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Saúde e prosperidade (e alegria?) para todos

SE VOCÊ ENCONTROU SUA PLENA CONSCIÊNCIA, FUJA DELA,  FEITO O CAPETA FOGE DA CRUZ !!!

Sempre que vou ao clube junto com um amigo meu aqui em Goiânia, uma espécie de reunião de famílias amigas para um bom churrasco, toma-se uma cervejinha, e se o clima ajudar, um bom vinho ou um tequilla ouro, nada demais, a gente faz o que todo mundo faz. Diverte-se à beça, apesar da Lei sêca que restringiu muito esse comportamento social.

Mas uma vez estando nesse ambiente, procura-se todas as melhores opções de divertimento que o ambiente oferece. Um campo de futebol, uma quadra de tenis cujo acesso se faz por uma ladeira através de um bosque e num local arejado muito bonito, uma quadra bem construída. Geralmente disputa-se uma partida de tênis enfim, um bom pretexto para alguns exercícios leves, estimulando a sede e o apetite, para depois do almoço um bom joguinho de truco, com direito a todos aqueles gritos e murros na mesa, enquanto os demais se divertem na piscina ou jogando bola, peteca, enquanto as musicas do momento ultrapassam com certeza os decibéis permidos.

Mas…

Ao fundo, através da cerca de arame farpado eu pude ver um pequeno vale bem verde, com muita planta silvestre e ao longe, mais ao alto de um pasto, um barraco simples de um ou dois cômodos, quintal de terra batida, sei lá, talvez uma arvore grande, uma mangueira com uma boa copa que proporciona uma sombra confortável. Uma bacia, junto a um torneira e um tanque pra lavar roupas, uma gamela e uma cruz pendurada na parede do lado de fora, fazendo-me lembrar meus tempos de Sapé quando todos os casebres tinham do lado de fora aquela cruz enfeitada com papel colorido. Havia também um cachorro latindo e correndo atrás de algumas galinhas certamente caipiras circundando aquelas pessoas humildes que estavam ali dançando, cantando e rindo muito.

Bem alto o som da musica de um rádio ou um desses aparelhos de som que certamente foi comprado no crediário e que possivelmente estivesse tocando aquelas musicas do tchan, ou outros ritmos parecidos, alegres, festivos, desses comuns nos dias de hoje sem letra inteligente, sem mensagens subliminares dessas que hoje mais comumente vem do nordeste Brasileiro, mostrando um um ritmo mais alegre. Uma cisterna ao lado e alguém tirando água e lavando algumas peças de roupa.Três crianças entre 4 e 9 anos e dois casais de adultos, formavam um grupo aparentemente mais agitando que o nosso, onde somente se ouvia o batido das raquetes e o som de uma respiração ofegante de quem nitidamente mostra não estar habituado com aquele exercicio matinal.

Ali naquele terreiro humilde, o que me impressionou mesmo foi a felicidade que eles irradiavam e que saltava aos olhos atônitos, todos brincando, rindo e dançando. Eu fiquei reflexivo e me perguntando e comentando com o meu amigo com o qual jogava tênis, como aquela família poderia se sustentar naquele lugar e como poderiam ter tido a coragem de ter tantas crianças. Os tempos são outros e não há lógica em procedimentos similares àqueles dos nossos pais e avós e mesmo conhecendo e tendo vivido na infancia aquela simplicidade, era dificil admitir que aquilo ainda pudesse existir.

E fico imaginando que para essas pessoas muito mais pobres (digo assim, porque rico não sou) continua faltando educação e orientação, pois apesar de viverem em tempos bem mais modernos, continuam como antes, não se preocupando com quesitos importantes, como segurança, saúde e educação, imprescindíveis para assegurar um futuro promissor. A grande diferença do meu tempo, é que o nivel de cultura naquele tempo, nas pessoas pobres e humildes era muito maior do que o que se percebe hoje. Acredito que hoje, as pessoas recebem muito mais informações, mas de forma desordenada e sem alguém que possa orientar graus de importância, códigos de ética, etc.

Qual a diferença nesse comportamento? Ali naquele barracão provavelmente estavam todos desligados. A rotina deles, talvez seja a de se levantar cedo todos os dias, chegarem ao trabalho e pronto. Pessoas com mais recursos financeiros como eu, jogando tênis e tomando um chopp gelado, como muitos de nós, não conseguimos nos desvencilhar de compromissos agendados, de clientes que estejam atrasando pagamento, de alguma conta pra pagar, de alguma despesa inesperada que possa ter desarticulado o orçamento. O Dóllar despenca, venceu o seguro do carro, um bom negócio que não foi fechado, a rede dos computadores pifou, enfim, tudo é motivo para elevar nosso grau de “stress”.

