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Novas reflexões sobre a gravidez

Novas reflexões sobre a gravidez

 

     A gravidez é na vida de uma mulher, de um casal, de uma família, um momento de grande riqueza e de profunda complexidade. Em nossa sociedade é frequentemente considerada um momento privilegiado, período durante o qual a mulher vive um pleno “desabrochar”. Conceito esse que desconsidera o momento de crise pelo qual a mulher passa, ao se transportar do lugar de filha para o lugar de mãe, ao assumir a maternagem (cuidados com o bebê) em si.

     Os significados de cada gravidez só podem ser decodificados dentro do contexto que apresenta na história de cada um.

     Um filho pode ser, inicialmente, o desejo de uma mulher, de um homem, de um casal e do encontro desses desejos nascerá um terceiro desejo, que é o desejo de vida do feto.

     Desses encontros vai nascer um projeto. Esse projeto, seja consciente ou não, faz parte da pré história do filho. Como ele foi concebido? Em que contexto? Ele foi previsto? Ardentemente desejado? Longamente esperado? Foi uma surpresa divina ou uma amarga decepção? Uma fonte de euforia? Ou de angústia? Seja qual for a configuração, essa origem marcará a criança e fará parte de sua história, às vezes conscientemente, mas com certeza e sempre inconscientemente.

    Não existe gravidez ideal. Cada uma delas é vivenciada com maior ou menor alegria e ou dificuldade. Algumas mulheres vivem um sentimento de plenitude, outras vivem um estado de angústia. Pois embora em nossa sociedade a gravidez seja considerada como um momento privilegiado da mulher, existe na verdade uma sobrecarga de funções para essas mulheres, que resolvem assumir a maternidade, que muitas vezes pode gerar estresse.

   Essa gravidez poderá ser percebida como um “peso” extra na vida da mulher, que desta sensação passa sem perceber ao sentimento de culpa, que não pode nem mesmo ser verbalizado pela gestante, já que existe uma supervalorização da gestação pela sociedade. Assim, como uma grávida pode se sentir “livre” para falar de seus sentimentos de ansiedade pela chegada do bebê, do “medo” de não conseguir atender as necessidades desse bebê, de não “conseguir” ser uma “boa” mãe, da preocupação com o afastamento temporário ou definitivo do mercado de trabalho, da alteração na relação com o pai do bebê… Tantas e tantas questões que ficam reprimidas… Não ditas… E os sentimentos não ditos, não falados, “desabafados”, refreados pela racionalidade extravasam no corpo e nas relações interpessoais de alguma forma. Através das somatizações viram doenças do corpo e da alma.

    Portanto, vamos nos libertar dos “freios” sociais e nos permitir falar das coisa boas, que são muitas, mas também das coisas não tão boas que advém com a gravidez e do que ela representa em nossas vidas.

Fale sinceramente de seus sentimentos com uma pessoa de sua confiança, escolha alguém que irá te escutar sem julgamentos, pode ser um familiar, uma amiga, o pai do bebê, seu/sua obstetra, etc. O objetivo não é alguém que irá te “dar conselhos”, somente te escutar sem julgamentos e recriminações. 

   Permita-se buscar ajuda de um profissional especializado, treinado para escutar as questões emocionais, avaliá-las e tratá-las da maneira adequada. Com técnicas, com “ferramentas” próprias da profissão, apreendidas durante sua formação acadêmica, esse profissional é o psicólogo(a).

   Fazer terapia não é “bater papo”, não é “desabafar” e muito menos ainda “coisa para doido”.

   Fazer terapia é buscar autoconhecimento, é permitir conhecer-se internamente com a ajuda de um profissional capacitado para isto. É investimento em si mesmo, em sua saúde mental, em qualidade de vida de uma maneira geral, pois se a mente está saudável, isto irá se refletir em todos os aspectos: físico, social, profissional, familiar…

   Fazer terapia é acima de tudo se gostar, se colocar em primeiro lugar. Em última análise é exercer efetivamente os valores cristãos. Pois: “Amar ao próximo como a si mesmo” é um imperativo, uma ordem para se gostar, pois se você não se ama, como pode “amar ao próximo como a si mesmo”?

   Assim, se colocar em primeiro lugar não é de maneira alguma egoísmo. É simplesmente seguir o maior ensinamento cristão. Pois para gostar do outro temos primeiro que gostar de nós mesmos, não é? Isto todo mundo sabe e repete sem parar e até sem pensar! Então vou finalizar com mais uma “pérola da cultura popular”, que todo mundo sabe e fala, mas poucos fazem: “quem se ama, se cuida”!

 

                                                                                          Shênia Chaves

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