Até hoje, em jogos válidos pela Liga Mundial, são 30 jogos entre as duas equipes, com 18 vitórias brasileiras e 12 dos russos. Em finais do torneio, porém, o retrospecto é igual. Nos três títulos que conquistaram, todos foram sobre o Brasil – 2002, em Belo Horizonte, 2011 na Polônia e neste domingo. O time de Bernardinho também foi campeã três vezes em finais contra eles.
O clássico começou de maneira estranha para um jogo deste nível. Com quatro erros dos russos, o Brasil abriu 5 a 0 e obrigou os rivais a pedirem tempo para se reorganizar. A parada deu mais do que certo: a Rússia equilibrou o jogo e passou à frente com 11 a 9.
Wallace, disputando sua primeira final como titular, esteve sumido ao longo de toda a parcial. Com seu principal atacante ‘fora de sintonia’, o Brasil sofreu e viu os rivais abrirem quatro de vantagem. Por mais que Lucarelli tenha tido bons momentos na parcial, não foi o suficiente para conseguir a virada, apesar de uma reação tardia. E foi justamente em um bloqueio no camisa 8 que os russos fecharam o set: 25 a 23.
O segundo set teve um cenário parecido com o do primeiro, mas contrário ao Brasil desta vez. Wallace de novo começou mal, foi bloqueado duas vezes e ajudou o time europeu a abrir rapidamente uma vantagem de quatro pontos. Lucarelli, de só 21 anos, chamou a responsabilidade no ataque para ajudar a diminuir a diferença para dois. Mas novo erro de Wallace, que atacou para fora, elevou outra vez para quatro.
O Brasil parecia tenso dentro do jogo. Bruninho, experiente, não conseguia encaixar a distribuição de jogadas, já que os atacantes tinham dificuldades para pontuar. Os russos se aproveitaram do mau momento e se distanciaram no marcador – 16 a 11 e 19 a 12. Os comandados de Bernardinho esboçaram reação (21 a 17), mas o set já tinha ido embora. Em uma crava do central Muserskiy, o time fechou em 25 a 19 e ficou a um set do título.
Para tentar reverter a situação adversa, Bernardinho mudou o time. Tirou Bruninho de quadra e colocou William, apostando no entrosamento do levantador com o oposto Wallace – os dois jogam juntos no Sada Cruzeiro há três anos. Aí o que começou a fazer a diferença foi o saque russo, especialmente nas mãos de Sivozhelez.
Bernardinho tentou tudo, mudou levantador, oposto, pontas, deu tapa em microfone, mas nada adiantou. Os jogadores pareciam perdidos em quadra e assistiam a um passeio russo no ginásio Islas Malvinas, em Mar Del Plata.
Leandro Vissotto, que desfalcou o time nas duas últimas partidas, entrou e tentou dar um ânimo a mais para a equipe nacional. Em ataques potentes, ajudou a vantagem a cair de sete para quatro pontos por duas vezes. Mas a ameaça de reação foi tardia demais. Os russos tiveram o trabalho apenas de virarem algumas bolas para chegarem à terceira conquista da Liga Mundial. Ao Brasil, mais uma vez, coube lamentar a perda do decacampeonato.


