Será que queremos realmente justiça ?
Jesus, no sermão da montanha nos diz:
“bem aventurados os que têm fome e sede de justiça pois serão saciados” S. MATEUS, cap. V,versículo 6
No Evangelho de Matheus, este capitulo é titulado como :
Bem Aventuranças: Anseio por um mundo novo.
É difícil acreditar em mudanças com tanta dor e sofrimento, uns ricos outros pobres, uns saldáveis e outros doentes, uns com tanta sorte e outros parecem fadados ao fracasso. Diante de tanta dor e sofrimento perguntamos por que meu Deus isso não é justo?Mas Jesus nos afirma que aqueles que buscam a justiça serão saciados…
Conhecemos a justiça como sendo pratica do que é direito, e Kardec também questionou sobre esta justiça no Livro dos Espíritos questão 875:
875. Como se pode definir a justiça?
— A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um.
Ser justo seria fazer o que é certo, respeitando tudo e todos. O problema é que se perguntássemos para cada um, a grande maioria de nós diria que busca fazer o que é correto e nem por isso nosso mundo é de esferas superiores, de espíritos evoluídos, ainda é um planeta de provas e expiações, melhorando, mais ainda um planeta de provas e expiações.E por quê?Será que somos realmente justo?
Divaldo Pereira Franco nos coloca uma comparação que quando temos justiça seria como se vestíssemos uma roupa e se alguém puxar muito, ela rasga e se desfaz, mas quando já somos justiça ninguém nos tira, pois ela já faz parte de nós. Nós ainda não somos justiça, ainda nos vestimos dela, como de verdade, amor, paciência e tantas outras virtudes que ainda não conquistamos e no momento de tormenta alguém ou alguma situação nos tira, e nos vemos como somos, ainda sem paciência, sem compreensão, sem justiça…
Mas esta é nossa condição, nós ainda fazemos o que é certo, porem aos nossos olhos e não aos olhos de Deus.
Um grande exemplo de perseguidor da justiça foi Paulo de Tarço. Era chamado Saulo , nascido em Tarso , um Judeu que cresceu com um entendimento de leis muito grande daquela época e seguia rigorosamente os ensinamento. Então quando mudou para Jerusalém ouviu-se falar de uma seita que vinha crescendo dentro do Judaísmo uma seita chama de crista e se propôs então a persegui-los pois iam contra toda a verdade que ele acreditava.Sua vida e sua verdade só mudou quando :
“No ano de 32 D.C., dois anos após a crucificação de Jesus, Saulo viajou para Damasco atrás de seguidores do cristianismo, principalmente de um, que se chamava Barnabé. Na entrada desta cidade, teve uma visão de Jesus, que em espírito lhe perguntava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Ficou cego imediatamente e, entrando na cidade, foi curado pelo mesmo Barnabé, sendo assim convertido ao cristianismo, mudando o seu nome para Paulo.
Paulo, a partir de então, se tornaria o “Apóstolo dos Gentios”, ou seja, aquele enviado para disseminar o Evangelho para o povo não judeu. Depois de Jesus, é considerado a figura mais importante do cristianismo
Durante 16 anos , após sua conversão, ele pregou no vale do Jordão, na Síria e na Cilícia. Foi especialmente perseguido pelos judeus, que o consideravam um grande traidor.
Através de suas cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição. A esta fé soma-se um fator fundamental: o seu temperamento, que era passional, enérgico, ativo, corajoso e também capaz de idéias elevadas e poéticas.
No ano de 64 D.C., foi morto pelas Legiões Romanas, nas perseguições aos Cristãos instauradas por Nero, depois do grande incêndio de Roma.”(fonte : www.espirito.org.br/portal/palestras/geap/paulode.html)
Paulo de Tarso defendia a sua verdade e teve a oportunidade de descobrir a verdade de Deus, as leis de Deus, lei de amor, caridade, justiça.
O homem hoje apesar de grandes avanços da ciência, matemática, lógica, razão e até religião, as vezes mesmo conhecendo a verdade ainda se move pelos impulsos e abre mão da razão por segundos de prazer e desequilíbrio para sofrer mais a frente longo tempo de tormenta por sua própria vontade.
