilhões do Templo

Dia desses, ao tomarmos café pela manhã ao pé do rádio, ouvimos o nosso confrade da ALEPON, Pe.José Luis, fazendo a sua homilia no programa sertanejo do Danilo. O padre José Luis falava de uma passagem muito interessante do evangelho: o dia em que Jesus perdeu as estribeiras e agrediu o pessoal que fez do templo judaico, talvez a sinagoga daquele tempo, uma praça de negócios. Valendo-se de um chicote, O Deus encarnado, do qual somente emanava luz e amor, virou-se às avessas. Derrubou bancas de mercadorias, enxotou animais que ali estavam à venda, espalhou moedas e botou todo o mundo para correr. Naquele dia, Ele pintou o diabo!!!!! Como é que Jesus Cristo transforma-se, sem mais nem menos, num bom arruaceiro.

Aquele episódio narrado por um dos quatro evangelistas, do qual não guardei o nome, tampouco o capítulo e versículos referentes, pode até ser entendido pelos menos avisados como um paradoxo na vida terrena de Cristo. Afinal, as palavras do Divino mestre sempre encerraram puro amor e repúdio à violência, chegando mesmo a ensinar que em se tomando uma bofetada em uma das faces deve-se oferecer a outra para que também ela receba a pancada. Mas naquela passagem da expulsão dos vendilhões do templo por Jesus, está implícito, e muito sutilmente, o ensinamento do amor que deve estar embasado em ações fortes. Na fraqueza, enfim, não pode residir o amor.

Através dos séculos posteriores à vida de Cristo, a falta do uso correto de seu chicote que escorraçou os vendedores ambulantes do templo, tem levado a humanidade aos maiores desatinos. A fraqueza dos governos leva os povos à desordem. E a desordem conduz a um único caminho: o despotismo. Uma vez instalada uma ditadura, um regime de exceção ou um império de leis espúrias, o chicote de Cristo é usado de forma equivocada e aí tem-se a violência que Ele mesmo condenou sempre, na forma de prisões arbitrárias, assassinatos e exílios  em nome da segurança  nacional. Após expulsar a horda de vendilhões, Jesus disse que destruiria aquele tempo e o reconstruiria em três dias. Ali, ele não falava do templo material, mas da integridade da obra que veio realizar do mundo. Ela teria de ser concluída em bases fortes.

E o papa Pio XI proferiu, certa vez, uma assertiva lapidar: “ o Homem moderno perdeu a noção do pecado”. Poderíamos parafrasear aquele pontífice acrescentando: “ o Homem moderno perdeu a noção do pecado pela falta do chicote de Cristo”. O bando de vendedores enxotados do templo bem poderia ser a humanidade atual que incrementa a fome nos países do terceiro mundo, quando lá deveriam promover a dignidade humana; bem poderia representar os governos que se omitem em suas obrigações de resguardar os dinheiros públicos, facilitando os roubos e a má distribuição da renda, tal como os vendedores que vão comercializar no local onde deveriam ir para rezar. Em nossa opinião, no estágio em que estão as coisas neste princípio do Século XXI, Jesus teria mesmo de destruir o templo e o reedificar, não em três dias, mas naquele preciso átimo de segundo após sua implosão.

A face da Terra é o templo onde a humanidade pode e deve ter vida em abundância de acordo com palavras do próprio Jesus. Os vendilhões sociais com suas barracas instalados nesse templo, comercializando o roubo aos dinheiros públicos, vendendo as guerras, fazendo da violência a moeda de troca de suas ganâncias financeiras, estão, exatamente como naquele remoto dia, há mais de dois milênios, fazendo da casa do Pai Celestial uma praça de negócios. Que Jesus volte agora ao templo da vida humana, empunhe seu relho de couro torcido e os expulse desse templo derrubando suas bancas de iniquidades.    

 

 

 

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