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Nelson Mandela morre aos 95 anos

Nelson Rolihlalha Mandela, de 95 anos, um dos maiores líderes sul-africano e reconhecido mundialmente pela luta contra o racismo, morreu nesta quinta-feira (5), em Johannesburgo.

O ex-presidente da África do Sul estava submetido a cuidados intensivos em sua casa desde 1º de setembro, quando recebeu alta depois de três meses internado devido a uma infecção pulmonar.

No dia 17 de novembro, a ex-mulher de Mandela falou aos jornais e explicou que ele estava “muito doente” e incapaz de falar por causa de tubos que mantinham seus pulmões sem fluido.

Mandela nasceu no dia 18 de julho de 1918, em Mvezo, uma pequena vila do Distrito O.R Tambo, na província de Cabo Oriental. Ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul, de 1994 a 1999, é considerado o mais importante líder da África Negra e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

VIDA PESSOAL

1925
Nascido Rolihlalha Mandela, passou a se chamar Nelson depois de começar a frequentar a escola primária, perto de Qunu. Era costume que os professores dessem nomes “cristãos” para as crianças.

1941
Mandela nasceu em uma família da nobreza tribal onde, possivelmente, viria a ocupar cargo de chefia. Mas, aos 23 anos, fugiu de um casamento arranjado e foi para a capital Joanesburgo, onde se tornou vigia noturno e trabalhou como assistente no escritório de advocacia Witkin, Sidelsky & Eidelman ;

1944
No ano em que fundou a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANC), Mandela se casou com com Evelyn Ntoko Mase, com quem teve quatro filhos: Thembekile (1945); Makaziwe (1947 – que morreu aos nove meses); Makgatho (1950) e Makaziwe (1954).

1958
Se divorciou de Evelyn Mase e casou-se com Nomzamo Winnie Madikizela, também ativista antiapartheid, com quem teve duas filhas: Zenani (1959) e Zindzi (1960).

1969
Seu filho mais velho, Thembi, morreu em um acidente automobilístico.

1993
Mandela e Frederik Willem de Klerk foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz, pelo trabalho pelo fim pacífico do regime do apartheid e por estabelecerem os princípios para uma nova África do Sul democrática.

1996
Se divorciou de Winnie Mandela, cuja a relação já havia terminado em 1992. Na época, Winnie acabou expondo seus erros.

1998
Em seu aniversário de 80 anos, Mandela se casou com Graça Machel.

2001
Foi diagnosticado com câncer de próstata.

2004
Anunciou que abandonaria a vida pública

2005
Seu filho Makgatho morreu em decorrência da AIDS

2010
Sua bisneta Zenani foi morta em um acidente de carro no dia da festa de abertura da Copa na África do Sul.

11 de julho
Fez uma aparição surpresa no Soweto no dia da final da Copa do Mundo

2011
– Janeiro

Foi internado em Joanesburgo, onde foi diagnosticado com uma infecção no peito. Recebeu alta após duas noites

– Junho
Lançou o livro Nelson Mandela por ele mesmo: O Livro das Citações

2012
– 25 de fevereiro
Internado com dores abdominais, teve alta após uma noite

 

TRAJETÓRIA POLÍTICA

1942
Começou a participar informalmente do Congresso Nacional Africano (ANC)

1948
Foi eleito secretário nacional do ANCYL, a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano.

1951
Foi eleito president da ANCYL.

1952
Apresentou a Campanha de desafio contra leis injustas em conferência em Bloemfontein, na África do Sul. Foi preso e condenado com JS Moroka, Walter Sisulu e outras 17 pessoas por supressão das leis do Comunismo. Sua sentença de nove meses de prisão com trabalhos forçados foi suspensa por dois anos. Eleito vice-presidente da CNA, abriu, com Oliver Tambo, o primeiro escritório advocatício negro do país .

1955
Observador do Congresso do Povo em Kliptown, lançou a Carta da Liberdade.

1956
Foi preso com mais 155 pessoas por traição. Todos foram absolvidos em 29 de março de 1961.

1960
– 21 de março
Massacre de Sharpeville: O Congresso Pan-Africano realizou protesto pacífico em Sharpeville, uma cidade negra nos arredores de Johannesburg, contra a Lei do Passe, que obrigava os negros da África do Sul a usarem uma caderneta que registrava onde eles poderia ir. Os cinco mil manifestantes que se reuniram na cidade marcharam pacificamente até serem contidos pela polícia sul-africana com rajadas de metralhadora. Morreram 69 pessoas e cerca de 180 ficaram feridas.

