Na madrugada de ontem, Ponte Nova foi palco de um episódio lamentável: o incêndio criminoso de um ônibus da empresa São Jorge, concessionária do transporte público municipal. O ato, embora celebrado por alguns nas redes sociais como uma forma de protesto contra a qualidade dos serviços prestados, revela uma perigosa inversão de valores e uma profunda incompreensão sobre os impactos reais de ações violentas.
É inegável que o transporte público em muitas cidades brasileiras enfrenta desafios sérios: veículos sucateados, horários irregulares, superlotação e tarifas que pesam no bolso do trabalhador. A população tem todo o direito de cobrar melhorias, exigir respeito e transparência das empresas concessionárias e do poder público. No entanto, transformar essa indignação em atos criminosos não é apenas ilegal — é contraproducente.
A destruição de um ônibus não representa uma vitória contra a empresa. Pelo contrário, o prejuízo recai, em última instância, sobre a própria população. A frota reduzida significa menos veículos circulando, mais tempo de espera nos pontos, maior lotação nos horários de pico e, possivelmente, aumento de custos operacionais que podem ser repassados ao usuário.
Além disso, o impacto se estende ao trabalhador que depende do transporte público para chegar ao emprego, à mãe que leva o filho à escola, ao idoso que vai ao posto de saúde. O bolso dos donos da empresa pode doer, mas é o cotidiano da população que sangra.
A transformação do transporte público não virá pelo fogo, mas pela pressão organizada, pela atuação cidadã, pela fiscalização dos contratos públicos e pela exigência de cumprimento das metas de qualidade. É papel do poder público garantir que as concessionárias cumpram suas obrigações, e é papel da sociedade cobrar com firmeza, mas dentro da legalidade.
Celebrar um crime é normalizar a barbárie. É preciso separar a crítica legítima da ação criminosa. O incêndio de um ônibus não é um ato de resistência — é um atentado contra o direito coletivo à mobilidade. Que o autor seja identificado e punido com o maior rigor possível!
Por Geraldo Janus


