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RECICLAGEM DE VIDRO: GERAÇÃO DE RENDA E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

                 Em uma época não muito distante nossos pais e até nós mesmos, guardávamos engradados de cerveja com garrafas vazias. Até os anos 1990, esse era um dos mais comuns jeitos de se comprar a bebida. Cada vez que a pessoa queria tomar uma gelada, saía de casa com os cascos vazios e voltava do mercado ou do bar com garrafas cheias. Eram as retornáveis, que nunca saíram de circulação, mas perderam um pouco de espaço. Mas dar uma nova chance para elas pode ser uma opção barata e ecológica.

               O vidro é um dos produtos mais utilizados nas tarefas do dia-a-dia. Ao ser descartado por pessoas e empresas, pode passar por um processo de reciclagem que garante seu reaproveitamento. O vidro reciclado tem praticamente todas as características do vidro comum. O vidro pode ser reciclado infinitas vezes, sem perder sua característica e qualidade.

             A reciclagem do vidro é de extrema importância para o meio ambiente. Quando reciclamos o vidro ou compramos vidro reciclado estamos contribuindo com o meio ambiente, pois este material deixa de ir para os aterros sanitários ou para a natureza (rios, lagos, solo, matas). Não podemos esquecer também, que a reciclagem de vidro gera renda para milhares de pessoas no Brasil que atuam, principalmente, em cooperativas de catadores e recicladores de vidro e outros materiais reciclados.

           Lembro-me bem de dois recicladores em Ponte Nova, os chamados pioneiros, e eram muito populares. Um era o Aristóteles Schiavo, popular “Tote Torresmo”, apelido que ele detestava. A molecada gostava de mangar dele, mas hoje, passados muitos anos, pode-se compreender sua importância. Ele comprava garrafas vazias e usava uma carrocinha de madeira e com um megafone manifestava sua presença: “Quem tem garrafa vazia, eu compro”. Essas garrafas eram recicladas, mas reutilizando-as para engarrafar cachaça.

            Outro reciclador, mas de papelão, era o Adão Preto, amigo do militar do Exército, William Dâmaso de Oliveira, desde quando possuía a patente de Sargento e comandante do Tiro de Guerra de Ponte Nova. Mais tarde, William foi promovido a Tenente. Adão Preto coletava papelão em toda a cidade, mas concentrava seus esforços na Vila Centenário, onde convivia diuturnamente na casa de Seu Zezinho e D. Nega, pais de Jurandir Maciel e Dr. Wandeir Maciel. Adão tomava umas cachaças, mas era de uma contagiante alegria, gostava de carnaval e era amigo de Sette de Barros, que fornecia a ele muita matéria-prima (papelão). Acho que ele vendia este papelão para “Neném Miséria”, no Triângulo.        

            Outro reciclador foi o árbitro de futebol, José Castor, que seguiu os passos de Adão. Sua participação na sociedade, promovendo a reciclagem de papel, papelão e metais, rendeu-lhe o título de Defensor do Meio Ambiente, com a entrega de um diploma em 2005, durante cerimônia realizada na sede social do 1º de Maio. José Castor foi o único popular a receber uma honraria deste nível oferecida pelo Codema/Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente, que era presidida por mim na ocasião. Aliás, eu sou presidente do Codema, desde julho de 1999, quando fui eleito por aclamação. Entre 2011 e 2013, o Codema foi presidido pelo engenheiro civil Nelson José Gomes Barbosa. Aproveito para me despedir.  A partir de 24 de abril de 2017, saio da presidência e entrego as chaves para o secretário Geral José Gonçalves Osório Filho. 

            Mas voltando ao vidro, notícias recentes dão conta que as cervejarias estão investindo na fabricação de garrafas recicláveis e estimulando o uso das retornáveis. Bom para todos e melhor ainda para o meio ambiente. A reciclagem é um processo inseparável da produção de embalagens de vidro, afinal, o vidro é único material 100% reciclável, infinitas vezes. 

 

           

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta  ambientalista desde 1977.

 

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