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A síndrome nos negócios

Quanto vale uma marca, uma patente, um slogan?

A visão comercial

A sustentabilidade do negócio – Algumas regras e costumes de empresários Brasileiros.

Uma visão minha pessoal, modéstia à parte tridimensional que se justifica da seguinte maneira:

Meu primeiro campo de observação foi minha experiência trabalhando como funcionário em pequenas, médias e grandes empresas. A segunda etapa desse aprendizado foi exercendo a profissão de contador, elaborando contas, fazendo lançamentos fiscais, auditorias e conciliações de contas, fechando e assinando balanços e porque não dizer, pra sobreviver, fazendo algumas manobras escusas, para fechar o ativo e passivo e pagar de imposto de renda, aquele valor pré-determinado. Vale lembrar que naquele tempo, no lugar do ICMs, era o IVC, imposto sobre vendas e consignações, cuja taxa, pasmem era de apenas 2,5% e todo mundo chiava e já chamava o governo de ladrão.

E também logo a seguir,  como executivo de uma grande empresa, o que me colocou num outro patamar mais privilegiado e que me permitiu acesso a alguns “segredos” e contatos com autoridades, etc. já o terceiro campo de visão foi a de um observador com o titulo de pequeno empresário na área de serviços fazendo o trabalho de triangulação de vendas entre o produtor e o comerciante o que me permitiu ampliar conhecimentos de vendas e “marketing”.

Algumas anotações pessoais que pude destacar ao longo da minha convivência com esse mundo fantástico que a gente chama de “mundo dos negócios” é que me inspiraram a elaboração desse modesto texto.

 Especialistas que geralmente assinam páginas de revistas gostam muito de “norte-americanizar”  epigrafando o bordão “business Word”  como se vivêssemos na terra dos comedores de hambúrgueres e as análises e obviamente a poderosa FIESP,  e que espertamente produz um programa em Rede de TV intitulado “Pequenas empresas e grandes negócios” usam as taxas que pagam, ou recuperam-nas via acordo sujo com o governo no tempo dos militares, promovendo ensinamentos de conveniencia dogmatizando esses pequenos aventureiros para “ajudá-los” na árdua tarefa de sobreviver como empreendedores (que nem sempre são) e aproveitando o ensejo, fazem a espionagem e garantem o jornalismo mercenário defendendo interesses políticos que obviamente se misturam. Vale dizer que a espionagem não é declarada e pode ser considerado um absurdo, uma pretensão desse autor que vive e respira a chamada “teoria da conspiração”, segundo alguns espinhos que já povoaram nosso Pontenet.

Mas dentro desse contexto, posso dizer que geralmente a vaidade de um pequeno empresário, está ou começa pela elaboração de um cartão de visitas onde ele imprime orgulhosamente o titulo de diretor. Se houver um sócio melhor ainda, porque êsse titulo de diretor pode ser valorizado com uma emenda que pode resultar em Diretor industrial e diretor Financeiro. Se for uma empresa de transportes pequena, mesmo que ele tenha um único caminhão e seja o próprio motorista, no cartão poderá estar escrito o pomposo titulo de diretor de logística.  Acreditem, isso existe. O sistema capitalista alavanca esses exageros em forma de vaidades tontas.

Se ele for um evangélico, daquele que sonega escancaradamente os impostos Federais, municipais e Estaduais, com certeza não sonegará os 10% dos dízimos e na porta do seu estabelecimento ele cravará uma pomposa placa, onde orgulhosamente afirma: “Até aqui, Jesus me ajudou” e com certeza no cartão de visita a mentirosa e inútil inscrição “Jesus te ama”, como se isso realmente fosse importante na vida de um comerciante, como se isso fosse relevante em negócios. Existe uma diferença que eu descobri entre o empresário evangélico e o empresário católico: O primeiro, adora Jesus, acima de Deus, o que obviamente é uma incoerência. O segundo, mesmo mergulhado na fé cega,  posta uma placa mais coerente.

Como nasce uma pequena empresa: Pode ser da iniciativa de um pequeno ou grande capitalista que pode saber o que quer ou pode ser um tonto.

Se ele sabe o que quer, a primeira coisa que ele aprende ou é estimulado é a praticar o ato de sonegar. No Brasil, isso é fácil a partir do primeiro documento de constituição da empresa registrado na Junta comercial do Estado onde ele reside e lá você pode registrar a sua empresa, em nome de outros. Ninguém pergunta porquê na Junta comercial, ou seja, na origem, no nascedoouro, ninguém questiona e geralmente o contador faz tudo direitinho. Feito isso, o fiscal vai ao local para aprovar as instalações, enfim aquele ritual de faz de conta e lá ele procura o Joaquim (dono da empresa (de direito), mas fala com o João, dono da empresa (de fato).

Feito isso, consideremos o inicio das atividades que geralmente não são embasados em alguma lógica de mercado, ou pesquisa, onde um determinado segmento esteja carente, ai com certeza aquele empreendedor vai alcançar o sucesso desejado. No Brasil, acontece o contrário, o sujeito monta o seu próprio negocio exatamente em cima do segmento que é o chamado bola da vez, ou seja, se todo mundo está ali vendendo bem, uma camisa amarela, com bordados azuis na manga esquerda, ele vai fazer exatamente igual. Vai montar uma loja de roupas, para vender camisas amarelas e com bordados azuis. Ai acontece a saturação, porque ele não entrou pra inovar, fazer algo diferente e por isso ter sucesso. Ele vai a falência ou tem que fazer bruscas mudanças corridas, impensadas e metade do seu capital de giro, reserva, vai embora ou então ele fecha dando prejuízo ao fornecedore que eventualmente lhe tenha concedido credito.

E quando ele resolve adotar uma franquia. Pessoalmente sei de casos em que o sujeito ganha muito dinheiro, se escorando numa marca famosa, mas a pergunta é: Pelo menos depois de algum tempo, será que ele não desconfia que pode parar de pagar royalties e andar com as próprias pernas, considerando que seu investimento e seu ponto comercial já estão consolidados? Porque será que ele tem capital, capacidade para investir em maquinário, moveis e utinsilios, administrar funcionários, treina-los, enfim gerenciar a empresa como um todo e vai ficar ali feito bobo pagando mico, ou seja, pagando uma parte dos seus lucros para o dono da marca?

 

Mas… se o seu negocio for prosperando, prosperando e honestamente você vai crescendo, ganhando nome e passa a ter uma vida tranqüila, cuidado com a chegada dos filhos, genros e noras. Todos eles poderão pretender um cantinho aconchegante no seu negocio e mesmo que a função seja de aprendiz, ou mesmo que depois de algum tempo ele não tenha aprendido nada, por falta de interesse, ou porque não tem o talento necessário, uma coisa é certa, o salário igual o seu ele sem duvida vai querer e ai, sem perceber você pode entrar na canoa furada e sua pequena empresa vai inchar de tal forma e o perigo é ao invés do famoso “meã culpa”, você vai fazer como a maioria: Põe a culpa no governo.

Algumas reflexões nesse sentido, valem a pena serem exercitadas, por quem já está no mercado e principalmente para aquêles que aspiram um dia dispensarem o status da carteira assinada com todas as garantias trabalhistas.

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