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Sem ETE: Sepultaram o sonho da despoluição do Rio Piranga

Escrevo ao ritmo do Bolero de Maurice Ravel, com o maestro holandês Andre Rieu comandando a orquestra de Berlim. Meus nervos estão à flor da pele, meus olhos de enchem de lágrimas e só me resta esquecer o cansaço mental dos últimos 12 meses em Ponte Nova, debatendo, xingando, discutindo, argumentando em torno da construção da ETE/Estação de Tratamento de Esgoto. 

         Argumentei que o assunto já estava atrasado 12 anos. Desde 2002 ele se tornou oficial com um comunicado que enviei ao Diretor (interino) do DMAES, Joaquim Guimarães, solicitando que se construísse um Plano Diretor de Esgoto. Nas idas e vindas, como Conselheiro do DMAES, junto com Guto Malta, que representava a OAB, conseguimos um mini-plano que foi elaborado sob a coordenação de Luiz Flávio Campos. No final de 2004, ficou pronto. 

         Em janeiro de 2005, Dr. Taquinho Linhares protocolou na FEAM pedido para a construção de uma mini-Estação no Pachequinho. Depois descartou a idéia, sob os auspícios do Diretor do DMAES, Cristiano Cária Guimarães Pereira. Fui vencido e escrevi: “Uma ETE inteira não sai, pois custa caro”. O Codema propôs construções de mini-estações no Pachequinho e Bairro de Fátima, com recursos próprios. Naquela época, uma mini-estação custava R$4,5 milhões. Só o orçamento do DMAES comportaria. Lógico que com um planejamento de 04 anos.

         Fui vencido novamente com argumentos políticos megalomaníacos. Derrotas que não me desanimaram na luta insana e permanente para despoluir o rio Piranga. Os anos se arrastaram e os candidatos a prefeito escreviam em seus “Programas de Governo” que construiriam a ETE. Registrei 05 mandatos com este texto para “enganar eleitor”. Com Zezé Abdalla foram dois mandatos, depois Dr. Taquinho Linhares, Joãozinho de Carvalho e agora Guto Malta. Este último, bem que tentou. 

            Na altura do meu artigo, passo mouse sobre a tela e busco ouvir “Don’t cry for me Argentina”, com Madonna. Uma catarse coletiva nas ruas de Buenos Aires me enchem de emoção. Na parede da Casa Rosada, ao fundo de Maddona, a imagem de Che Guevara aparece como um tiro de Exocet nas entranhas do colonialismo inglês. Meu pensamento viaja nas terras massacradas pelas ditaduras da América do Sul,q eu fizeram estragos remendados até hoje.

            Retorno ao teclado 10 minutos depois para tentar encerrar o que comecei. E foi ao som de Bob Dilan, cantando Hurricane, dedicado ao lutador de boxe Rubin Carter, que foi preso injustamente, ficando encarcerado mais de 20 anos até provar sua inocência. Só porque ele era negro e morava nos Estados Unidos. 

           “Falar e escrever sobre isso “é chover no molhado”. Principalmente para pessoas que não enxergam um palmo à frente do nariz, que continuará cheirando merda jogada no rio Piranga. Bem, quem sente a catinga no rio Piranga é quem anda a pé. Os endinheirados e pseudo-líderes classistas entram em seus carrões 4 x 4, fecham os vidros com Insulfilm e se deliciam com a gentalha que corre atrás do pão-de-cada-dia. 

            Não tenho mais argumentos nesta manhã de domingo, 18 de maio de 2014. São quase 10 horas e escuto Chico Buarque, com sua emblemática Vai Passar. Um libelo contra a Ditadura Militar. Agora escuto o barulho do transporte coletivo que une Ponte Nova de ponta a ponta, com tarifa congelada, graças à sensibilidade de Guto Malta, que usa o dinheiro público com a consciência dos que querem uma cidade para todos. 

            Uma data para esquecer, ou melhor, cravar para sempre: dia 12 de maio de 2014. Sepultaram o sonho dos ambientalistas e da maioria de Ponte Nova. Nenhum dos argumentos me convenceu. Faço minhas as palavras do advogado Dr. Leonardo Pereira Rezende: “Estou profundamente decepcionado”.

 

        Mas vai passar! Uma dor assim pungente não há de ser eternamente (João Bosco/Aldir Blanc).

           

           

 

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