A Lama da Samarco que “caminhou” cerca de 400 km, desde Mariana até ao Espírito Santo, produziu um rastro de destruição humana e ambiental sem precedentes, já quantificados e definidos. O Ministério Público tem sido peça fundamental para que as ações de recuperação sejam aplicadas imediatamente, após reuniões, encontros e movimentos de atingidos por barragens, prefeitos da região e membros de comitês.
Uma nova notícia, negativa, que vem do Green Peace que patrocinou análises de água de poços artesianos em cidades próximas a Governador Valadares (MG) e em Colatina (ES), choca a opinião pública. Os laudos emitidos pelos cientistas da UFRJ apresentam dados alarmantes. Os níveis de metais pesados, principalmente o ferro, estão superiores aos permitidos pela OMS. Ou seja, o rastro de destruição está ampliado, com o veneno da lama afetando o lençol freático.
O excesso destes metais no organismo, conforme o laudo da UFRJ pode provocar doenças até fatais, atingindo áreas sensíveis do ser humano, como rins, pâncreas e fígado. O consumo contínuo destes elementos químicos pode provocar graves doenças. Quando lançados como resíduos industriais na água, no solo ou no ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos vegetais e animais das proximidades, provocando grave intoxicações ao longo de toda a cadeia alimentar.
Poucos sabem, mas a lama do rio do Carmo atingiu trecho de Ponte Nova, na localidade rural denominada Simplício, arrasando plantações e entupindo córregos que desaguavam no rio do Carmo. Esta informação foi repassada na ocasião por relatórios que elaboramos (eu e Alfredo Padovani), quando vistoriamos os locais atingidos em 11 de novembro de 2015, 06 (seis) dias após o desastre provocado por rompimento da barragem de Fundão. Os municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce foram duramente afetados, com destruição das matas ciliares do rio do Carmo e do rio Doce e conseqüente afetação do lençol freático por metais pesados. Nesta região, existem poços artesianos e seria em boa hora que fosse feitas análises pormenorizadas.
No local denominado Barra do Piranga, nos fundos da propriedade dos Guedes, a 22 quilômetros de Ponte Nova, o efeito tsunami da lama misturada com árvores e entulhos, destruiu totalmente a bela paisagem do encontro dos rios Piranga e do Carmo, ponto onde nasce o rio Doce. Outro fenômeno provocado pela tragédia ambiental foi o refluxo de lama para dentro da calha do rio Piranga, afetado em mais de 02 (dois) quilômetros acima do encontro. A região também possui vários poços artesianos.
No caso das análises de água dos poços artesianos, a situação é complicadora, pois os níveis de metais pesados encontrados impedem o consumo humano e de animais.
(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta e Ambientalista desde 1977.


