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MAIS DE UM TRILHÃO DE ABELHAS DIZIMADAS: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM RISCO

            Nos últimos 05 (cinco) anos, conforme pesquisas e levantamentos de órgãos governamentais e não governamentais, o uso abusivo de agrotóxico e pesticida provocou a morte de mais de 01 (um) trilhão de abelhas no Brasil. Este assunto tem sido divulgado de forma acanhada em jornais, mas já chegou aos círculos científicos merecendo artigos publicados em revistas científicas. Por aqui, o ambientalista Hélcio Totino alertou para o fato há mais de 05 (cinco).                                                                                                                                                

           Na edição nº 7393 do jornal “O Tempo”, com data de domingo, dia 12/3/2017, a principal reportagem é esta: “Risco de extinção de abelhas ameaça 1/3 dos alimentos”. Mais abaixo, no “bigode”, está escrito: “Ação do animal é responsável por 35% das colheitas”. Muitos alimentos, principalmente frutas precisam de polinização nas suas flores. A abelha faz isso. A extinção das abelhas coloca em risco outras espécies de árvores. Das 25 mil espécies de abelhas cerca de 07 (sete) mil estão na lista de extinção.                                                                   

          Precisamos participar de ações combatendo a proliferação de agrotóxicos e pesticidas. Partir para a Permacultura é o sinal para o desenvolvimento equilibrado. Permacultura é um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza. Surgiu da expressão em inglês “Permanent Agriculture” criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970 e tem princípios éticos: 01) Cuidar da terra, 02) Cuidar das pessoas; 03) Compartilhar excedentes.                                                             

           A questão das abelhas desaparecendo chegou a Harvard, nos Estados Unidos, uma das mais prestigiadas universidades do mundo. Os cientistas estão desenvolvendo, desde 2013, um bichinho voador com apenas 03 (três) cm de comprimento e 80 mg inspirado nas abelhas para, possivelmente, ajudar na polinização das plantas, caso os animais entrem em extinção. No Brasil, a bióloga e professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Generosa Souza Ribeiro estima que pelo menos 15 mil colméias tenham sido extintas nos últimos 05 (cinco) anos, só naquela região da Bahia. No Brasil pode ter chegado a 01 (um) trilhão.                        

          Dados coletados por organismos técnicos confirmam que não existe forma segura de aplicar agrotóxicos. O doutorando em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Abreu afirmou que pesquisas já mostram que resíduos de químicos foram encontrados no leite materno. Além das abelhas, os agrotóxicos têm levado malformações em sapos e infertilidade em outros animas aquáticos.                                                                                        

         Além da polinização, a abelha produz mel e própolis, alimentos saudáveis. Própolis é remédio eficaz no combate a viroses e mel é alimento dos Deuses.  As mais antigas referências à colheita e extração de mel são 5.000 anos atrás. A introdução das abelhas no Brasil foi atribuída aos jesuítas no século XVIII, nos territórios que hoje fazem fronteiras com o Uruguai, no noroeste do Rio grande do Sul. Diversos outros fatores, além dos agrotóxicos estão ajudando no extermínio de abelhas: variações sazonais de temperaturas, vibração de motores, odores fortes, movimentos bruscos e cores escuras. Sem as abelhas, o mundo perde frutas, vegetais e dinheiro.                       

        Como assíduo freqüentador do Parque Natural Municipal Tancredo Neves (Passa-Cinco) pude atestar a veracidade do sumiço das abelhas e a conseqüente perda de duas espécies, que praticamente desapareceram naquela Unidade de Conservação: o maracujá do mato e o olho-de-boi.  As abelhas do Parque morreram em função de agrotóxicos que foram despejados nas lavouras de cana de açúcar do entorno. Dados que impressionam: 85% das plantas do Planeta dependem dos polinizadores para serem fecundadas e 35% das colheitas são afetadas pela falta de abelhas. Elas respondem por um 1/3 do que comemos.                                                               

          Um pensamento que emociona e espanta, atribuído a Albert Einstein (1879-1955): “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução de flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.”

          

          (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 1977.

 

                Este artigo foi originalmente publicado na edição do dia 17/03/2017 no jornal Líder Notícias

                                                                                      

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