Muitas vezes quando paramos para pensar na justiça que Jesus nos oferece , não a encontramos na nossa vida , afinal na maioria das vezes só lembramos dela quando nós somos os sofredores, os humilhados, os ofendidos, os doentes, os famintos… E ai perguntamos, por que meu Deus estou passando por isso ? por que eu ?
Nó Evangelho Segundo o Espiritismo o capitulo 5 os espíritos nos falar:
“ … desde que se admite a existência de Deus, não é possível concebê-lo sem suas perfeições. Ele deve ser todo poderoso, todo justiça, todo bondade, pois sem isso não seria Deus. E se Deus é soberanamente justo e bom, não pode agir por capricho ou com parcialidade. As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que todos devem compenetrar-se. Deus encaminhou os homens na compreensão dessa causa pelos ensinos de Jesus, e hoje, considerando-os suficientemente maduros para compreendê-la, revela-a por completo através do Espiritismo, ou seja, pela voz dos Espíritos.”
Muitas vezes somente o entendimento das causas que nos dará o consolo e a justiça que procuramos, e para aqueles que acreditam na vida futura ou nas vidas passadas encontram nela um consolo lógico, que vem por esclarecer aquilo que não encontramos motivo na vida presente. Doenças, perda de entes queridos, reveses da fortuna, imperfeições físicas de nascença, mortes prematuras… Por quê? Eis que o consolo e a verdade estão em crer na justiça das leis de Deus.
E as leis estão por toda parte, tanto a dos homens que modificam conforme vamos evoluindo nosso entendimento e a de Deus que é imutável.
Mas Jesus quando falava que seriamos saciados com toda sua propriedade de irmão maior se referia a uma resposta das leis de Deus. Uma justiça que todos respondem indistintamente pelos seus erros, através da lei de causa e efeito, caminham incondicionalmente através da lei do progresso, apesar de agir como querem através da lei de liberdade e voltarmos ao inicio arcando com o que fazemos pela lei de causa e efeito. As leis de Deus são assim se completam em sua perfeição. Uma justiça que através da reencarnação nos da a oportunidade de sanar qualquer mau feito e transformá-lo em progresso, em aprendizado, em evolução.
Portanto todo aquele que busca a resposta na justiça de Deus serão saciados.
O grande problema é que não estamos com fome, estamos com “vontade de comer”. Como dizia minha mãe, aquele que tem fome como o que tem, agora vez ou outra temos vontade de comer, comer isso ou aquilo… Não estamos com fome e sede de justiça, estamos querendo sim que nossa vontade seja feita A justiça é feita o tempo todo em nossa vida, a lei de Deus não para à nossa vontade.
E Deus sabendo de nossas dificuldades faz o seguinte:
Impõe-nos o caminhar, mas não nos impõe o ritmo, nos impõe a quitação de nossos débitos, mas pagamos em suaves prestações, e ainda em meio da caminhada coloca pessoas em nossas vidas que nos apóiam, nos dão força e amor para que possamos conseguir enxergar a justiça de Deus em nossas vidas.
Nós ainda ignoramos a nossa vida no mundo espiritual, nosso anjo guardião, o quanto a espiritualidade superior nos ajuda em nossa caminhada.
Para ilustrar achei interessante colocar a seguinte historia retirada do livro Jesus no lar Psicografado por Chico Xavier ditado pelo espírito Neio Lucio:
A visita da Verdade
Certa feita, disse o Mestre que só a Verdade fará livre o homem; e, talvez porque lhe não pudesse apreender, de imediato, a vastíssima extensão da afirmativa, perguntou-lhe Pedro, no culto doméstico:
— Senhor, que é a Verdade? Jesus fixou no rosto enigmática expressão e respondeu:
— A Verdade total é a Luz Divina total; entretanto, o homem ainda está longe de suportar-lhe a sublime fulguração.
Reparando, porém, que o pescador continuava faminto de esclarecimentos novos, o Amigo Celeste meditou alguns minutos e falou:
— Numa caverna escura, onde a claridade nunca surgira, demorava-se certo devoto, implorando o socorro divino. Declarava-se o mais infeliz dos homens, não obstante, em sua cegueira, sentir-se o melhor de todos. Reclamava contra o ambiente fétido em que se achava, O ar empestado sufocava-o — dizia ele em gritos comoventes. Pedia uma porta libertadora que o conduzisse ao convívio do dia claro. Afirmava-se robusto, apto, aproveitável. Por que motivo era conservado ali,naquele insulamento doloroso? Chorava e bradava, não ocultando aflições e exigências. Que razões o obrigavam a viver naquela atmosfera insuportável?
