Desde janeiro de 2002, que, oficialmente, passou-se a debater, discutir e buscar caminhos para tratar o esgoto sanitário de Ponte Nova. O DMAES recebeu correspondência do Codema para que fosse criado instrumento para elaboração do Plano Diretor de Esgoto. Como Presidente do Codema, assinei o ofício (em conjunto com Carlota Collaço) entregue ao Diretor (interino) do DMAES Joaquim Guimarães, pois Luiz Flávio Campos estava de férias. A batalha teria que ser no Condel/Conselho Deliberativo do DMAES onde estávamos afinados: Eu, Guto Malta, Antônio de Pádua Gomes (Toniquinho) e Rovilson Lara, além da cumplicidade de Paulo Pompéia Moreira dos Santos (Sô Paulinho).
Mas, a coisa demorou mais de 01 (um) ano entre a licitação para contratar a empresa que faria os levantamentos de área e a execução de campo. Foi vencedora uma empresa do Espírito Santo, a NTZ. Priorizaram os levantamentos do mini-Plano Diretor de Esgotos na região de abrangência dos bairros Sagrado Coração de Jesus/Pacheco, Vale Suíço, Progresso, Esplanada, Central, São Geraldo e Conjunto Abdalla Felício. Ao final chegou-se à seguinte conclusão técnica: seriam tratados os esgotos de mais de 12.000 pessoas e seria construída uma mini-estação de tratamento na Central.
Em janeiro de 2005, o Prefeito Dr. Taquinho Linhares protocolou solicitação na FEAM que devolveu a documentação para Ponte Nova, argumentando que por ser de baixo impacto (miniETE) a autorização seria em nível municipal (Codema), com anuência prévia do IEF. Ato convalidado em perícia e vistoria de campo na presença do Engenheiro Florestal Reinaldo Vitarelli Andrade. O projeto da miniETE encontra-se nos escaninhos do DMAES, aprovado por Luiz Flávio Campos.
Nova direção do órgão mudou a concepção anterior. O Engenheiro Civil Cristiano Cária Guimarães Pereira resolveu que o Plano Diretor de Esgoto deveria ser integral. Ou seja, para atender todo o perímetro urbano de Ponte Nova. O negócio era grandioso: construir uma ETE total e o local pretendido seria na margem direita do rio Piranga (do outro lado fica a Rasa). À época escrevi que a ETE não seria construída, pois não haveria dinheiro suficiente. O resto todo mundo sabe.
Veio novo Governo Municipal, com Joãozinho de Carvalho à frente. Assinou um TAC garantindo que construiria a ETE em 09 (nove) meses. Pasmem! Como editor do jornal “O Município” estampei manchete dizendo que um compromisso assumido deste naipe seria um milagre: um parto de Jesus Cristo! Não se fez ETE entre 2009-2012. Mais quatro anos perdidos para o meio ambiente, que ficava mais deteriorado, com proliferação de mosquitos, ratos, baratas, vermes e estados insuportáveis de degradação nas margens do rio Piranga e de pequenos cursos como ribeirão- Vau Açu, córregos do Manso, Oratórios, Mata-Cães e Paraíso.
Na gestão anterior a esta, vários avanços na sistemática de implantação da ETE/Estação de Tratamento de Esgoto: debates, reuniões, audiência pública e estudos de alternativa locacional elaborados por técnicos da DESA/Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, organismo da UFMG/Universidade Federal de Minas Gerais. Nos primeiros estudos, a melhor localização foi detectada abaixo do Pontal, em terras da Fazenda Três Corações. Entretanto, com a extinção do processo para implantação nas proximidades da Rasa, novos estudos foram feitos e encontraram outra opção: a 1,2 Km da Rasa. Existem contestações correndo em fase de inquérito civil no Ministério Público.
Do ponto de vista ecológico, sanitário e econômico, a implantação de tratamento de esgoto em Ponte Nova é urgente. Uma cidade que tem seu esgoto tratado atrai investimento de empresas que têm compromisso sócio-ambiental, com a geração de empregos. Para casa R$1,00 investido em saneamento básico diminui o custo com saúde em R$4,00. Ou seja: são economizados R$ 4,00.
O poder público municipal tem que parar de falar em construir ETE. Temos que trabalhar para tratar o esgoto e para isso as prioridades são: construção de interceptores de esgoto e desassoreamento de córregos densamente contaminados pelo esgoto e outros poluentes. A ETE vem depois!


