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Corpos Amotinados

 

Interessante observar e de bom alvitre enfatizar que ninguém nasce pronto pra fazer isso ou aquilo. A vida é em si, desde o primeiro passo extra-útero, passa a ser um constante exercício de aprendizado e evolução. Mais a frente no tempo, alguns de nós já na fase do amadurecimento, por mais inteligentes e letrados que sejamos costumam se guiar erroneamente apenas por aquilo que os seus olhos mostram ou pelo que ouvem ou pelo que se lhes é imposto por textos prontos.

 

A rigor todos nós precisamos manter um relacionamento com as pessoas de alguma forma e não há absolutamente necessidade de mostrarmos que somos melhores ou temos mais, embora sejamos eternamente parte de grupos onde as figuras dos índios e dos caciques sempre existirão. E por incrível que pareça, muita gente continuará escrevendo obviedades como se fossem novidades.

 

 Mas as pessoas inteligentes, sentem e percebem essas diferenças e os rótulos chegam mais cedo ou mais tarde, embora muitos demagogicamente insistam em propagar ou discursar que todos somos absolutamente iguais. Mentira, não somos. Acrescente-se ainda que em contrapartida o que conseguimos e o que somos, não faz sentido ficarmos escondendo com medo dos rótulos preconceituosos ou ameaçadores ou romanticamente moralistas, pois se foi de forma lícita, não haverá jamais motivos para viver nas sombras.

 

Geralmente a soma de conhecimentos, aliada a inteligência própria de cada um de nós, produz resultados materiais e culturais, que provoca visível irritação naquele que não os possui na mesma medida, conseqüência de uma engrenagem que cristalizou um sistema econômico que norteia todas as ações do ser humano.

 

Como cantou um dia John Lennon, “ o sonho não acabou”, mas eu diria, melhor que nem todos se realizem, porque quando os sonhos terminam, nada mais vale a pena. Claro que falo aqui de sonhos e não de delírios gerenciados por uma esquizofrenia coletiva onde os curandeiros pregam a paz e a bondade, mas na calada da noite acendem velas enterradas em farofas para fecharem corpos. Não sabem se acreditam em anjos da guarda ou se brigam com os espíritos cada vez mais pertubados e degenerados. Perderam a competência de gerenciar corpos perdidos no espaço.

 

Se esse sistema ainda vigente é cruel ou justo, ainda não se chegou a um veredicto, pois a humanidade se divide ao conceituá-lo e alguns instrumentos e técnicas são ou têm sido uma maneira eficiente de preservar ou isentar de culpa, quem realmente se beneficia diretamente da pratica insólita de dissimular eficientemente as desigualdades sociais. São aqueles que pregam a subserviência, o medo de ser, o silencio perigoso, a covardia, em nome de uma apologia ao nada.

 

Um dia quem sabe, teremos espalhados pela galáxia, corpos amotinados, mortos,  recusando espíritos embriagados, complexados, já que sem a vaidade, decreta-se conforme a pregação covarde, o fim da humanidade.

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