Brasília. O PSDB definiu a estratégia para lidar com o constrangimento da denúncia contra o ex-governador mineiro e deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), reafirmada no pedido da Procuradoria Geral da República de 22 anos de prisão para o tucano. A ideia é deixar o processo correr e manter o assunto longe das agendas tucanas.
A ação se foca em três pontos: não realizar atos públicos ou manifestações em defesa da inocência de Azeredo; não questionar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) publicamente, seja ela qual for; e difundir o discurso de que, apesar de eventuais erros, Azeredo é um homem simples e “de bem”.
Nessa terça, após encontro da executiva nacional do PSDB, o presidente da sigla e pré-candidato à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), disse que o julgamento de Azeredo não “envolve o partido” e negou que o assunto tenha sido tratado durante a reunião da cúpula.
“Não discutimos porque essa não é uma questão da executiva nacional. Vamos aguardar o julgamento. Não é uma questão que envolve o partido. Não tem ninguém do partido envolvido nessa questão. É respeitar a decisão do STF”, afirmou Aécio.
Na semana passada, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, pediu a condenação de Azeredo a 22 anos de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro na ação penal do mensalão mineiro que tramita no STF.
Apesar das declarações pontuais de apoio dos últimos dias, os tucanos vão manter distância do julgamento de Azeredo e deixá-lo sozinho em sua defesa.
A expectativa na legenda é de que o caso seja concluído entre junho e julho, justamente no momento das convenções partidárias que oficializarão as candidaturas. Se for condenado, o ex-governador será isolado pela legenda. Lideranças tucanas ouvidas pela reportagem, no entanto, descartam a possibilidade de expulsão do correligionário.
Se absolvido, Azeredo disputará novamente a vaga de deputado federal por Minas. “Não vamos cair na esparrela do PT de ir para o confronto com o STF”, diz o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro e um dos mais próximos interlocutores de Aécio.
Defesa. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso abriu prazo de 15 dias para que Azeredo apresente suas alegações finais no processo do valerioduto tucano.
A decisão foi divulgada na edição de ontem do “Diário da Justiça Eletrônico” e será considerada publicada nesta quarta-feira. O prazo começa a contar na quinta (13) e termina no dia 27 de fevereiro. As alegações finais são a última manifestação das partes do processo.
As alegações finais da acusação – o Ministério Público Federal – foram enviadas na semana passada em um documento com 84 páginas.
Segundo o procurador geral da República, houve no caso “subversão” do sistema político-eleitoral. Além da prisão, Janot recomendou multa de R$ 404,9 mil em valores de 1998.
PGR não tem previsão de envio de parecer sobre Clésio Andrade
A Procuradoria Geral da República (PGR) ainda não tem previsão de quando enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais do processo envolvendo o senador Clésio Andrade (PMDB). Além do deputado Eduardo Azeredo (PSDB), Clésio é o único dos réus do mensalão mineiro a ter foro privilegiado.
Segundo a assessoria de imprensa da PGR, o processo envolvendo o peemedebista está na fase de oitiva de testemunhas. O parlamentar era candidato a vice pelo extinto PFL na chapa de Azeredo em sua campanha de reeleição ao governo de Minas, em 1998.
O processo dos outros réus, que respondem na 1ª instância, também está na fase de depoimento de testemunhas. Os acusados serão ouvidos em seguida, de acordo com o Tribunal de Justiça de Minas. (Raquel Gondim)
O Tempo
Tucano alega mal- estar e adia defesa 