Provavelmente, para aquela família a realidade era boa e, como dificilmente ela teria condições de mudar, dava-se por satisfeita, porque hoje ao contrário de ontem, não existem mais anseios cultivados coletivamente. Existem as comunidades, mas as pessoas que estão inseridas nesse contexto conhecem e amam apenas o próprio umbigo. Mas como para alguns de nós com maiores recursos financeiros e economicos,  o leque de possibilidades é maior, o sossego nunca chega.

Ai eu fico me perguntando: Será que a ignorância politica e o mergulho na fé cega traz mais tranqüilidade? Pessoas mais instruídas se preocupam muito mais e querem sempre se superar e nunca estão satisfeitas. Por que diabos fui inventar de conhecer o que conheço da vida? Porque diabos, a gente descobriu essa tal consciencia que não nos deixa alcançar o mesmo grau de felicidade deles.?

Quando se ampliam os horizontes, não dá mais para estagnar. Será verdade então que quanto maior o poder aquisitivo, menor o grau de felicidade?.

• Folheando algumas revistas antigas, vi naquele momento, uma pesquisa que mostrava que os brasileiros mais felizes tinham renda familiar de até R$ 1.499. Apenas 2% dos que ganham ao redor de R$ 9.000 estavam satisfeitos. Achei muito estranho, mas vendo aquele quadro à minha frente, ou lembrando-me dele, quase concordei.

O lema do bem viver consiste claro, sistematicamente em nunca estar satisfeito, para quem quer progredir.  Dentro desse contexto simples e eu diria natural, quem fica parado no tempo é “feliz”, quem vai em frente encontra a consciência. E a consciência plena tem cheiro de infelicidade. Garanto-lhes que os 98% daqueles que ganham acima de R$9 mil, não foram sinceros. Eles possuem uma consciência mais abrangente, e ao mesmo tempo são inconscientemente solidários ou no mínimo conhecedores dos problemas coletivos à sua volta e confundem isso com infelicidade. É uma felicidade contida. A do pobre, que não tem acesso aos mesmos recursos daqueles que estão na classe média ou acima,  é subjetiva, é vazia.

Ninguém pode ser feliz tendo consciência de que o aluguel de um barraco e mais 3 pacotes de arroz, um remédio, uma bermuda, levam literalmente e cruelmente todo o seu salário de um mês inteiro.

 

Portanto, as quatro crianças pobres podem brincar “felizes”, mas o horizonte delas é completamente diferente do horizonte dos filhos cujos pais têm um poder aquisitivo melhor. Existe uma maneira muito mais simples, muito mais eficiente para buscar ou definir a felicidade. Resume-se simplesmente em nunca estar só, ai sim, nessa eu acredito.

Já perceberam caros leitores que as crianças pobres ou ricas nunca estão sós? Exatamente porque eles não tem a consciencia, a mesma visão nossa dessa divisão de classes sociais.

Vivem sempre em bandos nas ruas empoeiradas ou campinhos de futebol de bairros pobres. Ou nos Shoppings cercadas de conforto, de segurança e com carros de luxo para levar e buscar, a maioria livres de acordo com regras de cada familia e fazendo o que gostam: Sendo inocentes crianças e brincando o tempo todo sem preconceitos.

O perigo ronda nos dois ambientes. Infelizes somos nós os adultos, pobres ou ricos, que nunca sabemos exatamente quando a infelicidade se fará presente na vida de nossas crianças o que obviamente nos atingirá em cheio. Quanto à ignorância sem dúvida, não traz tranqüilidade. Ao contrário ela traz passividade e dá uma sensação de impotência. A felicidade plena, constante, duradoura, não existe. Ela se liberta por alguns segundos, ou alguns momentos e fecunda nossas vidas e como um perfume maravilhoso, uma flagrância irresistível, aluga nossa alma ou a nossa consciência, derruba algumas barreiras e nosso coração fica leve e o nosso sorriso revela a todos o nosso deslumbramento. Mas é como uma nuvem passageira

E como dizia sempre por aqui o mestre Edison Joseph, (in memoriam) que foi articulista nesse espaço durante muitos anos e encerrava seu texto sempre com esse refrão que não me esqueço: (eram textos curtos de pouquissimas palavras mas que resumiam toda sua humildade)

 

*SAÚDE E PROSPERIDADE PARA TODOS!

 

E lá no andar de cima, onde ele sempre acreditou que estaria quando partisse daqui, nos deixando, eu estou certo que (se ele acertou) deve estar desejando a todos nós muita alegria também.

 

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