Como jornalista, com uma carreira de mais de 30 anos no lombo, jamais vi algo parecido. O Governo de Minas, representado pelo vice-governador Alberto Pinto Coelho, fez algo inadmissível numa cerimônia regada com dinheiro público. Tudo aconteceu na quinta-feira, 26 de setembro de 2103, na sede da OAB, quando 50 prefeitos (seis não vieram) receberam recursos do ProMunicípio, para infraestrutura e aquisição de máquinas.
Danilo de Castro mostrou-se sóbrio no discurso, uma vez que sua imagem em Ponte Nova goza de alto prestígio. Ele, realmente, tem sido uma alavanca de distribuição de recursos para esta terra, com a retaguarda de Carlos Bartolomeu (que não esteve presente), Antônio Bartholomeu, Chico Augusto e Zezé Bueno, entre outros.
Primeiramente chamaram o prefeito Guto Malta para participar da mesa dos trabalhos, mas quem fez a assinatura em nome de todos foi o prefeito de Santos Dumont, Bebeto da Leiteria, que é do PP (mesmo partido do vice-governador). Para falar nome de todos os prefeitos, tiraram da algibeira o prefeito de Guarani, Paulinho Neves, que é do PV, base de apoio do governo estadual. Até aí, mesmo com deselegância cerimonial, admitia-se, pois em festa de jacu nhambu não entra.
O pior estava por vir, com a fala maniqueísta e absurda do presidente da Assembleia Legislativa, Diniz Pinheiro, que mais parecia um pavão enfeitado, andando de um lado para outro no palco. Transformou uma festa administrativa, com dinheiro público, em palanque de campanha para Aécio Neves. Uma desfaçatez, apostando na impunidade eleitoral. Mais ainda: fez um discurso sórdido contra o governo federal, chamando o Planalto de cínico e mentiroso, na cara do anfitrião Guto Malta, que não teve o direito de se manifestar.
Alberto Pinto, homem sábio e comedido deve ter criado constrangimento ao “galã Diniz de novela mexicana”, desmentindo-o. Disse que a concentração de renda no governo federal vem se acumulando ao longo dos tempos (incluindo os mandatos do tucano FHC). Ao contrário de Diniz Pinheiro, Alberto Pinto Coelho disse que o Brasil deu saltos de qualidade nos últimos governos federais, incluindo Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.
Não tenho procuração para defender o governo federal, mas como cidadão vi a melhora sensível Brasil nos últimos 14 anos. Tenho cá para mim que a grosseria do governo do Estado, junto com as aleivosias ditas pelo presidente da Assembleia, soaram como desrespeito ao povo de Ponte Nova, naquela tarde em que pararam o Centro Histórico.
Incensaram a figura de Milton Campos. Agradando a quem? Milton Campos nasceu em Ponte Nova porque em Viçosa não tinha hospital. Vá aos anais escritos pelo historiador Antônio Brant e ficarão sabendo que ele viveu alguns dias naquela casa ao lado da Igreja de Palmeiras. Foi governador de Minas e não trouxe nada para esta terra. Esqueci-me. Arranjou uma verbinha para a Policlínica. Em troca, os políticos a batizaram de Policlínica Milton Campos. Milton Campos participou ativamente das articulações que levaram ao golpe militar de 1964, que tirou João Goulart da presidência. Foi nomeado ministro da Justiça e Negócios Interiores pelo presidente Castelo Branco, demitindo-se em 1965, por não concordar com a edição do Ato Institucional Número Dois. Um estadista apoia Golpe Militar?


