Carregando data e hora...

Prejuízos da não inclusão de Ponte Nova como cidade atingida pela lama

Após dois anos do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, Ponte Nova/MG ainda luta para ser incluída como cidade atingida. A constatação, de que o município sofreu com os impactos da lama, após o rio Piranga receber rejeitos da barragem, foi atestada por especialistas pouco tempo depois do rompimento. Ao todo, 12 hectares de Áreas de Preservação Permanente nas margens dos rios do Carmo e Piranga, foram devastados pela lama. Desde então, várias tratativas junto aos órgãos competentes, como Fundação Renova, Comitê Interfederativo/CIF e Ministério Público de Minas Gerais, foram discutidas e levantadas.

Recentemente, o Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Vale do Piranga/CIMVALPI através do setor de Coordenadoria Barragem de Fundão, que tem Eduardo Pereira Real à frente, participa de encontros e discussões sobre o tema. “O CIMVALPI criou a Coordenadoria da Barragem de Fundão, com o intenção de contribuir com os municípios consorciados, atingidos pelo desastre, a fim de apoia-los na busca dos ressarcimentos e reparações necessárias”, destaca Eduardo Real. A não inclusão de Ponte Nova traz sérios prejuízos para a região. “O CIF já reconheceu o erro e elaborou a nova versão do TTAC com a inclusão de Ponte Nova, mas a RENOVA só reconhecerá o município, após a homologação deste TTAC na justiça. Os prejuízos, para o município, são enormes. Até o momento, Ponte Nova não participa de nenhum programa de reparação ou compensação que já começam a ser implantados em outros municípios atingidos”, analisa Eduardo Real.

Entre as principais perdas e prejuízos destaque para o aporte financeiro no valor de R$ 500 milhões de reais que a cidade deixou de receber e que seriam investidos em saneamento básico e resíduos sólidos, como medida compensatória. “Os municípios buscam soluções consorciadas para construção de Aterros Sanitários Regionais. Os arranjos territoriais estão sendo prejudicados com a ausência de Ponte Nova, que tem posição privilegiada”, avalia Eduardo que ressalta a importância da união para que este reparo seja feito o quanto antes. “Para que Ponte Nova seja incluída como cidade atingida, como devia ter sido desde a criação do TTAC, é necessário um empenho de todos a fim de sensibilizar urgentemente as autoridades responsáveis, para que assim o façam”.

TTAC e Fundação Renova

Foi elaborado o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta/TTAC, assinado entre Samarco, com o apoio das acionistas, Vale e BHP Billiton, e o Governo Federal, os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF) e a Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH). O TTAC é composto de inúmeras cláusulas onde estão descritos os programas reparatórios e compensatórios a serem desenvolvidos nos próximos anos em prol dos municípios e populações atingidas pelo desastre.

A Fundação Renova foi criada pela Vale e BHP, exclusivamente, para atuar no cumprimento das reparações contidas no TTAC ao longo dos próximos anos. Já o Comitê Interfederativo/CIF, foi criado para deliberar, acompanhar e fiscalizar a atuação da Renova em atendimento ao TTAC. Existem, ainda, 11 Câmaras Técnicas que dão o respaldo necessário ao CIF.

Clarissa Guimarães

 Assessora de Comunicação da AMAPI

e-mail: jornalamapi@gmail.com

www.amapi-mg.org.br

(31) 3881.3408

Compartilhe nas redes sociais