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Ouro Preto vai testar sistema de alarme para deslizamento

A partir do primeiro semestre do ano que vem, Ouro Preto, na região Central do Estado, começa a testar um sistema de alerta para avisar moradores sobre o risco de deslizamentos de encostas. Uma sirene deve avisar ocupantes de áreas mais críticas para que eles deixem seus imóveis quando houver perigo, assim como ocorre hoje no Rio de Janeiro. Um protótipo do aparelho está sendo desenvolvido pelo Instituto Geotécnico (Igeo) em parceria com a prefeitura.
 

A medida é necessária, considerando que 66% do território de Ouro Preto é classificado pelo instituto como área de risco alto ou muito alto. No entanto, o recurso chega com ao menos dois anos de atraso. Desde 2011, o Igeo monitora as regiões com maior potencial de deslizamentos e encaminha as informações à prefeitura. O que não impediu que em janeiro do ano seguinte dois taxistas morressem soterrados na rodoviária.

“Os locais de escorregamentos naquele ano já constavam no nosso mapeamento, eram áreas conhecidas que poderiam ter sofrido intervenções públicas que minimizassem as consequências”, conta o presidente do Igeo, Michel Fontes.

Mesmo com o episódio, o município ainda não conta com nenhum sistema de acompanhamento em tempo real de movimentações de terra ou de alerta imediato aos moradores. “O que temos são 15 aparelhos instalados na década de 90 em áreas próximas a patrimônios artísticos e culturais para protegê-los. Mas, em relação ao que realmente importa, a população, não há nada”, completa Fontes.

Os dados fornecidos pelos equipamentos são coletados a cada 15 dias. Além disso, o monitoramento só ocorre no perímetro urbano, desconsiderando zonas rurais e distritos.

Silêncio. A reportagem procurou a prefeitura, que não se posicionou. Já a Defesa Civil confirmou que os recursos de alerta para os moradores ainda são precários.

 

Perigo

Frágil. Segundo o Igeo, basta chover 120 mm em cinco dias para que a chance de deslizamento nas áreas de risco alto ou muito alto seja de 92%. Na última sexta-feira, choveu 80 mm em duas horas.

Levantamento de moradores em risco só a partir de 2014

Apesar de o levantamento do Igeo mostrar que 66% do território de Ouro Preto é considerado de risco alto ou muito alto, prefeitura e Defesa Civil não souberam informar quantas pessoas vivem hoje nessas regiões.

“A partir do mês de junho de 2014, quando acabar este período chuvoso, vamos começar este mapeamento”, informou o coordenador da Defesa Civil, Sebastião Bonifácio.

De acordo com o órgão, 35 famílias foram retiradas preventivamente de suas casas neste ano. Outras quatro ficaram desabrigadas no temporal da última sexta-feira.

 
O Tempo

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