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Oportunidade para uns, abuso para os atrasados

Apesar da quase certeza de que o Brasil passaria em primeiro lugar no grupo A da Copa do Mundo e de que o time de Felipão faria o jogo das oitavas de final no Mineirão, muitos torcedores preferiram não comprar o ingresso para a partida por motivos diversos.

Agora, com a disputa entre Brasil e Chile, no Mineirão, nesta sexta, muitos tentam correr atrás de um bilhete para ver, ao vivo, o jogo que deixará uma das seleções entre as oito melhores do mundo.

Um deles é o advogado e professor universitário Davidson Malacco. Após ir ao jogo entre Bélgica e Argélia, na capital mineira, ao lado do filho Pedro Henrique Ferreira, 8, ele sensibilizou-se com o pedido do primogênito de querer ver o Brasil em terras mineiras. Seu limite de oferta é de R$ 1.200 por tíquete. No entanto, as ofertas que veem são muito superiores à sua pretensão inicial.

“A ansiedade dele é grande, mas não posso incentivar algumas práticas exageradas”, comenta Malacco, que conta com a compreensão de Pedro.

Pelas redes sociais, o advogado tenta encontrar possíveis vendedores de dois bilhetes. Além disso, ele acessa, constantemente, o site da Fifa, em diferentes horários, sem muito sucesso.

Ofertas não faltam para Malacco, mas ele não está disposto a pagar valores que considera absurdos. “Vi gente oferecendo ingressos entre R$ 2.700 e R$ 5.000. Se eu comprar, estarei comungando com esse tipo de atitude. São valores fora do padrão, mesmo para setores mais baratos, que foram comprados inicialmente por R$ 110. É um abuso”, protesta.

Conhecedor das leis brasileiras, Malacco lembra que tal tipo de atitude é recriminada pelo Estatuto do Torcedor. “O Artigo 41 diz que é crime vender ingresso por preço superior ao praticado pelo site. Não penso em fazer denúncia, mas é público e notório que muitos estão fazendo isso”, relata.

Outro que procura por ingressos é o jornalista João de Castro e cerca de dez amigos. Depois de ficar em dúvida se comprava ingressos antes do torneio, ele preferiu esperar a Copa começar para ir à procura. “Acabei me dando mal. Pago até o triplo do valor original, mas o que estou vendo, nas ofertas, são preços astronômicos”, comenta. Para ele, muitos dos que estão vendendo são pessoas que ganharam ingressos e aproveitam a procura para tentar lucrar.

Castro ainda indica que alguns dos que conseguiram comprar pela internet também usaram de má-fé. “Tive informação de que muita gente instalou programas que conseguem ‘furar a fila’. Acho que não vou conseguir ir a este jogo, infelizmente”, projeta.

Comerciante vendeu para evitar prejuízo

Enquanto alguns procuram, desesperadamente, por ingressos, dispostos a gastar uma quantia considerável, outros acabaram lucrando com o jogo entre Brasil e Chile. O administrador Matheus Daniel possui um restaurante e, num lance de sorte, ganhou dois ingressos, em uma promoção, há cerca de duas semanas.

Pouco envolvido com a Copa, evento que ele não apoiou desde o início, ele preferiu vender os dois bilhetes por R$ 5.000 e investir o valor como capital de giro no restaurante que possui. “Nem cheguei a anunciar na internet. Falei com amigos e conhecidos e não demorou para interessados aparecerem”, comemora.

Depois de se arrepender de não comprar ingressos, de forma antecipada, para a final da última Libertadores, quando o Atlético, seu clube do coração, foi campeão dentro do Mineirão, ele garante que a mesma situação não se repetirá na Copa.

“O torneio serviu mais para enriquecer o bolso de uns do que para beneficiar o país. Teremos mais dívidas do que legados. A Copa não foi boa para o Brasil, tínhamos condições de fazer muito mais. O número de estádios é somente um exemplo. Para que 12, e não oito? A Copa também influenciou para que o movimento do meu negócio caísse, e tive que buscar uma alternativa para evitar prejuízos”, afirma o comerciante.

 

O Tempo

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