– 08 de abril
ANC foi proibido e Mandela ficou preso até o ano seguinte, quando passou para a clandestinidade

1961
Em resposta ao Massacre de Sharpeville, Nelson Mandela decidiu se empenhar na formação do “Lança de uma Nação”- também conhecido pela sigla MK – um braço armado do ANC, que teve Mandela como o primeiro comandante chefe.

1962
– 11 de janeiro
Deixou o país para treinamento militar e, junto com Oliver Tambo, começou a angariar apoio para o ANC. Após a temporada de treinamento, Mandela retornou à Africa do Sul especialmente para relatar seus aprendizados para os líderes do ANC e do MK .

– 5 de agosto
Mandela é detido, junto com Walter Sisulu, perto de Howick em KwaZulu-Natal. Julgados por descumprimento da ordem de restrição, foi condenado a cinco anos de prisão.

1963
– 11 de julho
Estando detido na prisão local de Pretoria, a polícia invadiu o esconderijo situado em Rivonia. Ali, Mandela estivera escondido, disfarçado, na fazenda Liliesleaf. Além das prisões de seis membros do ANC, foram apreendidos papéis e anotações comprometedoras de Mandela.

– Outubro
Julgamento de Rivona: Tomando por base documentos encontrados que incriminavam os réus, dentre eles um referente à guerrilha, bem como anotações sobre guerrilha e seu diário de viagem pela África de 1962, Mandela foi acusado pelos promotores Percy Yutar e A. B. Krog.

1964
– 12 de junho
Todos, exceto Rusty Bernstein e James Kantor, são condenados e sentenciados à prisão perpétua

1982
– 31 março
Mandela, Sisulu, Raymond Mhlaba e Andrew Mlangeni e, posteriormente, Ahmed Kathrada são enviados para a prisão de segurança máxima de Pollsmoor.

– Agosto
Sua companheira de lutas, Ruth First, é assassinada com uma “carta-bomba” durante exílio em Moçambique;

1985
Mandela rejeitou a oferta do então Presidente sul-africano Pieter Willem Botha, que prometia liberdade em troca do abandono à luta armada. Em fevereiro de 1985, declarou: “Quem deve renunciar à violência é o Botha. Que diga que vai acabar com o apartheid”.

– 3 de novembro
Mandela operou a próstata e, na volta, foi informado que não retornaria para a cela comum e ficaria isolado dos demais

1987
As eleições entre os brancos de 1987 voltam a conduzir o Partido Nacional ao poder (com 82% do eleitorado), mas apesar desse apoio ao instalador do apartheid, as negociações de Botha seguem seu curso e Mandela é levado para fora da prisão em viagem através do país, num carro blindado, para que o conheçam depois de duas décadas encarcerado; ninguém o reconhece, pois sua última foto fora publicada em 1962

1988
Diagnosticado com tuberculose, foi transferido novamente – desta vez para a prisão de Victor Verster, onde ocupou um bangalô, com direito a um cozinheiro particular e piscina.

1990
Depois de passar 27 anos encarcerado, Mandela é foi libertado, no dia 11 de fevereiro.

1992
Em julho de 1992, foi realizado um referendo entre os brancos, que deram ao governo, com mais de 68% de votos, o aval para as reformas e realização de uma futura constituinte.

1993
– Abril
Enquanto Mandela visitava sua terra natal no Transkei, Chris Hani, chefe do MK e opositor ao espírito conciliador de Nelson, foi assassinado. Tudo levava a crer que os ânimos, já exaltados, explodissem em revoltas. Mandela, e não o presidente de Klerk, foi à televisão naquela noite pedir calma à nação.

1994
– 9 de maio
Foi eleito, pelo Parlamento, o primeiro Presidente de uma África do Sul democrática

1999
– 16 de junho
Com o fim do seu mandato, Mandela fez de seu sucessor, o experiente deputado Thabo Mbeki, seu protegido.

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