Notando Nosso Pai que aquele filho formulava súplicas incessantes, entre a revolta e a amargura, profundamente compadecido enviou-lhe a Fé.
A sublime virtude exortou-o a confiar no futuro e a persistir na oração.
O infeliz consolou-se, de algum modo, mas, a breve tempo, voltou a lamuriar.
Queria fugir ao monturo e, como se lhe aumentassem as lágrimas, o Todo- Poderoso mandou-lhe a Esperança. A emissária afagou-lhe a fronte suarenta e falou-lhe da eternidade da vida, buscando secar-lhe o pranto desesperado. Para isso, rogou-lhe calma, resignação, fortaleza.
O pobre pareceu melhorar, mas, decorridas algumas horas, retomou a lamentação.
Não podia respirar — clamava, em desalento.
Condoí do, determinou o Senhor que a Caridade o procurasse.A nova mensageira acariciou-o e alimentou-o, endereçando-Lhe palavras de carinho, qual se lhe fora abnegada mãe.
Todavia, porque o mísero prosseguisse gritando, revoltado, o Pai Compassivo enviou-lhe a Verdade.
Quando a portadora de esclarecimento se fez sentir na forma de uma grande luz, o infortunado, então, viu-se tal qual era e apavorou-se. Seu corpo era um conjunto monstruoso de chagas pustulentas da cabeça aos pés e, agora, percebia, espantado, que ele mesmo era o autor da atmosfera intolerável em que vivia, O pobre tremeu cambaleante, e, notando que a Verdade serena lhe abria a porta da Libertação, horrorizou-se de si mesmo; sem coragem de cogitar da própria cura, longe de encarar a visitadora, frente a frente, para aprender a limpar-se e a purificar se,fugiu, espavorido, em busca de outra furna onde conseguisse esconder a própria miséria que só então reconhecia.
O Mestre fez longa pausa e terminou:
— Assim ocorre com a maioria dos homens, perante a realidade. Sentem-se com direito à recepção de todas as bênçãos do Eterno e gritam fortemente, implorando a ajuda celestial. Enquanto amparados pela Fé, pela Esperança ou pela Caridade, consolam-se e desconsolam-se, crêem e descrêem, tímidos, irritadiços e hesitantes; todavia, quando a Verdade brilha diante deles, revelando-lhes a condição em que se encontram, costumam fugir, apressados, em busca de esconderijos tenebrosos, dentro dos quais possam Cultivar a ilusão.
A escuridão da caverna é o esquecimento que Deus nos dá do que fizemos e do que fomos.
A primeira revolta somos nós em nossa reencarnação achando que somos muito melhores do que na verdade somos e que merecemos muito mais do que temos. Quando recebemos a visita da Fé nos enchemos de confiança de um futuro melhor, mas como é só uma visita, ainda não somos fé, ela vai embora. Deus então nos envia a Esperança, através do entendimento da vida futura, para que tínhamos força e entendamos que aquele é apenas um pedaço da caminhada e que logo vai ficar para traz. Deus então nos envia mensageiros de Caridade que nos ajudam, consolando como uma mãe consola o filho. Quando nada disso nos conforta Deus nos envia a Verdade, que faz com que enxerguemos quem somos, mas em contra partida nos ensina como fazer para nos melhorar e curarmos nossas chagas para seguir em frente em uma nova condição. O problema é que muitas vezes quando vimos a verdade nós fugimos sem sequer procurar entender o que ela pode trazer de bom em nossas vidas.
Que possamos entender o quanto Deus é Grande na vida de cada um de nós e que Jesus estava certo a quando afirmou que felizes seremos se buscarmos a justiça de Deus, se buscarmos respeitar os direito de cada um e resumidamente seguir o que por ele foi dito:
“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”
Este é o caminho, basta agora escolhermos caminhar por ele.


