Brasília. Na solenidade dos 20 anos do Plano Real, ontem, em Brasília, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves usaram a tribuna do Senado para fazer ataques à política econômica do atual governo. Em tom eleitoral, os discursos dos tucanos defenderam mudanças na economia e a necessidade de renovação.
Em um discurso bastante aplaudido, Fernando Henrique afirmou que o atual governo vive com os “olhos no passado”. O ex-presidente afirmou que o Brasil está avançando, mas defendeu que chegou o momento de o país tomar novos rumos. “Nós ainda estamos com os olhos no passado”, disse. Ele destacou que a economia contemporânea requer inovação. “Nós descuidamos disso. Estamos sentindo que está pulsando e que é preciso de uma nova palavra para abrir novos horizontes para o Brasil”.
Fernando Henrique disse ter sido criticado durante suas gestões porque não foi aprovada uma ampla reforma política. Mas, numa crítica direta ao governo Dilma Rousseff, disse que o momento chegou diante do quadro de fragmentação partidária. “Agora não dá mais, não dá mais, não é possível conviver com 30 partidos e 39 ministérios. É a receita para a paralisação da administração”.
Para ele, o país vem perdendo o momento da fartura de capitais. “É preciso ter coragem para dizer as coisas, sem agressividade, mas com clareza: já está passando da hora, há momentos em que é preciso renovar”, afirmou.
Em vários momentos, o ex-presidente atacou indiretamente Dilma Rousseff, recorrente alvo de queixas de empresários e investidores, ao dizer que “um líder que não desperta confiança não é líder”. “Um líder democrático convence, explica, ouve; tem que ter humildade para ouvir”, afirmou.
Aécio Neves seguiu o mesmo tom de críticas ao governo ao dizer que “é preciso derrotar nas urnas as mentiras e os pactos de conveniência”. “Se já realizamos essa transformação uma vez, quando tudo parecia impossível, será possível fazer isso mais uma vez em favor do povo brasileiro”, disse o senador.
Campanha. O ex-presidente afirmou que espera uma campanha eleitoral acirrada, no entanto, disse torcer para que não ocorram baixarias. “Toda campanha é sempre acirrada, mas espero que não seja de insultos nem de dossiês falsos. Mas toda campanha tem de ter emoção, senão não transmite nada”.
O Tempo
Ex-ministra rebate com mais críticas 

