A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou que a empresa terá uma nova diretoria, de governança, para assegurar o “cumprimento de leis e regulamentos internos e externos”.
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A nova diretoria, a sétima, teve sua criação aprovada na sexta-feira (14), em decisão unânime do conselho de administração da companhia, e é uma das 66 medidas listadas pela estatal, que tem dois ex-diretores entre os investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por diversos crimes financeiros.
O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (17), durante a teleconferência de apresentação de resultados operacionais da companhia no terceiro trimestre. A empresa não vai divulgar o balanço contábil do período, que ainda não foi assinado pelos auditores externos independentes, como exige a lei.
“Nós mitigaremos riscos assegurando, pela companhia, o cumprimento das leis e regulamentos externos e internos. O respeito técnico é uma conquista de muitos anos. Gostaria de ressaltar a importância que é ter uma diretoria de governança, porque queremos mais que o reconhecimento técnico que conquistamos. Nós queremos também o respeito pela governança da nossa companhia, a Petrobras”, disse Graça.
A presidente não anunciou quem vai ser o titular da nova diretoria. A empresa tem também as diretorias de Exploração e Produção, Abastecimento, Gás e Energia, Engenharia, Serviços e Internacional.
A presidente da Petrobras disse ainda que estuda medidas jurídicas para o ressarcimento de “recursos desviados, eventuais sobrepreços e para o ressarcimento dos danos à imagem da companhia”. Segundo as investigações da Polícia Federal indicam que recursos a título de propina foram pagos a diretores e políticos por empreiteiras, em troca de contratos com a petrolífera.
“Onde houver prejuízo vamos buscar [ressarcimento desses prejuízos], para que haja reforço no caixa da companhia”, frisou a executiva. “Temos sido bastante cobrados, para buscar receber de volta aquilo que pagamos além do normal, do previsto e do razoável”, frisou Graça Foster.
Balanço
O anúncio ocorre após a Petrobras adiar a divulgação do balanço do terceiro trimestre na semana passada.
A estatal deveria ter publicado todas as informações até a última sexta-feira (14), como determina a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas adiou porque a auditoria responsável por assinar suas demonstrações, a PwC, recusou-se a fazê-lo, devido a denúncias de corrupção na estatal.
A auditora está à espera de informações que permitam avaliar o impacto das denúncias no patrimônio da empresa.
Para tentar atenuar o impacto da crise criada pelo adiamento da divulgação do balanço, a Petrobras antecipou, em anúncio de página dupla publicado em jornais neste sábado (15) e domingo (16), o fornecimento de dados sobre seu desempenho operacional. Aproveitou para esclarecer as providências tomadas para apurar as denúncias de corrupção levantadas na Operação Lava Jato.
Na sexta-feira (14), a empresa havia informado que apresentaria informações em teleconferência para analistas e investidores nesta segunda-feira (17) pela manhã. No entanto, no evento não foram fornecidos dados financeiros, como patrimônio, receita, lucro e dívida.
Baixa de ativos
A baixa de ativos vai considerar, segundo Graça, os depoimentos dos delatores à Justiça.
“Os depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do senhor Alberto Yousseff [presos na Operação Lava Jato que relataram à Justiça esquema de corrupção na empresa] anunciaram um conjunto de informações que podem levar a possíveis ajustes nas demonstrações contábeis da nossa companhia. Por conta desses depoimentos, há necessidade de maior tempo para procedermos aos possíveis ajustes dessas demonstrações contábeis.
Por isso, diz a executiva, a empresa “não está pronta” para apresentar as demonstrações contábeis. A data prevista da apresentação das demonstrações é 12 de dezembro.
Até lá, diz a executiva, haverá tempo hábil para que os escritórios de advocacia contratados pela empresa, um brasileiro e um americano aprofundem as investigações sobre o suposto esquema de corrupção. “Tudo isso é importante para aprimorarmos os controles internos da companhia”.
Depoimentos
Graça Foster afirmou que a revisão dos valores contábeis dos ativos vão considerar, para cálculo das possíveis baixas, os depoimentos feitos à Justiça pelos delatores Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e o doleiro Alberto Yousseff.
Nos depoimentos feitos em 8 de outubro, os valores citados eram 3% sobre os contratos, que seriam atribuídos a pagamento de propinas, para abastecimento de partidos políticos e dos agentes participantes dos esquemas.
“Em relação aos valores que vamos baixar de resultado, nossa referência são os depoimentos à Justiça. É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas. De forma objetiva, nossa referência são os depoimentos, provas encaminhadas à Petrobras pela Polícia federal. Nós usaremos essa prova para fazer essas baixas ano a ano, em relação às empresas A B C ou D que tenhamos contratado.
Atualizada às 14h38
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