Brasília. A sabotagem denunciada por juízes que atuam na Vara de Execuções Penais (VEP) em Brasília envolveria gestores do sistema prisional diretamente vinculados ao governo do DF, interessados em desestabilizar as ações da Vara, fragilizar o sistema como um todo e beneficiar os réus do mensalão.
É o que afirmam fontes ligadas à execução das penas, que citam duas situações envolvendo gestores vinculados à Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe): a interrupção da remessa à VEP de relatórios oficiais de inteligência sobre rebeliões nos presídios e interpretações sobre decisões judiciais relacionadas a regalias aos presos do mensalão.
O aumento da tensão no complexo da Papuda é recorrente em datas festivas, principalmente às vésperas do Natal e do Ano Novo. Nesses períodos, a Sesipe amplia o envio à VEP de relatórios produzidos pelo setor de inteligência com detalhes sobre movimentações de fuga e rebelião. Os juízes, neste fim de ano, não receberam os relatórios, segundo fontes ouvidas pelo jornal “O Globo”.
Outra situação que se configuraria sabotagem é a restrição das visitas de parentes a detentos que se encontram hospitalizados. Como os juízes auxiliares da VEP impediram visitas aos mensaleiros às sextas-feiras – os dias normais são quartas e quintas –, a administração penitenciária também estaria impedindo a visita de parentes a hospitais fora dos dias de visitação.
“A intenção é sempre demonstrar a fragilidade do sistema, desestabilizar a execução das penas do mensalão. Queriam que continuasse correndo frouxo, com visitas especiais de deputados, senadores e parentes”, afirma uma das fontes.
Natal de Dirceu. O ex-ministro José Dirceu (PT) disse a amigos que está construindo um bom relacionamento e até organizando uma festa de Natal com os demais detentos da Papuda. “Ele disse para a gente: ‘Não precisam se preocupar. Já estamos organizando nosso Natal com o pessoal’. Não existe clima de rebelião”, disse o deputado Edson Santos (PT-RJ).
“Não existe antipatia contra eles. O Zé está criando uma boa relação, colocou livros na biblioteca para os outros presos lerem. Isso cria um ambiente de companheirismo”, completou.
O Tempo


