Como ambientalista, há mais de 40 anos, participei de inúmeros processos em busca de soluções para a destinação final correta do lixo urbano. Foram dezenas de seminários, palestras, promessas, compromissos e apenas a velha e surrada desculpa de que a população não colabora. Isto é verdade, mas o poder público vem negligenciando a situação há anos. Gastaram rios de dinheiro no Lixão do Sombrio. E agora, recentemente, apelaram para a iniciativa privada para dar um jeito (paliativo) no local. Este governo encontrou o problema.
A coletiva seletiva tem que ser a prioridade na questão do lixo. E isso envolve mobilização da sociedade através de educação ambiental, projetos objetivos e mangas arregaçadas. A ACIP/CDL tem papel fundamental neste processo. Pode reunir seus associados e emitir sinais de que as lojas, bares, restaurantes façam a coleta seletiva. Propor que os funcionários não varram o lixo para a rua e separá-los. E depois entregá-los na Cooperativa de Recicladores já existente, com sede no bairro São Geraldo.
Ao mesmo tempo o poder público precisa dar entrada na Supram para licenciar o Aterro Sanitário no terreno adquirido na estrada de Barra Longa (Fazenda Cachoeira), distante 05 (cinco) quilômetros do bairro da Rasa. Este terreno foi escolhido pelo Codema já em 1998, com laudos técnicos comprovando que o terreno do Sombrio era inadequado. Aliás, o lixo jogado no local detonou o meio ambiente, soterrando uma lagoa e contaminando o córrego que corta o terreno e chega até ao pesque-pague do Tavinho, que no passado foi alvo de fiscalização da Vigilância Sanitária. Analises da água mostram contaminação por metais pesados como mercúrio, provavelmente provenientes do descarte irregular de lâmpadas fluorescentes.
A aquisição do terreno aconteceu em 2010, com recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente. Foram disponibilizados R$85.000,00 do FMMA e a SEMAM entrou com mais R$15.000,00. Para a liberação dos recursos do Fundo, como presidente do Codema, exigi solicitação direta do Prefeito Joãozinho de Carvalho e um parecer técnico-jurídico elaborado pelo advogado e Procurador Jurídico do Município Marcus Vinícius Martins da Silveira. Os documentos encontram-se na sede do colegiado, que agora está vinculado à Semam.
Na semana passada, este jornal abordou a questão do lixo urbano. E o rural? No governo anterior, de forma inédita, foi iniciada a coleta no meio rural. Não sei como está sendo feito agora. Mas, como disse anteriormente, a situação não é só coletar o lixo. Isto a Prefeitura Municipal faz através da Semam, com as dificuldades de sempre. Que o diga o atual Secretário de Meio Ambiente, Engenheiro Civil com pós-graduação em Engenharia Ambiental, Bruno do Carmo. A coisa é de lascar!
Lamentavelmente estamos atrasados 14 anos, desde quando o Deputado Federal Ronaldo Vasconcellos conseguiu recursos para resolver o problema do lixo urbano, Dinheiro foi mal aplicado, gerou processo movido pelo Ministério Público. Em 2002, sob a coordenação de Alessandra Regina Gomes foi criado o programa GIRES-Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos e iniciou-se projeto piloto de coleta seletiva de lixo, com caminhão-gaiola, aulas ambientais, envolvimento da sociedade. Nos governos seguintes nada.
Os mesmos recursos foram repassados para Itabirito. Vai lá para conferir. A cidade tem 100% de coleta seletiva. Não tem lixo na rua e a coleta acontece entre 6h e 7h30min. Caramba!
(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta e ambientalista desde 1977.


