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MINHA HOMENAGEM A “SÔ BIRÚ” DO FOTO MARQUES

 

                        

             Conheci Sô Birú na década de 70, quando vinha vindo para Ponte Nova. Meu contato com a família Marques começou bem antes de conhecer Sô Birú. Conheci Domingos e Dangel (Angélica) no Grupo de Jovens da Igreja Católica. Dangel, muito inteligente, virou uma exímia professora de inglês. Repassava conhecimento para todos nós. Já Domingos Sávio, mais atirado e inquieto, juntou-se a mim na construção de uma horta no Asilo Municipal. Com o passar do tempo, fui trabalhar na Rádio Sociedade Ponte Nova depois de passar em concurso para locutor.

               A Rádio Ponte Nova estava abrigada em um cômodo do prédio da Associação Comercial. Nos fundos e ao lado funcionava o estúdio fotográfico em que trabalhavam Celsinho e Paulo Birú, e pouco depois Domingos, que não desistiu de fotografar, mas enveredou-se pelos caminhos da advocacia. No prédio da Associação trafegavam sócios da entidade, que mantinham um salão e um escritório. Consequentemente, os sócios eram fregueses do Foto Marques.

             Sô Birú confunde-se com a história da fotografia em Ponte Nova. São mais de 7 décadas de 3 x 4, 6 x 5 e álbuns de fotografias de P & B e depois colorido. Sô Biru viu a evolução da foto digital e assimilou com sua inteligência. Vez por outra, resmungava que fotografar antes era melhor. Mas, isso muito pouco.

            Minha relação com a família foi crescendo, frequentava a casa com a sempre cordial recepção de Dona Terezinha. Mulher firme e companheira de todas as horas. Na minha relação ganhei dois pseudônimos. Celsinho me chamava de Don Corleone e Paulo Biru de Dom Ricardo Demoplat. Toda esta intimidade era vista com muita alegria e satisfação por Sô Birú. Mesmo quando alguém resolveu afrancesar o nome de Paulo para Paul D Biru. Sô Biru nem ligou, achou graça.

            De Nazaré recordo sua forma tranquila e engajada de ser educadora. Gilberto completa a família, que foi forjada na têmpera e energia física insuperáveis de Sô Biru. O homem era simplesmente um whorkalohic. Trabalhava muitas horas a mais que os filhos. Chegava de madrugada no Foto Marques.

            A história da Família Marques, comandada por Sô Birú e Dona Terezinha se confunde e ajudou a concretizar a existência da Rádio Ponte Nova. Foram mais de 20 anos no mesmo prédio. E mais: a Rádio faturava pouco e por isto era muito comum os locutores “fazer” vale com Sô Birú e Paulo Birú. Os momentos de prosa e debates sobre filmes e política, aconteciam no estúdio, com o gerente da Rádio Arlindo Abreu, no centro das discussões com Sô Birú.

            A memória da fotografia em Ponte Nova é sempre lembrada quando se ouve falar na palavra Marques. Tudo isso com a alma atenta de Sô Birú. Que parte para outras paisagens, onde não se tiram fotos.

            Quando soube da desencarnação de Sô Birú me veio à memória grandes histórias vividas em nossa cidade, sempre registradas pelas lentes poderosas e equilibradas dos Marques.

          “Mas, papai do céu levou Sô Birú”, disse uma garotinha com os olhos rasos d’água. E a garotinha perguntou: “Paulo, tá chorando muito?”.

            Sô Birú, o senhor começa a subir no espaço volátil do céu. Seu cansaço diário e seu sofrimento acabaram. Mas a tristeza de sua lembrança vai ficar entre nós.

            Sô Birú, sua imagem será sempre um retrato em preto x branco na “parede da memória e será sempre um quadro que dó mais!”

            Vá em paz guerreiro da paz e luta! Vá descansar no Éden. Único lugar possível que merece tão nobre alma!

            Adeus, Sô Birú!

 

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