As IMPUREZAS e AGRURAS VIDA
O ser humano que não se enquadra na condição de um alienado, está sempre elétrico e naquele conhecido e manjado “modus vivendus” do eternamente insatisfeito (linguagem chula de especialistas em auto-ajuda), estará sempre buscando seu objetivo aparentemente único e mais importante na vida que é a sobrevivência. Já o boçal, ou se esconde atrás de uma irresponsável e louca adrenalina, ou se manifesta vomitando asneiras, ou preservando a inacreditável astúcia para sobreviver como um equilibrista na neutralidade, ou como um parasita (sua principal característica) e justa exceção seja feita aos adolescentes que ainda não sabem o que dizem e são, numa linguagem comum, irados.
O boçal é um insignificante confesso: Calado, já está mais que errado. O espaço geográfico que ele ocupa é o mesmo de qualquer um de nós, (um desperdício da natureza) exceto quando ele se aglomera, o que lhe é peculiar.
Mas na cabeça daqueles que conseguem pensar, eles provocam o lobo frontal direito do cérebro e acionam o riso. Já numa ação inversa, ou seja, provocar risos num boçal, só mesmo cutucando o sovaco e assim você descobre que aquela região do corpo humano, não serve apenas para exalar o odor oriundo de um esforço físico na esfera da inutilidade.
Viver perigosamente ou com sensações estranhas parece ser a característica principal do “homo sapiens”, que afinal, por mais que evolua com toda a parafernália tecnológica, ela por si só, termina por gerar em cadeia, mais e mais desejos insaciáveis. E assim galgar o status de consumidor obsessivo não é mais uma doença curável, é irremediavelmente chic.
E quando a gente pensa que não há mais nada a inventar, sempre surge algo inédito, incrível, sempre distante da plena maturidade ou competência para se desgrudar das teias do capitalismo selvagem e o dinheiro vai embora na aquisição irresponsável futilidades.
Exatamente como se estivéssemos numa grande sala de cinema ou num auditório de teatro, é o palco da vida. Quem pode se dar ao luxo de exercitar a imaginação verá a humanidade fazendo seus ensaios laboratoriais com movimentos sincronizados e simétricos e absurdamente padronizados, na tentativa de esquecer o curto tempo de existência que ganhou de presente, não se sabe como e sequer porque, e correndo loucamente para vencer a batalha do nada, com mentiras e verdades ou com a impureza das certezas. Ser ou não ser, traduza-se aqui como Crer ou não crer. Mas os boçais, pulam, dançam, são felizes e fazem coreografias.
Se um de nós, como parte desse exército espetacular de semoventes, sairmos da ou de cena (uma parada brusca, por exemplo, morrer numa overdose de suco de eucalipto aquecido num cubículo chamado saúna) e nos colocarmos como expectador, veremos coisas inacreditáveis e talvez a reação mais correta e lógica fosse um turbilhão de gargalhadas, ao invés de choro compulsivo. E com base no raciocínio da mecânica quântica eu sou “observável” e se assim sou, existo. Será? Mas de fato, o que se pode perceber é que existem pessoas que despejam gargalhadas pelo sovaco e outras possuem habilidades adicionais, achando graça com o cérebro. São exatamente aquelas que podem produzir ironias e sarcasmos, pois os que usam apenas os sovacos, coitados, são ridículos.
É´mais ou menos a pintura daquele quadro em que de repente você se vê diante de uma situação tão estúpida, inusitada e tão absurda ou constrangedora e diante daquela perplexidade, você para, olha o horizonte, medita e começa a rir sozinho e as pessoas que passam vão lhe chamar de maluco. Se você não usa o sexto sentido, a reação é ditada pela atitude de rebaixamento ou a chamada “tolerância zero”, que nos leva a repreensões aparentemente injustificadas.
O bicho ser humano, como todo animal que conhecemos, racional ou irracional, deve ter em tese, funcionando bem, os cinco sentidos. visão, audição, tato, olfato e paladar. Aquele que for especial, terá com certeza um sexto sentido que é a capacidade de sobrepor aos semelhantes. Na verdade, é a capacidade que ele tem de sair da multidão e se tornar um espectador, exercitar a arte da empatia, mexer com as pedras do tabuleiro da vida e como num jogo de xadrez mais complacente, ele pode tocar, mover e voltar, se arrepender, desfazer. Pode usar esse poder também para implantar a anarquia no sistema de comunicação em todas as suas formas conhecidas, pois o teclado mágico do computador que permite a improvisação mais sensacional da historia (ou das estórias) da vida, em tempo real, é o reflexo exato desse pensamento e o homem realiza o sonho da flexibilização através desse instrumento que não é tão simples assim como todos nós pensamos. É uma ação mista de democracia e anarquia.
A flexibilização de atitudes, das palavras, é o caminho ou a conseqüência do ser humano em estado de graça, ou seja, aquele que tem o poderoso instrumento do sexto sentido que vai torná-lo mais sensível, menos egoísta, menos imediatista, pois sua visão fica mais globalizada e vai além do horizonte.
É aquele momento em que você sabe exatamente que tem que frear na curva, parar de falar, parar de reclamar, agir, repreender, xingar, fugir ou até mesmo parar de beber. É o momento da lucidez, apesar dos bombardeios.
Pode ser também o momento de rever conceitos e saber que não podemos viver eternamente encostados numa parede, a menos que a tenhamos construído com as próprias mãos e/ou recursos próprios.
E por isso que vem aquele refrão dos mais antigos que diz: “Eu enxergo atrás do morro”
Se não for portador dessa habilidade, será um eterno boçal.
E boçais não “gritam”, boçais, morrem sufocados.


