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PASSA-CINCO: O PARQUE PRECISA SER OCUPADO

                

               Em 1982, a Lei Municipal nº 1.272 autorizava o Poder Executivo a criar o ParqueMunicipal de Ponte Nova “Passa Cinco“. O Monumento Natural, um dos mais importantes do município, do mesmo nível do rio Piranga, possui várias nascentes que dão origem a 05 (cinco) represas, uma delas, a primeira, que fica na entrada do Parque comporta mais de 01 (um) milhão de litros d’água.  A Unidade de Conservação foi legalizada fundiariamente em 2007, registrada em cartório em dezembro de 2008, com 255 ha (hectares).

             Existe ainda uma área superior a 24 ha que foi desanexada do Parque Natural Municipal. Nesta gleba está o Complexo Penitenciário do Passa-Cinco, uma horta em formação com 05 ha (cinco hectares) e uma nesga de mata. O resto é vegetação de antiga pastagem, que vem sofrendo com queimadas, degradando o solo e destruindo as árvores que teimam em resistir. Neste trecho, diversas tentativas de recuperação, com novos plantios. Recentemente foram introduzidas mais 1.000 mudas de árvores.

            O local já abrigou uma área de lazer (década de 1980) com pedalinhos, brinquedos de madeira de eucaliptos imunizados, restaurante e bar. Abandonaram o projeto até 1994, quando a área foi recuperada, mas novamente abandonada em 1995. Em 2003, muito dinheiro do Fundo Nacional de Meio Ambiente foi despejado para construir novas edificações. Dinheiro jogado fora, pois a área não foi destinada a nada. As construções estão desabando e tudo que existia dentro delas foi roubado: pias, vasos, janelas e telhas. O caos abateu-se sobre o Parque. Até o viveiro do IEF foi abandonado, desde 2012.

            Com um Plano de Manejo elaborado pela UFV/Universidade Federal de Viçosa, o Parque Natural Municipal Tancredo Neves precisa de uma nova ocupação, com novo olhar. Ali não se poderá implantar o que foi tentado e não deu certo. Agora, menos ainda. Com a implantação do Complexo Penitenciário e a trágica morte (assassinato) de Domingos do DMAES, o local adquiriu um estigma traumático. Pais de alunos da rede escolar têm receio de autorizar seus filhos para participar de Educação Ambiental naquele espaço de rara beleza e exuberante fauna e flora.

            O local pode ser ocupado de outras formas. Uma delas seria a implantação na área desanexada de plantio de goiabeiras e bananeiras, espécies que não comprometem o ambiente natural e pode gerar empregos para moradores do entorno. As frutas poderão ser vendidas para consumo e parte delas para fabricação de goiabada e bananada. As construções ainda existentes na antiga área de lazer seriam usadas para implantação de uma fábrica do produto. No início do projeto, os tratos culturais (plantio, poda e combate a formigas) seriam entregues aos presidiários que estão em regime semi-aberto.

            Mais ocupação: reforma da antiga estação de tratamento de água (que ficaria stand by, no caso de problemas na capação de água no rio Piranga). A construção de uma cascata com água clorada, na entrada do Parque, poderá melhorar o relacionamento dos moradores com a Unidade de Conservação. Hoje, abandonado, o Parque está entregue à sanha de predadores: “pegadores de pássaros”, caçadores, pescadores e vândalos, que acabam colocando fogo na mata.

Está na hora de ocupar o Passa-Cinco de uma forma que ainda não foi pensada!

 

           

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